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(Foto:The Royal Society, Londres) 

14/07/2004
Pingüim 'fotógrafo' faz imagens raras das aves debaixo d'água


Câmera atada em pingüins pesava apenas 73 gramas. 
Cientistas conseguiram imagens da interação de pingüins debaixo d'água ao atar câmeras miniaturizadas às costas das aves.

Observar o comportamento de aves marinhas e mamíferos debaixo d'água é difícil pois a presença de um mergulhador interfere na ação dos animais. Detalhes da observação dos pingüins mergulhando para buscar alimentos foram divulgados na publicação Biology Letters, da Royal Society de Londres. "O que é muito interessante é que a câmera é tão pequena que praticamente não tem impacto sobre os animais", disse à BBC Phil Trathan, da British Antarctic Survey, um dos autores do trabalho com os pingüins. "Se você fotografa pingüins na água usando um mergulhador ou uma câmera com controle remoto ou algo assim, você freqüentemente influencia o comportamento deles", afirmou Trathan.

Antártida

Os pesquisadores da British Antarctic Survey e do National Institute of Polar Research, de Tóquio, no Japão, ataram câmeras a cinco pingüins da espécie Pygoscelis antarctica e cinco outros da espécie Pygoscelis adeliae de colônias da Ilha de Signy, na Antártida.

Eles descobriram que os pingüins nadam perto de pelo menos uma outra ave em cerca de 24% das vezes em que mergulham. Os pesquisadores acreditam que, como as câmeras só apontam para frente, isso sugere que os animais nadem em grupo em cerca de metade de seus mergulhos por comida.

Os cientistas acham que o comportamento coordenado pode ser uma estratégia para evitar predadores mais do que para cercar o alimento, o krill, um crustáceo parecido com um camarão, típico da Antártida (Euphausia superba). 

"Tudo o que nós fazemos a animais selvagens tem um impacto," disse Yves Cherel do Centre d'Etudes Biologiques de Chize, em Villiers en Bois, na França.

"Mesmo colocar artefatos nas costas de pingüins pode mudar seu formato hidrodinâmico debaixo d'água. Mas, há cerca de 15 anos, nós não sabíamos praticamente nada sobre o comportamento dos mamíferos marinhos debaixo d'água", disse Cherel.

No futuro, os cientistas esperam melhorar a resolução das câmeras e usar essa técnica para observar como os pingüins abordam o krill. Isso pode ajudar na conservação da espécie.

"Nós esperamos observar a densidade de krill que os pingüins exploram", explicou Trathan. 
"Isso nos dará informações que podem ser usadas para gerenciar a pesca e ver onde há potencial coincidência entre o tipo de densidade que atrai os pescadores e o tipo de densidade que atrai os pingüins."

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Atila Barros

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