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31/01/2006
Degradação ambiental provoca surto de raiva 
humana em Marajó.

O desmatamento na região de Marajó, norte do Pará, é a principal causa do surto de raiva, transmitida por morcegos, registrado no município de Portel, que já provocou 15 mortes. A conclusão é do gerente executivo do Ibama no Pará e Amapá, Marcílio Monteiro, que divulgou relatório preliminar sobre o problema.

Segundo o documento, nos últimos anos, houve um processo de mudanças radicais no ecossistema daquela região, resultando degradação ambiental profunda e uma situação social que dificulta as ações preventivas contra a raiva. 

Ao lado de pesquisadores do Instituto Evandro Chagas, para onde o relatório preliminar foi enviado, Monteiro afirmou que tudo indica que a população de morcegos sentiu falta de alimentos silvestres, tanto da fauna quanto da flora, e passou a atacar seres humanos. A extração de madeira na região  é intensa e suas conseqüências graves. 

"É quase certo que as transformações do ecossistema daquele região sejam as responsáveis por essas mortes. Precisamos pesquisar ainda mais, mas não se pode fugir desta realidade: sem animais silvestres para se alimentar, os morcegos saíram de encontro aos seres humanos. Isso é muito grave", afirma Monteiro. 

Segundo a pesquisadora Elizabete Salbér, dos dez corpos examinados até agora, oito estavam contaminados pelo vírus da raiva. Ela disse ainda que o Instituto Evandro Chagas está fazendo tudo para esclarecer as dúvidas da população sobre o surto de raiva. 


Cerca de 18 morcegos capturados na área afetada foram colocados em formol, o que prejudicou a análise dos pesquisadores. Dados levantados pelo Ibama revelam que, entre 1980 e 1993, foram registradas 619 mortes, no Pará, provocadas por raiva humana e animal. Belém foi a cidade mais afetada período com 18 casos, seguida de Santarém, com 6; Cametá, 5; Baião e 
Marabá, 4; e Altamira, com 3. O número de casos e de mortes por causa da raiva, ocorridas em Portel, de acordo com o Ministério da Agricultura, é inédito no país e incomum até na América Latina. 

O último caso de raiva no Pará ocorreu em 2001. A última grande epidemia no continente ocorreu na década de 20 do século passado, em Trinidad e Tobago,quando 29 pessoas morreram acometidas de raiva transmitida por morcego. Depois, apenas Colômbia e Peru registraram esse tipo de morte, com nove e seis mortes, respectivamente. 

Força sempre! Você vai precisar para encarar a maratona.
Atila Barros

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