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GRIGRI versus SUM Lançado recentemente, o SUM, dispositivo de frenagem auto-blocante do fabricante espanhol Faders, veio finalmente perturbar o tranqüilo reinado do GRIGRI, da francesa Petzl. Este artigo visa fornecer algumas informações comparativas dos dois produtos, baseado nas informações de catálogo e nas percepções de um pequeno grupo de escaladores de Petrópolis que já usaram os dois produtos. Segue abaixo um resumo deste comparativo, considerando o uso exclusivamente para escalada esportiva em rocha ou indoor. |
Peso: no quesito peso, vantagem para o GRIGRI, que pesa 235g contra 260g do SUM.
Diâmetro das Cordas Utilizadas: O GRIGRI trabalha com cordas de 10mm a 11mm. Já o SUM trabalha entre 9,1mm a 10,5mm. Vantagem para o SUM neste ponto, pois trabalha dentro de uma faixa maior, além de acompanhar a tendência de redução do diâmetro das cordas de escalada. Já se quiser aproveitar sua velha corda de 10,5mm peluda (e conseqüentemente com diâmetro aumentado) esqueça o SUM. A corda simplesmente não vai entrar.
Top Rope: Nos testes feitos não percebemos nenhuma diferença digna de nota. Os dois aparelhos funcionam muito bem.
Segurança para o Guia: Neste quesito o SUM dá um banho no GRIGRI. É realmente muito fácil liberar a corda, mesmo na hora que o guia puxa uma ou duas braçadas de corda para costurar. E dá para fazer isso indistintamente com as duas mãos, pois o SUM é simétrico. No GRIGRI muitas vezes é necessário travar o dispositivo de freio para dar corda, sempre puxando com a mão esquerda.
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Queda do Guia: Segundo a documentação técnica da Faders, o SUM se comporta como um freio dinâmico, ou seja, libera um pouquinho de corda durante uma queda. Isso é uma característica extremamente desejável, pois reduz o impacto nas proteções e no próprio corpo do escalador. Essa característica dinâmica do SUM é proporcionalmente mais sentida com cordas de diâmetro menor ou com capa mais nova. Nos testes que fizemos tivemos a percepção da queda ser realmente um pouco mais suave, comparada com a pancada mais seca sentida numa queda com GRIGRI. |
Rapel ou Descida de “Baldinho”: Os dois quase se equivalem, sendo que numa corda com diâmetro perto do limite superior de cada um dos aparelhos, parece ser necessário fazer mais força na alavanca do SUM. Pesa a favor do SUM a questão da simetria, pois é possível usar indistintamente as duas mãos nesta operação.
Facilidade de Uso: Os dois são bem fáceis de usar e essa facilidade pode induzir ao erro. Por isso é imprescindível ler os manuais de cada produto. O SUM parece ser um pouquinho mais “a prova de erro”, mas isso só o tempo vai comprovar. Especialmente na colocação da corda, parece ser mais difícil inverter no SUM do que no GRIGRI.
Limpeza: Nesse ponto o GRIGRI é reconhecidamente fácil de limpar em todas as suas partes. No caso do SUM, só o tempo vai dizer, pois tivemos a impressão de que existe uma parte do produto que poderia acumular sujeira, com difícil acesso para limpeza.
Outros Usos: Os dois produtos tem diversos usos adicionais, como montagem de tirolesas, resgate, ascensão, etc., sendo aparentemente equivalentes. Não fizemos testes dessas funcionalidades adicionais.
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Auto-Segurança: Neste quesito vale lembrar que na documentação dos fabricantes não existe a possibilidade deste uso. Conta a favor do GRIGRI o fato da comunidade de montanhistas já ter desenvolvido uma adaptação para auto-segurança. Até onde sei ainda não existe alguma adaptação confiável para o SUM. |
Preço: Neste
quesito, boa vantagem
para o SUM, que custa
cerca de 70% do preço do
GRIGRI.
Escalada Tradicional:
Pessoalmente não usaria
nenhum dos dois, que são
pesados e não servem
para rapel em corda
dupla. É até possível
rapelar em
“auto-baldinho” ou
travar uma ponta da
corda e rapelar na
outra, mas esses
procedimentos são pouco
práticos, principalmente
em vias mais longas com
vários rapeis. Numa
seqüência grande de
rapeis pode haver
problema de dissipação
de calor, crítica nos
dois produtos. Sendo
assim, mesmo levando pra
montanha um GRIGRI ou
SUM, seria recomendável
levar também um freio
ATC ou oito. Me parece
mais prático levar um
Petzl Reverso ou o
recém-lançado Black
Diamond ATC Guide,
produtos mais leves e
baratos que tem um
pacote de
funcionalidades
adequadas ao uso em
montanha. Para aqueles
que, ainda assim,
queiram ter uma maior
garantia de que serão
seguros por seus
participantes numa
queda, O SUM parece ser
uma opção melhor pelo
fato de ser um freio com
alguma característica
dinâmica.
Conclusão: A
despeito da
confiabilidade do GRIGRI
e da grife Petzl, o SUM
demonstrou ser um
produto a considerar
numa compra. Em qualquer
escolha é
importantíssimo buscar a
leitura das informações
técnicas
disponibilizadas pelos
fabricantes e praticar o
manuseio antes de usar
numa situação real. O
maior risco associado ao
uso desses dois produtos
é a ilusão do produto
infalível.
- Maiores informações
nos sites dos
fabricantes:
www.petzl.com
e
www.faders.es
.
Força sempre!
Atila Barros
















