Informativo semanal.
Esporte, Notícia e Meio Ambiente.

Diário de Montanha

Autor.

Infos!
Quem é Atila Barros?

.com

Alta Monatanha.com
Montanhismo e Escalada!

"Escale"

Fique por dentro dos campeonatos e eventos!

UBT!

Ubatuboulder!
Inovando como sempre!

Nova editora Especializada em títulos de montanha!

Novo site do CEM!
100% Minas Gerais!

Escaladas de
Minas!

A maior coleção de croquis de escalada já reunidas.

Montanhas Incas!

Projeto Pachamama. Caminhos Incas.

Gente de Montanha!

Rocha e  gelo. Maximo Kausch e Pedro Hauck
Apoiando



 



     

Informativo On-line
Montanha.bio.br - Montanhismo e Meio Ambiente                            

 Ciência

Loja

Dolar_etc

Calango Channel

  Destaques
Destaques

Montanhismo     

Trekking          Boulder           Croquis           Dicas             Parceiros       
Destaques _bio.agenda - [NOW!]

Newsletter

Receba os Informativos por e-mail!

Foto Atila Barros - Falco femoralis

27/10/2009
Contos Andinos.
Huamán, O Caçador de Falcões.

Atila Barros

Durante muito tempo um grupo de falcões ocupou uma encosta ao norte de um pequeno povoado Aymara, este se localiza no território que hoje é conhecido como La Paz, Bolívia, no coração da cordilheira Real.

Esses falcões eram esplendidos em sua forma de voar e se destacavam como exímios caçadores. Todos os povos das regiões vizinhas uma vez ao ano recorriam a seus poderes místicos a eles atribuídos pedindo fartura de alimento em suas casas e paz para seus espíritos castigados pelas condições áridas das montanhas. Foi assim por muito tempo e muitas gerações, os Huamán (Falcões) foram deificados pelos Aymaras.

Um dia, cansado de perder suas galinhas para essas aves de rapina, um morador do pequeno vilarejo armou-se de sua funda e seguiu para encosta dos falcões no primeiro filete de luz do dia. Desafiando os deuses da montanha, passou todo o dia abatendo os Huamán com sua pontaria certeira. Ao cair da noite, exatos trezentos e sessenta e seis animais estavam mortos.

Depois de recolher todos e armazená-los em um grande saco de linhagem, seguiu para praça central do vilarejo, juntou uma grande pilha de lenha e aos gritos dizia ter salvado a cidade dos temidos falcões, não teriam mais de temer por suas galinhas. Nesta noite, o silencio cobriu cada membro da comunidade que estarrecidos olhavam a pilha de aves sendo queimada.

De uma das casas, uma velha senhora segue em sua direção, e sem que ele a perceba, joga sobre sua cabeça algumas folhas de coca e em suas costas faz o sinal da cruz. Em seu ouvido ela sussurra “Seu espirito é de uma galinha e como ela ira viver, sempre com medo do seu predador”.

O inverno estava para chegar e sem os temidos falcões a vida seguiu seu rumo, porem sem controle. As lebres que antes se escondiam durante o dia, agora passaram a saltitar livres pelas plantações comendo tudo que encontravam em seu caminho e se multiplicavam as centenas.

As gralhas que antes eram espantadas pelos falcões, agora eram uma praga nos milharais e consumiam o que era poupado pelas lebres. As casas estavam cheias de ratos que não tinham limites em suas crias por conta de não ter para eles um predador. A vida saiu do controle.

O matador de falcões tinha consigo tantas galinhas que não poderia em toda sua vida e nem de sua família comer tanta carne e usufruir de tantos ovos, destes os ratos davam conta. O povo de Tuni não consumia as aves do matador de falcões porque as considerava impuras e tinham medo de mais castigos vindos da montanha.

O desespero se abateu sobre o homem que condenou seu povo a desgraça por um ato de covardia e medo de perder seus bens, a avareza mais uma vez sobrepunha a razão.

Cansado de esconder-se do seu povo, o envergonhado caçador de falcões foi até a encosta rezar para os deuses pedindo por perdão. Enquanto rezava, nem mesmo os ventos frios que descem do Condoriri sopravam como resposta as suas preces, o mundo parecia parar diante de tamanha dor de sua alma. Depois de um longo tempo ajoelhado e vendo que não tinha resposta dos deuses, por vergonha de seu povo e de sua família, achou por bem tirar a própria vida se jogando no lago.

Em um gesto de desespero, tomou a corda que trazia consigo usada para laçar lhamas, passou um laço no pescoço e procurou uma pedra para se atirar nas águas geladas do lago Chiar Khota. Passou os olhos pela base da encosta à procura de uma pedra grande, uma que o levasse para o fundo do lago. Perto da parede maior achou uma enorme pedra arredondada, esta ele poderia mover, carregar e arremessar.

Para sua surpresa ao levantar a rocha, alguns ratinhos campestres correram para fora de sua toca, e em meio a galhos secos e cascas de ovos que estavam sendo devorados, dois ainda estavam intactos. Curioso em saber do que se tratava, largou a pedra e foi olhar mais de perto o que seria um banquete de roedores. Ao colocar nas mãos dois dos pequenos ovos inteiros, percebeu que estavam quentes e pesados. Sabia que não eram ovos de galinhas, sabia que não pertenciam as gralhas e tão pouco a outros passarinhos das montanhas, sabia que em suas mãos tinha a resposta de suas preces, sabia que os deuses e os espíritos da montanha haviam escutado seu pedido de perdão.

Correu para sua casa como uma vicunha saltando sobre as rochas e assim que chegou, retirou da bolsa os dois milagres que acabara de encontrar. Como uma mãe cuida dos filhos, ele aqueceu e cuidou dos ovinhos.

Por dias não falou com ninguém, e nem mesmo sua esposa entedia o que estava fazendo, durante dias ele dormiu com os ovinhos e os aqueceu em seu corpo.

Em uma fria manha de sábado o silencio em que vivia o caçador de falcões foi quebrado por um barulho baixinho de algo se partindo, os ovinhos se abriram e deram vida a duas estranhas criaturas sem pena e com grandes olhos.

Um sorriso primeiro saiu do canto de sua boca e logo um grito de alegria encheu a pequena casa acordando a todos que ainda dormiam. Foi então que contou a sua esposa e filhos o que lhe tinha acontecido na encosta dos falcões e a segunda chance que os deuses lhe deram.

Correndo como o vento, foi até a benzedeira do povoado e pediu que ofertasse folhas de coca e comida aos espíritos em agradecimento ao nascimento dos animais, e que suplicasse aos espíritos sabedoria para guiá-lo em como cuidar destas novas aves.

A velha disse que faria isso, e que pediria aos espíritos para lhe dar uma alma nova, já que como uma galinha medrosa e zelosa soube cuidar dos seus ovos, agora teria de ter alma de falcão para cuidar de seus novos filhotes, teria a alma de um Huamán.

E assim foi feito, o homem que antes criara galinhas, agora treinava falcões. As aves cresceram e foram levadas de volta a encosta de onde seus pais foram abatidos. Com lagrimas nos olhos este homem devolveu seus filhos à montanha e o ciclo da vida seguiu seu curso novamente.

As aves formaram um casal, e destes nasceram outras aves, e logo em poucos anos devido à fartura de lebres e ratos o numero de falcões se tornou tão grande quanto antes. Os céus das montanhas brancas estavam novamente divididos entre falcões, águias e condores.

No fim da vida, o criador de falcões pediu a seus filhos que no dia de sua morte, seu corpo fosse coberto por penas de galinhas e enterrado na encosta dos falcões. Dizia que mesmo que ainda fosse pai dos falcões, ele ainda era uma galinha que merecia cuidar dos seus pintinhos.

Até o dia de sua morte, o homem Huamán agradeceu a segunda chance que teve para corrigir seus erros e salvar sua alma.

Fonte: Texto extraído do projeto "Pachamama" - 2009 - Atila Barros
Força sempre e boas escaladas!
Atila Barros

 X  X X X
Matérias passadas Área de Download - Newsletter - Receba os Informativos por e-mail!

- O montanhismo em suas várias modalidades é um esporte potencialmente perigoso, que pode resultar em acidente e até morte do praticante. Nem mesmo com a participação de um guia especializado e equipamento adequado, podem-se eliminar a possibilidade de um acidente fatal. É responsabilidade do leitor, utilizar as informações contidas neste site de forma saudável e consciente.

Departamento de Computação Montanha - RJ - Web Design:Atila Barros & Leandro Mendonça - Montanha.bio.br
Dúvidas, sugestões ou reclamações a respeito deste Site, envie um e-mail para: atila@rochaegelo.com.br