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Montanhismo e
Ciência
Lendo um artigo
escrito pelo
pioneiro
montanhista
Édson Struminski
“Du Bois”, para
o informativo
Mountain Voices,
fiquei muito
empolgado com a
possibilidade de
aliar minha
formação
acadêmica ao
montanhismo e
assim me
contribuir um
pouquinho com a
formação
esportiva
consciente no
montanhismo.
Felizmente sou
botânico e
possuo um leque
enorme de
possibilidades
no ambiente das
montanhas. Aqui
onde resido, em
Belo Horizonte,
ou melhor, em
Minas Gerais, a
nossa
localização
geográfica nos
proporciona
ambientes
diversificados,
riquíssimos em
biodiversidade.
Aqui, Caatinga,
Cerrado e Mata
Atlântica se
encontram, num
ecótone bastante
particular e
muitas vezes
extremamente
sensível.
Soma-se a isso o
complexo
arcabouço
geológico, que
influencia nos
processos
pedogenéticos e
a diversidade
dos ecossistemas
se multiplica.
Nós,
montanhistas,
estamos em
contato direto
com toda essa
riqueza e somos
co-responsáveis
por ela. Atores
protagonistas
dessa trama. Das
montanhas
dependemos e
devemos zelar.
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Nesse
mosaico
natural
encontrado
nas
montanhas,
um
ecossistema
particular
me
fascina.
Os
campos
rupestres,
relictos
de um
ecossistema
outrora
bem mais
abrangente
e
exuberante.
São
repletos
de
endemismos
e estão
restritos
a
“ilhas”,
nas
partes
mais
elevadas
do Sul e
Sudeste
do
Brasil.
Encontram-se
ameaçados
e ainda
pouco
estudados.
No
entanto,
entre
nós
montanhistas,
já são
bastante
conhecidos
e
admirados. |
Quando mencionei
que tais
ecossistemas são
relictos,
referi-me a um
ecossistema que
em épocas mais
frias no nosso
continente,
antes mesmo da
presença humana
por aqui, esse
complexo
vegetacional
ocupava uma área
bem maior,
talvez contínua
em todo o
conjunto
montanhoso do
centro sul do
Brasil. Agora,
encontra-se
restrito aos
topos mais
elevados,
normalmente
acima dos 1500m
de altitude,
menos de 1% do
território
nacional.
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E essas
condições
climáticas
e
edáficas
particulares
e hoje
singulares
em
território
brasileiro
presenteiam
os
campos
rupestres
brasileiros
com
espécies
da flora
especialíssimos.
Destaco
aqui a
família
Velloziaceae.
Com 6
gêneros
e
aproximadamente
250
espécies,
têm
distribuição
neotropical,
sendo os
campos
rupestres
brasileiros
o seu
centro
de
diversidade.
No
Brasil
ocorrem
cerca de
200
espécies
e
continuamente
novas
espécies
são
descobertas.
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São conhecidas
popularmente
como
canelas-de-ema e
embora tenham
flores muito
vistosas, são
pouco exploradas
pela dificuldade
de cultivo e
lento
crescimento.
Emprestam seu
nome a um
importante
complexo
ecoturistico
situado aos pés
da majestosa
serra do
cambotas, a
cerca de 80 km
da capital
mineira. Alem
da imponente
parede
quartzítica
usadas para a
prática da
escalada em
rocha, também
abriga uma
população
extremamente
ameaçada da rara
canela-de-ema-gigante
(Vellozia
gigantea
N.L.Menezes &
Mello-Silva).
Outrora
encontrada
apenas na Serra
do Cipó, a
descoberta dessa
nova população
enche de orgulho
e
responsabilidade
a comunidade
montanhista.
Temos o
privilegio de
conviver com
essas obras
primas da
natureza e a
obrigação de
cuidar para que
este patrimônio
não se perca.
Esse fato, que
não é único
quando se fala
em campos
rupestres,
demonstra a
grande
importância
desse
ecossistema e
enorme
responsabilidade
dos montanhistas
com a
preservação
ambiental.
La, onde foram
recentemente
encontradas,
aquelas que
estavam no meio
do caminho de
turistas mais
desinformados
foram cruelmente
queimadas,
arrancadas e
dizimadas.
Entretanto, nos
cumes mais
isolados, onde
somente nós
montanhistas
escaladores
conseguimos
chegar, estão
intactas,
enfeitando e
enchendo de
esperanças
nossos corações
e mentes.
Preservem a
natureza,
pratiquem o
mínimo impacto,
escalem com
responsabilidade!
Obrigado à
equipe do ROCHA
& GELO pela
oportunidade!
Gustavo Pietsch
Vianna |