- O ZEN e a Arte de Escalar
Vendo tantos escaladores hoje, cada qual "malhando" mais, noto que para alguns aquilo é apenas um esporte. Para outros, parece ser pouco mais que uma obrigação ser "o melhor". E Competem!
Lembro-me dos primórdios do esporte, e da evolução vertical que pratiquei. E sentia prazer, paz, que hoje não vejo entre alguns escaladores.
Na década de 1970, o budismo chegou na comunidade hippie que frequentou woodstock. E dalí invadiu Yosemite National Park, a meca sagrada de todo escalador há mais de 25 anos. Uns papos de meditação, união com o divino, integração harmônica com o ambiente...
Então, alguns malucos daqueles chegaram no pé de El Cápitan, e resolvem escalar de outro jeito. Não mais a explosão da força, mas a união com a rocha. Chamavam de Escalada Zen. Algo próximo ao que Osho pregava com a meditação ativa, mas de certa forma uma forma ativa de meditar.
Ao chegar no pé da via, não veja-a como inimigo a ser vencido, mas uma suavidade, uma relação de prazer, de amor (pois não existe prazer maior que o amor, seja ele a Deus, à mãe ou quem for). E toque-a, unindo o seu ser com a rocha, deslize para cima. Até o topo, a mente nada mais diz.
E eis aí o segredo. Meditar é limpar a mente, respirar e limpar o corpo, e unir-se com o divino. Não mais adorar a Deus, mas tornar-se Deus, uno.
Palavras complexas para nossos cérebros, tão lineares e complexos, que necessitamos ver complexidade até em um ponto. O oposto do movimento psicológico, não mais deter-se no racional, mas superar o emocional e o racional, atingindo o divino, ou superior. Um momento de iluminação e êxtase similar ao que os santos católicos eram tomados.
Se considerarmos que os santos católicos normalmente atingiam este estado após prolongado jejum, e comparando com uma escalada extenuante, onde suas reservas de energia são reduzidas ao mínimo, podemos até inferir um padrão: Os momentos de ameaça à integridade física são fatores geradores de estados superiores de consciência. Os violentos, muito rápidos para serem percebidos. Mas o jejum e a escalada podem produzir uma condição fisiológica similar. Ou nos abrem o caminho para unir-se à divindade.
Eis basicamente o padrão ZEN, a forma de religião derivada do C'HAN, neta do Budismo. Uma forma de budismo mais "puro". Não necessita de Deuses, Demônios ou mesmo rituais. O caminho de Malkuth por tifiereth até Kether, o caminhos dos místicos e inicados.
A prática é simples, os resultados positivos podem ser observados rapidamente, sobre o indivíduo como um todo. Melhoria de saúde, disposição, equilíbrio mental, etc.
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E eis que um dia chego em uma banca,
e deparo-me com uma revista,
cujo título era confuso, podia ser NEZ
ou então ZEN.
E falava de escalada... |
Aloysio Carvalho
Escalador desde 1983.