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27/05/2010 |
Foi de frente para o mar que se levantou um dos mais importantes centros cerimoniais do Peru Antigo, aonde chegavam peregrinos das mais diferentes partes. A construção do lugar de culto ao deus Pachacamac, o criador do mundo, foi atribuída à cultura lima, que ocupou a região da costa limenha durante os séculos 5 e 8DC.. Mais tarde, o centro foi ocupado por outros povos, como os incas, que adicionaram seu próprio estilo sobre as edificações encontradas. Considerado Patrimônio Cultural da Humanidade, o complexo arqueológico exibe palácios, praças e templos cuidadosamente restaurados e um museu, onde se encontram as peças achadas durante suas escavações.
Foi para este centro cerimonial fantástico que parti a fim de conhecer um pouco mais da cultura Ichma que deu forma as tradições Limenhas.
Pachacámac (do quéchua Pacha Kamaq, "Que dá Vida ao Mundo") foi o nome dado pelos incas à divindade suprema da cultura Ichma ou Ichimay, que ocupou os vales de Rímac e Lurín na costa central peruana. O nome original da divindade pode ter sido o mesmo dessa cultura. Pachacámac foi incorporado ao panteão inca quando Tupaq Inka Yupanki ou Topa Inca (comandando os exércitos de seu pai, Pachakutiq ou Pachacúti) chegou ao território dos Ichma, entre 1463 e 1471 e os convenceu a se unir a seu império.
Com a chegada dos Wari (650DC) Pachacamac estende sua influência a outras regiões dos Andes Centrais. A ocupação Wari em Pachacamac não deixou evidências de sua presença na maciça construção de edifícios, com exceção do Templo de Pachacamac, que então é separado do Templo pintado e alguns outros edifícios domésticos com corte retangular que atualmente estão sendo escavados.
Os Incas, ao chegar
ao vale (1450-1532DC), estabeleceram novos centros
administrativos, adaptando edifícios já existentes
às novas necessidades. Eles construíram o Templo do
Sol, Acllahuasi, o palácio de Taurichumbi, a Praça
dos Peregrinos e muitos outros.
Possivelmente, Pachacámac foi originalmente uma
versão regional do deus da água pan-andino, mais
conhecido como Viracocha ou Apu Qun Tiqsi Wiraqucha,
mas era visto pelos Ichma como a divindade que dava
ânimo ou movimento a terra, controlador das comoções
sísmicas, razão pela qual era muito respeitado e
temido na costa peruana, zona particularmente
castigada por terremotos. Tinha um irmão ou filho
chamado Vichama, que o enfrenta e tem um papel
importante em seu mito.
O principal centro de culto de Pachacámac era a
cidade-santuário do mesmo nome, no atual vale de
Lurín, ao sul de Lima, que abrigava seu templo
original e oráculo, construídos sobre uma pirâmide
truncada, junto com um grande albergue para
peregrinos e vários templos menores. Sob o domínio
incaico, foi acrescentado ao conjunto, em sua parte
mais alta, um templo ainda mais majestoso e na parte
mais baixa um aqllawasi (casa das mulheres
escolhidas) associando o santuário aos cultos
oficiais do Império.
O deus Pachacámac era simbolizado por um poste totêmico esculpido em madeira com cerca de 2,3 metros de altura, conservado em uma câmara escura do templo de Ínti (para simbolizar sua invisibilidade), que era forrada de ouro e prata. Esse ídolo tinha duas faces opostas, uma delas decorada com serpentes, a outra com espigas de milho, que possivelmente representavam seus aspectos destruidor e criador, respectivamente (possivelmente aludidos nos nomes de Pachacámac e Vichama, este considerado ora filho, ora irmão do primeiro). Os relevos esculpidos no poste que o sustentava aparentemente simbolizavam etapas da consulta ao oráculo, incluindo o sacrifício de um animal. Antes de levar suas questões ao sacerdote, os peregrinos deviam permanecer no albergue do santuário por vinte dias a um ano, abstendo-se durante esse período de sal, pimenta, álcool (chicha) e sexo.
Estes últimos vieram
depois saquear a cidade-santuário de Pachacámac e
destruir seus ídolos.
Pachacámac e Vichama eram ambos filhos de Ínti, que
abandonou a ambos com sua mãe. Esta pediu ajuda ao
Sol (Ínti, para os incas), mas este lhe ordenou
continuar a arrancar raízes para se sustentar e a
fez engravidar de outro filho. A mulher concebeu e
deu à luz em quatro dias, ficando muito feliz.
Ciumento, Pachacámac matou o irmão e o despedaçou,
mas semeou seus dentes, dos quais nasceu o milho; os
ossos e costelas, dos quais nasceram as mandiocas; a
carne, da qual nasceram os pepinos, os ingás (Inga
feuilleei) e os demais frutos e árvores, que desde
então se devem a Pachacámac como deus do sustento e
da abundância. Mas a mãe não se conformou e clamou
por vingança a Ínti. Este perguntou-lhe onde guardou
o cordão umbilical do filho morto. Ela o mostra e o
deus cria a partir dele outro filho, que se chamou
Vichama ou Villama.
Quando Vichama se afastou, Pachacámac, matou a mãe
já idosa e a dividiu em pedaços que deu aos urubus e
condores. Guardou os cabelos e os ossos nas margens
do mar, criou homens e deuses que possuíssem o mundo
e nomeou curacas e caciques que os governassem.
Entretanto, Vichama, ao voltar, recolheu uma das
partes de sua mãe e a ressuscitou. Pachacámac,
temendo o irmão, meteu-se no mar perto do lugar que
hoje tem seu nome. Vichama, furioso com seu povo por
não ter podido matar seu irmão nem impedir a morte
de sua mãe, pediu a Ínti que convertesse os homens
em pedras e assim se deu.
Do ovo de ouro saíram
os curacas, os caciques e os nobres; do de prata,
suas mulheres; e do ovo de cobre, os plebeus, com
suas mulheres e famílias.
Segundo outra versão, Pachacámac criou o primeiro
homem e a primeira mulher, mas esqueceu-se de
alimentá-los e o homem morreu de fome. A mulher
amaldiçoou Pachacámac por sua negligência e ele,
para compensá-la, a fez engravidar e parir um filho.
Mais tarde, ele matou o menino e cortou seu corpo em
pedaços, cada um dos quais deu origem a uma fruta ou
planta comestível. O segundo filho da mulher,
Wichama ou Vichama, escapou e Pachacámac, furioso,
matou a mulher. Wichama vingou-se vencendo
Pachacámac e jogando-o no oceano, onde se tornou
deus dos peixes.
Desde o século XVI compreendesse a existência do
santuário de Pachacamac, antigos historiadores
citaram as ruínas em seus relados quando construíam
o cenário de lima em suas crônicas, mas é só no
século XIX que se conduziu a primeira pesquisa
arqueológica.
É durante o século XIX, as pesquisas arqueológicas
ganham força e seriedade, contemporâneos com George
E. Squier, Bandelier Ernst Adolph e Middendorff dão
o pontapé inicial para uma nova fase de descobertas.
Só em 1938 e 1939 por
ocasião do XXVII Congresso Internacional de
Americanistas foi confiada ao Dr. Alberto Giesecke
executar a limpeza e restauração do Templo de
Pachacamac, obtendo-se a descoberta do ídolo e do
Portão do templo pré-inca, tem inicio um novo ciclo
de descobertas em Pachacámac.
De 1940 a 1945, Dr. Julio C. Tello, por ordem
executiva foi autorizado a realizar escavações
diversas no sítio arqueológico de Pachacamac.
Concentrou seus trabalhos na escavação, restauração
e reconstrução do Acllahuasi ou mamacunas. Suas
descobertas mais importantes são as construções de
paredes de pedra do período clássico em estilo
“cusqueño” (Cuzco) com a técnica de empilhamento de
rochas polidas.
Em 1941e 1942, William D. Strong e John M. Corbett
realizam a escavação na parte oriental do Templo do
Sol e localizam um grande deposito Inca de detritos.
Nos anos de 1958 a 1962, Sob a direção do Dr. Arturo
Jimenez Borja foi realizada a limpeza, escavação e
restauração da rampa da pirâmide maior.
Em 1963 e 1964, sob a direção do Dr. Arthur B.
Jimenez foi realizado a limpeza da parte leste do
Templo do Sol, assim foi possível localizar a
entrada principal, que consiste num zig-zag de
escadas que leva até o cume. O trabalho de limpeza
continuou no "Conjunto de Adobitos", que estão
situados em frente ao museu local, inaugurado em
1965.
Nos anos de 1981 e 1982 são realizadas a limpeza,
escavação e valorização da rampa da pirâmide sob a
supervisão do arquiteto Ponciano Paredes.
De 1986 a 1990, com o financiamento da Fundação
Augusto N. Wiese é realizada a escavação no antigo
Templo de Pachacamac. Sob a direção do arquiteto
Ponciano Paredes, o trabalho de campo permitiu
determinar a seqüência de construção e reutilização
da pirâmide.
Em 1991, mas uma temporada escavações teve inicio,
esta agora no sector de "Las Palmas".
Anos depois em 1997 até 2000, com financiamento do
Instituto Nacional de Cultura, houve o trabalho de
conservação e restauração da pirâmide liderada pelo
Sr. Jesus Ramos.
2001 e 2002, com financiamento do Instituto Nacional
de Cultura, o Museu realizou escavações no complexo
de “Los Adobitos” com a finalidade de ampliar a
visitação ao referido setor que resultou ser a mais
antiga ocupação do centro cerimonial. Os trabalhos
estiveram a cargo do então diretor do museu, o
arqueólogo Giancarlo Marcone. Neste período também
se realizaram trabalhos de conservação na terceira
muralha, patrocinados pelo Sr. Villasana.
No ano seguinte, 2003 até 2006, com o financiamento
da Universidade de Carbondale, E.U.A. e patrocinado
pelo Instituto de Estudos do Peru, "Projeto
Pachacamac" foram conduzidos trabalhos arqueológicos
e levantamento arquitetônico de todo o centro
cerimonial. As escavações foram concentradas em
setores específicos, no Cemitério Uhle e dentro da
primeira muralha. Os trabalhos foram realizados pelo
Dr. Izumi Shimada e pelo arqueólogo Rafael Segura.
Com financiamento da Universidade Livre de Bruxelas,
na Bélgica, em 2006 o "Yschma Archaeological
Project, realizou uma pesquisa no centro cerimonial
a fim de resolver os enigmas das pirâmides e suas
rampas que representam padrão arquitetônico
provenientes da na região central do Peru. O
trabalho foi liderado pelo arqueólogo Dr. Peter
Eckout e co-dirigida por Carlos Farfan. Também em
2006, com o financiamento da Universidade Católica
do Peru, as pesquisas arqueológicas foram realizadas
no centro cerimonial. O trabalho foi conduzido pelo
Dr. Kristof Makowski.
Pachacamac é
surpreendente!
Força Sempre.
Atila Barros
Para chegar ao Centro Cerimonial de Pachacamac siga
em direção a antiga Panamericana Sur Km. 31.5 /
Distrito de Lurín. Lima, Peru
Tele fax: (01) 430-0168
E-mail: museopachacamac@perucultural.org.pe
Horário de visitação: Terça a domingo de 9:00h a
17:00h.
- Referências Waldemar Espinoza Soriano, Los
Incas: economia, sociedad y Estado en la era del
Tahuantinsuyo. Lima: Amaru, 1997













