- Red Point ou Pink Point?
A história da escalada tem muitas estórias para contar. Tantas que algumas mudam com o tempo. E algumas curiosas distorções acontecem, como por exemplo o hábito mineiro de chamar de “red point” o que vem a ser um “pink point”.
Uma rápida pesquisa na Internet brasileira nos traz: Sistemas de Graduação de Vias
por Alexandre Dupont - Dezembro 1993
Red Point: À partir dos anos 60, escaladores do mundo inteiro passaram a repetir antigas vias sob uma forma bela e revolucionária: o Free Climb!!! As vias assim realizadas recebiam um ponto vermelho. Hoje a via é previamente trabalhada e depois o escalador encadena realizando todos os movimentos guiando, sem quedas e sem pontos de apoio;
Pink Point: O escalador equipa e analisa a via (geralmente com corda de cima) e logo em seguida encadena; Ver: ime.usp.br
Antigamente, o que valia era subir. Se a corda ou o piton estavam ali, por que não usar? O objetivo é chegar ao cume, e só o cume interessava...
Depois, já na década de 1960, alguns escaladores começaram a querer escalar mais “limpo”, mais “natural”. E a forma mais limpa e natural possível é escalar solo, mas o risco é inaceitável (para a maioria). Assim, a alternativa é usar o equipamento apenas como proteção em caso de quedas, e apoiar-se apenas na rocha. Este é o conceito central da escalada esportiva.
Aí pintou um alemão chamado Kurt Albert, que resolveu pintar um ponto vermelho (rotpunkt) na base de cada via com “artificial” que ele conseguia “limpar”, ou seja, fazer sem se apoiar no equipamento. Inclusive o conceito de “artificial” surge depois, para escaladas usando o equipamento para progredir. Vejamos:
Well, not exactly. When Kurt Albert started to make free ascents of the established (aid) lines in Frankenjura, he painted a red point (rotpunkt) on the base of each route he successfully climbed without resting on gear - the style currently known as "redpoint" or "RP" (in Europe).
Ver: rockclimbing.com
Bem, não exatamente. Quando Kurt Albert começou a fazer as primeiras ascensões livres das vias (com artificial) existentes em Frankenjura, ele pintou um ponto vermelho (rotpunkt em alemão) na base de cada via que ele escalava com sucesso sem apoiar ou descansar no equipamento – o estilo atualmente conhecido como "redpoint" ou "RP" (na Europa).
Já o Pink Point surgiu depois, pois alguns puristas argumentavam que fazer uma via com as proteções móveis e/ou costuras já colocadas é mais fácil que “sacar costuras” ou colocar móveis – especialmente o último caso. Daí que, de brincadeira, diziam que para o primeiro era vermelho, mas para o segundo já era “rosa”...
Novamente, citando os gringos, e aproveitando alguns termos adicionais menos conhecidos:
- Red Point: successful ascent of a route with no falls or illegal rests.
- Pink Point: red point, except that quickdraws were already in place in bolts.
- Flash: red point on a climber's first attempt of a route.
- On-sight: successful lead when a climber has no prior experience, including watching another climber, on a route. One step up from a Flash, though many climbers use the terms interchangeably. Ver uoflife.com
- Ponto Vermelho: Subir uma via sem quedas ou descansos ilegais.
- Ponto Rosa: Ponto vermelho, exceto que as costuras já estão nas proteções (fixas).
- Brilho/Rápido: Ponto vermelho na primeira tentativa do escalador na via.
- À Vista: Guiada bem sucedida quanto o escalador não tem conhecimento anterior, incluindo ver outro escalador na via. Um degrau acima do Brilho, apesar de muitos escaladores misturarem os termos.
Assim, seja gentil e da próxima vez que alguém na base de uma via equipada disser que vai tentar um “red point” nela, ofereça-se para escalar antes em “pink point” e retirar as costuras para ele poder fazer um “Red Point”...
Aloysio Carvalho
Escalador desde 1983.
PS.: Todas as citações são trechos selecionados. Visite o link citado para o texto original completo.