|
28/08/2010 |
A
cidade de Tiahuanaco (Tiwanaku), Bolívia, hoje é um
dos sítios arqueológicos mais cobiçados por turistas
e interessados pela historia Pré-Inca de todo país,
além de muitos mistérios em torno de seus
monumentos, Tiwanaku parece estar fora do contexto
geral de tudo que pode ser visto dentre as culturas
Andinas pré-hispânica.
Assim é Tiwanaku, curiosa e surpreendente, uma das
engenhosidades da região se estende por uma área de
4.000 MT quadrados pelas planícies que estão
localizadas a elevações que passam dos 3.800 MT. São
elevações artificiais (pilares) cujo topo,
absolutamente planos, sugere que ali existam
edifícios soterrados. Estes e muitos outros marcos
desta antiga cidade fazem os visitantes se sentirem
intrigados em meio a historia que antecedem os
famosos incas.
- Tiwanaku (grafias em desuso Tiahuanaco, Tiahuanacu) é o mais importante sítio arqueológico pré-colombiano situado na Bolívia.
|
Os Tiwanaku formaram uma importante civilização que floresceu nas proximidades do lago Titicaca, sendo por muitos historiadores considerada como precursora dos incas. Existem teorias de que o nome tiwanaku teria derivado do termo aimará taypikala que significa pedra no centro, referindo-se à rocha que se situa no meio do lago. Entretanto há de se considerar que os habitantes de Tiwanaku não tinham nenhum idioma escrito. |
A cultura de Tiwanaku iniciou-se com uma pequena aldeia aproximadamente no ano 1500 a.C., crescendo e constituindo-se considerável centro urbano entre os anos 300 e 500, daí espargindo sua influência e se tornando um poder regional no sul dos Andes até o ano de 900, quando iniciou sua decadência. Daí em diante desapareceu o estilo artístico que a caracterizava.
No entanto, é difícil dizer se a presença
desta cerâmica atesta o poder político desta
civilização sobre esta área ou somente atesta sua
influência cultural ou talvez apenas meramente
comercial.
Tratava-se de uma cultura precursora das grandes
construções monumentais da América do Sul que,
embora e admiravelmente se utilizasse de grandes de
pedras pesando até cem toneladas, as cortavam e
requadravam e depois as entalhavam e esculpiam (ou
revestiam) para encaixá-las umas às outras com uma
precisão e engenhosidade raramente encontradas mesmo
na construção monumental inca posterior.
|
Hoje, após estudos, pensa-se que Tiwanaku poderia ter sido habitada entre 17.000 a.C. a 12.000 a.C.. O principal indício desta tese são as informações astronômicas gravadas da Porta do Sol e o fato de que no local existia um porto para embarcações. |
Para
alguns “estudiosos” no assunto, à conclusão é de que
Tiwanaku seria a Atlântida narrada por Platão,
teorias e especulações sem base cientifica, o que
não poder ser considerado para fim reais de estudo.
Poético, mas deixem isso para estudiosos como suíço
Erich Von Däniken e seus deuses astronautas.
É evidente a originalidade do estilo da arte
Tiwanaku, mas é perceptível alguma correlação com o
estilo da cultura Huari, certo que ambas as culturas
definem o período médio do horizonte das culturas
pré-incaicas, parecendo que ambas foram precedidas
pela cultura Paracas que floresceu na bacia norte do
lago Titicaca. Alguns estudiosos afirmam ter
encontrado laços com a influência cultural e
artística da cultura Chimu.
E
conta ainda que, há muito tempo, lá apareceram os
Huiarajochas, cavaleiros brancos, barbudos, cujo
chefe dominava o sol a lua e as estrelas, movia a
Terra, transladava montanhas e fazia chover fogo.
Referencia esta a conquista espanhola.
A primeira escavação arqueológica científica foi
efetivada, entre junho e julho de 1932, pelo
arqueólogo norte americano Wendell C. Bennett. Os
trabalhos tinham por fim o estabelecimento de uma
seqüencia estratigráfica das cerâmicas do lugar-
base imprescindível para cronologia exata e tarefa
nunca testada antes. "A leste de Kalasasaya
(escreveu Bennett a Escavations at Tiahuanaco, 1934)
há um pequeno templo semi subterrâneo, 1,80m abaixo
da superfície da base monolítica. O templo estava
completamente coberto desde os princípios deste
século...” O poço nº.VII foi feito na metade
setentrional do templo. Tinha 4 x 2,5m, paralelo com
a parede norte da estrutura. A cabeça de uma grande
estátua monolítica foi encontrada a uma profundidade
de meio metro, na porção sul do poço. Para
desenterrá-la foi necessário estender a escavação
seis metros ao sul e uns 3,50m de largura.
Infelizmente, a mudança da técnica da escavação
impossibilitou a preservação dos níveis
estratigráficos..." Assim em palavras secas e quase
aborrecidas descreve Bennett a descoberta da maior
estátua monolítica de Tiahuanaco. Depois de achar
outra escultura, Bennett estabeleceu sua seqüencia
cerâmica. Distinguiu três épocas: Antiga, Clássica,
e Decadente. Seus achados estão hoje superados - mas
ele sempre será lembrado como o descobridor da
Estela de Bennett. Os secos relatos científicos não
dão uma idéia da perfeição das melhores peças de
cerâmica que, geralmente sobre fundo castanho, luzem
nas cores branca, vermelha, amarela e preta.
Finamente polidas, às vezes apresentam desenhos
extremamente complexos. Predomina a representação do
felino e da ave de rapina. Outros animais são a
serpente e o lhama, havendo também figura
antropomórficas.
É espantosa a imensa área de distribuição destas
cerâmicas e logo na assim chamada Época Decadente.
Das costas do pacifico até o norte da Argentina.
Um dos maiores colaboradores das pesquisas em
Tiwanaku foi o arqueólogo paceño (La Paz, Bolívia)
Carlos Ponce Sanginés, (1957) no centro de
Investigações Arqueológicas de Tiwanaku, hoje
Instituto Nacional de Arqueologia (INA). Suas
escavações, que foram as maiores da América Latina,
visaram descobrir detalhes para uma melhor
compreensão da civilização tiahuanacota e a
restauração extensiva dos monumentos escavados. Uma
série de datas de carbono 14 estabeleceu uma
cronologia absoluta. E dos relatos do INA, das
centenas de tabelas e desenhos técnicos e dos
diversos objetos encontrados começa a ressurgir a
história de Tiahuanaco.
As ruínas mais importantes da antiga metrópole
encontram-se perto de uma cidadezinha colonial, e
estão dominadas pela colina artificial de Akapana.
Sabemos hoje que era uma pirâmide truncada, com dois
ou três terraços, cuja base mede cerca de 1,80 x
1,35 metros. Em seu topo havia antigamente algumas
construções, das quais poucas pedras eram visíveis.
Recentes escavações desenterram escadarias e parte
da fachada de lages esculpidas ( presume-se que
parte da superfície da pirâmide estava revestida de
barro, sendo provavelmente pintada ou esculpida ).
As dimensões da base de Akapana assemelham-se à
Pirâmide do Sol, de Teotihuacán, no México. Como
esta, seu corpo principal está direcionado para
oeste, e, ainda como esta, servia possivelmente de
base para construções sacras.
Do alto de Akapana, o visitante pode abranger com as
construções líticas da antiga cidade, o conjunto
Pumapunku, que só de perto se revela como o resto de
outra pirâmide com gigantescas edificações
monolíticas em ruínas, a escada monolítica, com seu
portão monumental reconstruído, a grande plataforma
de Kalasasaya, com seus muros reconstruídos outrora
apenas delimitados por fileiras de pilares
monolíticos com a Porta do Sol, a colina Lankakollu,
(antigamente outra pirâmide) e vários campos de
escavação com suas quadrangulações típicas. À
distância vêem-se o lugarejo moderno, cúpulas e a
torre da igreja colonial tudo construído na
planície, com campos arados, terra e poeira seca.
Poucos carneiros e vacas comem o capim duro no
altiplano deixando espaço para Lhamas e Alpacas. No
horizonte as montanhas da cordilheira real e o
impotente Huayna Potosí com seus 6.088MT.
A mais antiga data do sítio revelada pelo carbono 14
é aproximadamente, o ano de 1500 a.C. Nas épocas I e
II Tiahuanaco viveu como aldeia de poucas centenas
de habitantes, com economia auto-suficiente, mas em
intercâmbio com os vizinhos. Por volta do século II
de nossa era, essa mudança causou uma série de
reações em cadeia: apareceu ali um aparelho estatal
bem administrado, uma sociedade dividida em
importações, com artesãos e artistas que precisavam
de matérias-primas oriundas de lugares distantes.
Como resposta houve notável aumento demográfico.
Segundo se calcula perto do ano 200, a produção
agrícola da região foi tal que um terço bastava para
alimentar os habitantes de Tiwanaku. O restante,
arrecadado em forma de impostos, servia para manter
a casta dominante dos aristocratas e sacerdotes, e
para executar obras por elas planejadas, ou seja, as
monumentais estruturas arquitetônicas que marcaram
essa época: construções sacras, como a pirâmide
truncada de Akapana; templos como o kalasasaya e
Pumapunku, cada um com cerca de quatro hectares de
superfície, o templo, semi-subterrâneo, escavado em
1960-1964, além de vários palácios.
Como uma cidade forte e prospera, a propensão era
aumentar a área sob sua influência. A tendência
expansionista começou já no ano 200. Por volta do
século VII, a cidade entrou na sua fase clássica,
numa era de maturidade que se deu ênfase à beleza,
modificando e aperfeiçoando o já existente. As
melhores esculturas e cerâmicas datam desse tempo.
Com freqüência são representadas ordens de
guerreiros as da águia (ou do condor) e as do
felino, portanto as respectivas máscaras, segurando
armas e ostentando como peitoral a lâmina de um
machado, símbolo do combatente. Alguns destes ídolos
de pedra trabalhada, guerreiros carregam em suas
mãos cabeças de inimigos possivelmente troféus de
combate.
No ano 200 Tiahuanaco tinham estabelecido enclaves
coloniais (Período de grande intercâmbio comercial)
nas regiões de Ayacucho, no Peru (Huari), e Atacama
no Chile. A cidade alcançou no seu apogeu uma
superfície de cerca de 420 hectares, 4% dos quais
era ocupados por construções religioso-cerimoniais e
por palácios. Tal núcleo era cuidadosamente
planificado, como provavelmente o eram as habitações
populares, que eram feitas em adobe.
O último estágio de Tiahuanaco foi imperial, numa
vasta expansão bélica militar. Neste período, as
conquistas devem ser analisadas como fato político
associado às crenças religiosas. Os guerreiros podem
ser observados na arte, portanto machado em uma mão
e cabeça troféu na outra. Ao contrário dos incas
posteriores, suas batalhas eram dominadas pelo
manejo do arco e flecha. Em torno de 910 Tiahuanaco
encontrava-se no apogeu de seu poder.
Hoje conhecemos 125 sítios pertencentes à sua
cultura, 87 dos quais da época imperial. Com um
território que deve ter coberto seiscentos mil
quilômetros quadrados, calcula-se sua população
hipotética em três milhões e seiscentos mil
habitantes (com uma densidade populacional de seis
habitantes por quilômetro quadrado) no fim de sua
trajetória. Abraçando a oeste a costa do Pacífico, e
tendo ao centro a Cordilheira dos Andes e o
altiplano, esses domínios abarcavam, a leste, o vale
de temperatura constantemente amena.
No século XIII o império desmoronou, as teorias mais
sensatas apontam para as evidências encontradas no
sitio de Tiwanaku, estas se devem as possíveis
invasões de tribos vizinhas vindas do que hoje é o
Peru seguindo de fenômenos climáticos que assolaram
a região. As somas destes fatores culminaram no
abandono da cidade.
Não se sabe bem o porquê séculos depois os incas
tentaram ressuscitar a cidade. Presume-se que eram
de fala Aymara os construtores de Tiahuanaco.
Pumapunku significa Porta do Puma acredita-se hoje
que era o santuário dos guerreiros do felino,
evidente nas estatuas e cerâmicas encontradas no
sitio.
Todo este processo ocorreu por parte da colonização
Inca iniciada nas terras do que hoje são território
Boliviano as margens do Lago Titicaca. Mas tarde
adentrando por todo páis. As culturas Aymara que
margeavam o lago adotaram o idioma Quéchua e
mesclaram sua religião as do império de
Tawantinsuyu.
Antes das últimas escavações recentes, o lugar
apresentava-se como colina aparentemente natural, de
cerca de doze metros de altura. Em seu topo existe
uma plataforma que, medindo perto de vinte por
cinqüenta metros, é formada por imensos blocos de
pedra esculpida vindos de uma pedreira 100 km
distante dali. O maior bloco pesa umas 150
toneladas. Esta plataforma e os restos das
construções, às quais servia de base, foram
destruídos pelos espanhóis que, à procura de
tesouros, fizeram voar enormes pedras com grande
quantidade de pólvora. Nos escombros distinguem se
fragmentos de vários portões monolíticos esculpidos,
similares da famosa Porta do Sol.
Foram encontradas as esquinas da estrutura, que se
sabe agora medir 130 x 200 MT. Trata-se de uma
pirâmide de terra com fachada de muralha escalonada,
construída com pedras lavradas, assentadas
diretamente no chão, sem alicerces. Em muitos
lugares o muro foi demolido, e suas pedras
retangulares levadas para La Paz. Explorando mais,
foi encontrados restos de um piso vermelho de argila
polida e também outro muro mais antigo (escondido
por trás da camada de terra aplicada para receber o
mais recente), que se encontra em excelente estado
de preservação.
Para os arqueólogos bolivianos não há maiores
mistérios na história do império de Tiahuanaco:
expansão bélica, apoiada em capitais secundárias
sempre dependentes da metrópole nas margens do lago
Titicaca. Diferentes versões estilísticas nada mais
são do que a expressão de uma arte colonial
influenciada pela metrópole. Como os bolivianos
preferem chamar, um império boliviano.
Já os especialistas em historia andina peruanos vêem
este conceito de forma diferente, para eles
Tiahuanaco foi o inicio de um grande processo, porem
apontam certas semelhanças estilísticas que indicam
forte influência vinda de Chávin, Chávin de Huantar,
no altiplano setentrional e norte da costa do Peru.
Este deve-se por semelhanças nas divindades do
felino, da ave de rapina e dos "anjos meio tigre,
meio homem".
Especialmente os peruanos negam a Tiahuanaco o
comando da fase expansiva ou imperial. Reivindicam
como capital desse império a cidade de Huari, no
departamento peruano de Ayacucho. É certo que o
estilo da cerâmica e escultura lítica mudou no
caminho de Tiahuanaco para Huari (Wari), cidade que
sofreu duas fortes influências estilísticas, de
Nazca, na costa do Pacífico, e de Tiahuanaco.
Da confluência destas duas correntes formou-se o
foco imperial de Huari, que por sua vez conquistou o
grande império.
Os arqueólogos estão seguros que existiu um império
influenciado por Tiahuanaco, e que nos séculos
XI-XII dominou grande parte da Bolívia, Peru, Chile
e Argentina. Este com um surpreendente adiantamento
tecnológico e artístico, com suas maravilhosas
esculturas líticas e cerâmicas policromas
preservadas pelo clima seco da costa pacífica. Se a
capital política deste império era mesmo Tiahunaco,
Huari, ou outro lugar a ciência arqueológica ainda
não pode apontar.
O sítio arqueológico de Tiwanaku encontra-se num
estado razoável de conservação, já tendo sofrido ao
saque de escavadores amadores à cata de
preciosidades desde a queda da cidade. Esta
destruição continuou no século XIX e início do
século XX com ações como a redução das pedras
monumentais em britas para a construção de ferrovia
e o seu uso como alvo de tiro em exercício militar.
Ver:
Suposto erro em restauração
ameaça pirâmide na Bolívia segundo UNESCO.
Hoje o sítio de Tiwanaku é considerado como
patrimônio da humanidade pela UNESCO, administrado
pelo governo boliviano.
O sitio arqueológico de Tiwanaku este aberto à
visitação e é de fácil acesso partindo da cidade de
La Paz. Perto do cemitério da cidade, os ônibus que
partem para o Lago Titicaca e Tiwanaku saem em
intervalos que variam entre 15 a 40 minutos. Ignore
as agencias de viagens que vendem o passeio e faça
por sua própria conta, participando da vida das
pessoas que vivem por lá.
Força sempre e boas descobertas!
Atila Barros























