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11/02/2008 |
Dessa vez um pouco longe de pensar em escalar altas montanhas, as férias de verão inclinarão o montanha.bio.br a explorar um pouco mais de nosso continente. Retornando as origens do site, que de inicio tinha o intuito de divulgar material de estudo biológico, fechamos as malas e rumamos para Patagônia Argentina em busca dos lobos marinhos e pingüins nas terras do fim do mundo, Ushuaia. lobos marinhos - Otaria Byronia
A
região do extremo sul do continente americano,
conhecida pelo locais como Região de Magalhães,
compreende o sul da Argentina e o sul do Chile. A
região mais meridional do continente é conhecida
como Terra do Fogo (Tierra del Fuego). Nessa região
está localizada a cidade mais austral do planeta,
Ushuaia.
Ushuaia
Ushuaia é uma cidade da Argentina e capital da
Província da Terra do Fogo. É conhecida como La
ciudad más austral del mundo (A cidade mais austral
do mundo) ou La ciudad del Fin del Mundo (A cidade
do Fim do Mundo). De fato, apenas a muito pequena
localidade chilena de Puerto Williams está mais a
sul.
O departamento possui uma superfície de 9 390 km² e
tem, de acordo com o censo de 2001, 45.785
habitantes, o que lhe confere uma densidade
demográfica de 4,9 hab/km². Este departamento possui
um só município, o de Ushuaia, e possui também o
porto de águas profundas mais próximo da Antártida.
O nome da cidade provém dos idiomas indígenas
yámanas: ush (ao fundo) e wuaia (baía). O nome da
cidade se pronuncia, geralmente, segundo as regras
do castelhano, fazendo o "sh" ter som de "ç" (Uçuáia),
o mesmo se aplica para o seu gentílico.
Extensão - considera-se apenas o território
incontestado da província que é formado por parte da
Ilha Grande da Terra do Fogo e a Ilha dos Estados.
Somando-se os territórios que a Argentina reclama no
Atlântico Sul (Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e
parte da Antártica) a extensão territorial da
província atingiria 1.002.445 km².
Os primeiros desbravadores destas terras chegaram a
pé ao que é hoje a Ilha Grande (ou Isla Grande, em
espanhol), há mais de onze mil anos. Foram caçadores
nômades que vieram do norte, dispostos a sobreviver
com os recursos naturais de um espaço que ainda se
mantinha conectado à Patagônia Continental. Tempos
depois, chegou uma segunda onda de desbravadores
nômades; estes últimos vieram navegando, de ilha em
ilha, desde o arquipélago ocidental da Patagônia.
Milhares de anos fizeram com que as águas oceânicas
causassem a erosão de uma parte considerável do
continente. Violentos movimentos terrestres geraram
essa divisão continental, formando uma grande ilha e
um passo inter-oceânico.
O homem europeu só conheceria a Ilha Grande da Terra
do Fogo e o Estreito de Magalhães bem mais tarde. Em
meados de 1520 a expedição de Fernando Magalhães ao
Sul da América do Sul rendeu as primeiras descrições
da Terra do Fogo.
Durante a travessia, os navegantes espanhóis
observaram fogo e fumo sobre a costa setentrional, e
em virtude disso batizaram a ilha como Terra do Fogo
(ou Tierra del Fuego, em espanhol). Com o tempo
várias expedições européias permitiram um contato
mais direto entre o homem branco e os aborígenes.
Uma missão de pastores anglicanos, dirigida por
Thomas Bridges, instalou-se na zona do Canal de
Beagle em 1869, formando o primeiro assentamento
europeu no que compreende, atualmente, o território
do departamento de Ushuaia.
A cidade foi fundada em 12 de outubro de 1884, sobre
as costas do Canal de Beagle, e é rodeada pelos
montes Martial e Olivia, pertencentes à cordilheira
dos Andes, e pelos férteis e belos vales glaciais.
À medida que o homem branco avançava sobre o
território, a vida dos indígenas ia sofrendo
gravíssimas perturbações. De vários pontos da ilha,
inclusive de Ushuaia, partiam bandos de mercenários
contratados por fazendeiros, com o consentimento das
autoridades, para exterminar a população aborígine.
Já em 1930 quase toda a população aborígine havia
desaparecido.
No início do século XX foi construído nas
proximidades da então aldeia de Ushuaia o célebre
Presídio de Ushuaia, que funcionou de 1902 a 1947.
Posteriormente passou para as mãos da Marinha da
Argentina e, após um longo tempo de abandono, foi
transformado em um museu, o Museo del Fin del Mundo.
O museu exibe, entre outras curiosidades, a linha de
ferro mais austral do mundo, que conduzia os presos
do Presídio de Ushuaia aos campos de trabalho
situados no atual Parque Nacional Tierra del Fuego.
Recentemente a linha de ferro foi reativada com
propósitos turísticos, conectando o terminal,
situado no parque nacional, com a Baía de Lapataia.
O
volume das precipitações na região gira em torno de
524 mm anuais e se divide equitativamente ao longo
do ano.
Ushuaia encontra-se a 250 km sudoeste de Rio Grande,
outra importante cidade da Terra do Fogo. Ambas as
cidades estão unidas pela Rota 3 que termina na Baía
de Lapataia.
Ushuaia conta com boa infra-estrutura hoteleira e
gastronômica, onde são servidos pratos tradicionais
da região como a centolla, a merluza-negra, os
mariscos, os pescados e também o assado de ovelha da
Patagônia.
O Estreito de Beagle
O Estreito de Beagle (ou Canal de Beagle) é um estreito separando as ilhas do arquipélago da Terra do Fogo, no extremo sul da América do Sul. Ele separa a Ilha Grande da Terra do Fogo de diversas pequenas ilhas ao sul. Sua parte oriental marca a fronteira entre o Chile e a Argentina, mas sua parte ocidental pertence ao Chile.
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O estreito de Beagle tem aproximadamente 240 km de comprimento, e sua largura mínima é de cerca de 5 km. A oeste, comunica com o Oceano Pacífico pelo canal de Darwin. |
Apesar de ele ser navegável por grandes navios,
existem outras rotas marítimas mais seguras a sul
(Passagem de Drake) e a norte (Estreito de
Magalhães). Algumas pequenas ilhas perto da sua
extremidade oriental foram objeto, durante muito
tempo, de disputas territoriais entre o Chile e a
Argentina. Segundo o tratado de 1985, elas pertencem
desde então ao Chile (Lennox, Picton e Nueva)
As principais zonas habitadas nas margens do canal
são Puerto Williams (Chile) e Ushuaia (Argentina).
O canal deve seu nome ao navio britânico HMS Beagle,
que fez parte de duas missões hidrográficas nas
costas meridionais da América do Sul no início do
século XIX. Durante a primeira, sob o comando do
australiano Philip Parker King, o capitão do Beagle,
Pringle Stokes, suicidou-se e foi substituído pelo
capitão Robert FitzRoy. A segunda, muitas vezes
chamada de a Viagem do Beagle, é célebre porque o
capitão FitzRoy levava a bordo Charles Darwin,
proporcionando-lhe assim a oportunidade de
destacar-se como naturalista amador.
Os
machos chegam antes, em setembro, e preparam os
ninhos. Então vêm as fêmeas que procuram o mesmo
companheiro com que ficaram no outro ano. No serviço
de cuidar da ninhada, macho e fêmea se revezam. Um
choca, o outro pesca, e assim vão passando o verão.
Na praia, se juntam em pequenos grupos e ficam ali,
de pezinho, vendo a vida passar. Quando olham algo,
inclinam a cabeça. Basta um entrar no mar para
ativar o efeito dominó na turma, e logo estão todos
metidos na água. Em abril vai todo mundo embora.
O
bote que parte da estância leva 15 pessoas incluindo
o piloto e o guia, é um barco semi-rígido, entrada
livre para a chuva e para o vento, 70 pesos para ir
até à ilha e ficar dentro do bote com o piloto, ou
150 para sair do barco com o guia e percorrer a ilha
pelo meio dos pinguins.
Parque Nacional Terra do Fogo
Parque Nacional Terra do Fogo, criado em 1960, extende-se por 63.000 hectares e constitui a reserva
fundamental do bosque subantártico argentino, sendo
um verdadeiro paraíso austral. Sua função é
preservar o ecossistema andino-patagônico e o bosque
subantártico. Abriga uma variedade de flora e fauna,
sendo a "lenga" a árvore mais abundante da região,
podendo alcançar 30 m de altura e um tronco de 1,5 m
de diâmetro, convivendo com "guindos", "nires",
canela e outras.
Dentro da fauna do parque destaca-se o "cauquén",
que constrói seus ninhos perto da água, alimenta-se
de pasto e migra no inverno, o pica-pau, que é visto
apenas em casais ou em pequenos grupos familiares, e
as "bandurrias", chamativas por sua forma e cor. Os
roedores são um dos atrativos mais visíveis, tanto
os castores como os coelhos, praga da região já que
foram importados e não são autóctonos. Dentro do
percurso pelo parque podem-se ver a Bahía Ensenada,
a cascata do rio Pipo, o mirante da Ilha Redonda, o
Lago Roca, a lagoa Negra e finalmente a Bahía
Lapataia.
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Uma visão curiosa e desoladora é a dos diques que os castores constroem nos rios. Curiosa porque são obras de engenharia impressionantes, e desoladora porque matam as árvores próximas. |
No passado ocorreu a idéia de trazer castores do Canadá para desenvolver a indústria de peles em Ushuaia. A idéia não vingou, mas o animal se adaptou perfeitamente. Hoje estima-se que existam 120.000 mil castores felizes e contentes nessa região onde não há predadores. Castores são praga por lá.
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Ushuaia é um lugar de bosques e lagos. A Baía Ensenada dá para o canal de Beagle. As copas das árvores são totalmente inclinadas, vencidas pelo vento. |
Olhar para o chão é uma surpresa de texturas de musgos, pedras, árvores secas. As rochas são verdes e prateadas, lascadas como massa folhada.
Apesar do seu isolamento nos confins do continente e
por isso originada a partir de uma colônia penal
instalada em 1882 pelo Presidente Roca, Ushuaia é
uma cidade beira-mar, localizada em frente ao Canal
de Beagle e ao sopé de montanhas cobertas de
bosques.
Bem provida de recursos para o viajante, conta com
acomodações, comércio, restaurantes, vida cultural e
atrações de excelente qualidade, sendo ponto de
parada obrigatório para grandes transatlânticos e
embarcações que se dirigem à Antártida.
Força
sempre e boa viagem!
Atila Barros
Fotos:
Expedição Patagonia - 2008
Argentina - Ushuaia - Calafate - Fauna













