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Marco e Cristiano Felizardo, Atila Barros e Marcio Araujo. 08/08/2008
Andes 2008 -
El Condoriri e etc.
Atila Barros

Galeria de Fotos: Expedição Andes
Bolívia - Peru

El Condoriri, em Aymara que significa "Cabeza de Cóndor", para este ano a mineirada caprichou em lotar as montanhas da Bolívia.

Chegando em La Paz, indo direto para o Hotel Torino já deu para perceber o clima brazuca no local, o que tinha de brasileiro caminhando e escalando pela Bolívia não tava no gibi. Para não falar logo no aeroporto Viru Viru em Santa Cruz de La Sierra, onde a disputa por uma passagem aérea para La Paz era feita quase que a socos e pontapés por brasileiros, peruanos, americanos, Ets e bolivianos. Nessas disputas, estavam nos cinco e mais três amigos de Curitiba que também tentavam comprar passagem. Isso tudo para tentar evitar a longa jornada de vinte horas de ônibus pelas estradas da Bolívia até La Paz. Passagens compradas e logo estaríamos na Praça Murilo.

Nosso grupo contava com os irmãos Cristiano e Marco Felizardo, Geni Lobato, Marcio Araujo, meu fiel escudeiro e amigo de longas datas  e eu. Nesta formação partimos do Hotel Torino em direção aos Nevados do Condoriri, onde praticaríamos técnicas de escalada em gelo com os novatos e colocaríamos em teste nosso condicionamento na subida dos glaciares do Pequeno Alpamayo e vizinhos.

Chacaltaya, a estação de ski mais alta do mundo com 5.600 MT de altitude

Antes uma passada em Chacaltaya, a estação de ski mais alta do mundo com 5.600 MT de altitude (Desativada) para caminhar e aclimatar um pouco, lá o pessoal já sentiu o peso de caminhar pela primeira vez no teto dos 5000 MT. Como no ano anterior, para essa empreitada contamos com a assessoria de Juan Villarroel, dono e Guia de alta montanha da agencia Azimut (Juan é um dos mais conceituados instrutores de escalada em Rocha e gelo da Bolívia).

Como nosso projeto inicial era fazer o Illimani, optamos em aclimatar no Condoriri, e nesse pensamento fomos ao encontro de Gustavo, que já estava na montanha realizando o documentário para um canal de TV de Belo Horizonte. Gustavo e equipe também estavam realizando o curso de Escalada em Alta Montanha lecionado por Juan (O mesmo que eu e Marcio fizemos no ano anterior, ver matéria) e estavam pendentes de equipamento para filmagem, já que a câmera de Luiz apresentava problemas ao filmar em grandes altitudes, Help dado, passei meu equipo para o grupo, câmera na mão, curso em andamento e Gustavo concluiria seu trabalho. O grupo de Gustavo Piancastelli, contava com cinco escaladores e entre eles o fotografo Marcelo Andre (O trabalho você confere aqui no site), os biólogos Breno e Popó e o Engenheiro e Professor Luiz Claudio. Gustavo apresenta o programa Horizonte Aberto na TV Horizonte que em BH pega nos canais 19UHF, 22Net e 24Way.

Atila Barros - Campo Base

Depois de uma longa caminhada até o acampamento base, e alguns contra tempos por conta do mal de altitude que afetou dois dos nossos membros de equipe, chegamos à base no lago Chiar Khota. Marcio e Geni Lobato estavam muito debilitados não comiam e sentiam fortes dores de cabeça e enjôo.

No dia seguinte depois de uma longa e fria noite, Marcio e Geni decidem ir embora, a situação dos dois piorou e logo acionamos um carro resgate que estaria a duas horas de caminhada do acampamento base. Eu, Cristiano e Marco ficamos para treinar e aclimatar um pouco mais.

O (pequeno) Alpamayo boliviano fica localizado na Cordilheira Real, que é a cadeia de montanha oriental deste país, erguendo-se entre o altiplano e a baixada amazônica. É uma região formada por montanhas não vulcânicas, ou seja, são montanhas dobradas, falhadas e soerguidas, muitas das quais tem altitudes superiores à 6.000 metros, como o Illimani, Ancohuna, Illampu, Huayna Potosi, Chachacomani e Chearoko.

Glaciar subida para o Alpamayo

Dentro da Cordilheira Real, o Pequeno Alpamayo fica localizado no grupo Condoriri, que são montanhas de baixa altitude (para os padrões bolivianos!) muito delas rochosas, porém circulada por geleiras, que faz que alguns cumes desta região sejam de grande dificuldade para a escalada.

Escolhemos escalar no grupo Condoriri pela facilidade de acesso e pelo conforto do acampamento base, que fica ao lado do lago Chiar Khota, num lugar muito agradável com gramado e bem protegido do vento, embora numa altitude de 4600 metros. O acesso ao acampamento base se faz por Tuni, que é um vilarejo de índios Aymará ao lado de uma represa que abastece La Paz de água. São apenas 10 quilômetros que separa a vila do acampamento, uma distância curta para o montanhismo.

Uma vez no acampamento base, fizemos uma caminhada de reconhecimento da rota para o Pequeno Alpamayo, que não é inteiramente avistado desde a base, pois ele fica atrás do Nevado Tarija. Nosso objetivo não era o cume, mais sim repassar as técnicas de escalada em gelo, já a equipe de Gustavo caminhou para o cume. Retornamos todos junto para La Paz e com a esperança de estar preparado para o Illimani.

Marcio no Limite.

Nossa chegada em La Paz não foi das mais fáceis, era dia da cidade, 17 de julho, logo feriado. Os moradores de La Paz nesta data fecham todas as entradas da cidade com passeatas e romarias. Demoramos cinco horas para chegar perto do hotel, de onde tivemos que sair do jipe e caminhar com todo equipamento no meio da multidão que se aglomerava na praça para ver o presidente Evo Morales.

Chegando em La Paz, encontramos Marcio e Geni ainda debilitados, o grupo desiste de ir ao Illimani e deixa a empreitada para um próximo ano. O grupo se divide. Geni Lobato vai fotografar na Amazônia Boliviana, pega um vôo para Beni e some na floresta por uma semana. Cristiano e Marco Felizardo resolvem ir ao Huayna Potosi, eu e Marcio com já estivemos nesta montanha seguimos caminhos diferentes. Marcio foi para o Salar de Uyuni (Maior deserto de sal do planeta) localizado no altiplano boliviano divisa com o Chile. (Ver matéria!) Eu fiquei em La Paz para tentar fazer a decida de Coroico, bike na estrada da morte junto com Gustavo, mais as agencias estavam lotadas e não conseguimos fazer a descida.

Mcaco de cheiro (Saimiri vanzolinii) - Foto Geni Lobato

Para não ficar sozinho em La Paz, já que o grupo de Gustavo também iria se dividir, comprei passagem para Beni e fui ao encontro de Geni Lobato na Floresta Amazônica. Fotografar e filmar a fauna da Amazônia era um desejo antigo, mais não estava nos meus planos, e porque não ir agora já que tinha tempo. Fiquei quatro dias no coração da floresta e fiz boas fotos.

Terminado os dias de separação, o grupo se reencontra em La Paz e tocamos para Copacabana.  Visita aos sítios arqueológicos na ilha do Sol, um belo passeio de barco no lago mais alto do mundo o Titicaca e pé na estrada. Novas metas traçadas e o destino agora seria o vulcão Misti, em Arequipa Peru com passada garantida em Cuzco e com destino final Nazca.

Huayna Potosi - Foto Atila Barros

Tenho uma paixão especial com a Bolívia, todos os anos digo que preciso ir mas para Argentina e conhecer outros picos nos tetos do 5000 MT, mais parece que algo sempre me arrasta para suas montanhas. Dessa vez ficou o Illimani atravessado na garganta e sei que acabo voltando em breve para tentar seu cume. Difícil dormir com esse barulho.

Diz à lenda que Pachamama aparece aos homens como uma velha e pequena senhora. Os estrangeiros que a vêem, segundo a lenda, jamais deixarão de retornar aos Andes. Acho que vi essa senhora em algum lugar de Calle de las Brujas.

Força sempre e boas escaladas!
Atila Barros

 

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