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15/05/2007 |
A calamidade que atingiu dois grupos de esportistas, em maio de 1996, foi descrita no best-seller No Ar Rarefeito, de Jon Krakauer. Agora, Kent Moore, um físico da Universidade de Toronto, no Canadá, descobriu que o título é mais correto do que se imaginava. E sugeriu que, no futuro, alpinistas que tentarem alcançar os maiores picos do mundo devem evitar a aventura em dias de ventos muito fortes.
Moore disse à revista New Scientist que acredita que os padrões meteorológicos do dia tenham levado a uma queda tão dramática da pressão atmosférica que, conseqüentemente, a estratosfera despencou sobre o topo da montanha de 8.848 metros, a mais alta da Terra. Normalmente, o pico fica no limite (um pouco abaixo) da divisão atmosférica entre a troposfera (abaixo) e a estratosfera (acima). Isso equivale a uma hipotética situação de fazer a montanha ''crescer'' 500 metros. Na altitude real do Everest, o ar no cume tem 14% de oxigênio, um terço do que se respira ao nível do mar.
Os acontecimentos daquele trágico 10 de maio foram analisados com base em
relatos de sobreviventes. Liderados pelo neozeolandês Scott Fischer, alguns
alpinistas subiram a montanha durante o dia (anterior) e atingiram o cume
numa tarde clara. Ao olhar para baixo, viram nuvens de tempestade, no corpo
da montanha, e decidiram descer rapidamente.
Fischer - que já tinha subido o Everest antes - começou a ter convulsões,
segundo Neal Beidleman, um dos dois experientes guias com o grupo. No fim da
tarde, no meio de ventos de 120 km/h, alguns alpinistas foram abandonados,
desorientados, nas altas encostas. Fischer e outros sete morreram. A
hipótese de Moore também realça o heroísmo do russo Anatoli Boukreev. Membro
fundamental da equipe de resgate, por várias vezes Boukreev subiu e desceu
as escarpas, carregando pessoas nas costas, até o acampamento, abaixo da
linha de 8 mil metros de altura.
Mais notável ainda é que o russo trabalhou no
resgate por mais de 12 horas sem oxigênio
engarrafado, no meio da tempestade, quando o ar
estava muito rarefeito.
Segundo Moore, a corrente de jato de vento acima de 120 km/h na encosta da
montanha arrastou um enorme volume de ar para cima, causando uma queda na
pressão do ar e deixando quase nenhum oxigênio disponível para os
alpinistas.
A descoberta foi reforçada por registros de uma estação meteorológica
instalada perto do pico em 1998 , quando houve uma corrente em jato
semelhante. A estação gravou uma queda de 16 millibars na pressão
atmosférica, o que significa que o índice normal estaria pelo menos 500
metros mais alto.
BBC














