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07/08/2008
Arequipa - Peru
Vulcão Misti,
Rafting no Rio Chili, Trekking em Colca,
Bungee-Jump e Escalada em Rocha no Cerro
Roca Blanca.
Atila Barros
Galeria de Fotos:
Expedição Andes
Bolívia - Peru
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Arequipa, cidade pra lá de doida! Tanta coisa para
fazer em pouco tempo, atividades para todos os
gostos e bolsos. Diferente das outras cidades que já
visitei no Peru, Arequipa tem um charme todo
especial, bem organizada, com lindas igrejas e
praças, um povo super receptivo e ótimos
restaurantes. Tirando o lado turístico que já é
ótimo, fica o lado aventura, que é muito louco.
Com a mesma formação que partiu do Brasil para
Bolívia, com a proposta de escalar o Illimani e
depois o que o tempo e o físico permitissem,
adotamos a idéia de dividir a equipe em duas partes.
Eu e Marcio Araujo iríamos atacar o Vulcão Misiti e
os irmãos Marco e Cristiano Felizardo junto com Geni
Lobato atacariam o Canyon de Colca. Ponteiros
acertados, equipes divididas, equipamento pronto,
tem inicio a corrida. O grupo de Geni Lobato partiu
as 01:00h, no meio da madruga, em direção aos Canyon
de Colca. Já eu e Marcio, dormimos um pouco mais e
às 12:00h partimos para a base do vulcão Misti.
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Para quem foi ao trekking no Canyon de Colca,
encontrou mais do que o esperado. Com mais
de três quilômetros desde o precipício até o
fundo do rio, um trekking duro fez o grupo
repensar nas suas próximas programações.
Este Canyon é um dos mais profundos do
mundo, lá se encontram construções
pitorescas terraplenada pré-incaica,
paisagens impressionantes e aldeias
indígenas amigáveis (Vilarejo de Chivay) com
camponeses vestidos tradicionalmente. |
Com um dia azul perfeito e temperatura favorável,
Geni conseguiu ótimas fotos dos famosos condores
peruanos (Vultur Gryphus) que voavam a poucos metros
de onde estavam.
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Para nós que fomos ao Misti vão ficar apenas as
lembranças do lugar. Para meu azar e de Marcio,
todos os nossos registros do vulcão foram perdidos.
Todo material feito no Misti foi furtado de nossas
Packcase em algum lugar no meio do caminho na volta
ao Brasil. Cabos de dados, carregadores de bateria e
todos os nossos dvd´s com as filmagens e fotos foram
perdidos. Só não perdemos mais porque a filmadora e
as máquinas fotográficas estavam nas mochilas de
ataque. |
Esse prejuízo não foi por falta de aviso, já tive
meu equipamento desviado em 2006, em La Paz, e vi
brasileiros perderem todos os seus documentos e
cartões de créditos no Potosí. Confiar em uma
Packcase não foi necessário para evitar problemas
com furtos.
Para quem quer se aventurar pelas montanhas de
Arequipa, o Misti é uma excelente escolha. A
montanha é um vulcão no formato de cone, localizado
no sudoeste do Peru, próximo de Arequipa. Com seus
5822 MT de altitude, o vulcão é um dos símbolos da
cidade, que é a segunda maior do Peru com mais de um
milhão de habitantes. No inverno (de Maio a
Setembro) é possível ver a bela paisagem do vulcão
com o topo nevado. Estudos geológicos indicam que o
Misti teve pelo menos cinco pequenas erupções no
século XX, mas a última grande erupção ocorreu em
1870.
Partindo de sua base, nos aproximados 2600 metros, é
necessário vencer o desnível de mais de 2000 MT em
seis horas até o acampamento base. Depois de uma
noite de descanso, mais seis horas até seu cume.
Existe a possibilidade de fazer o ataque ao cume em
um único dia, subindo bem cedo e leve. Enquanto
subíamos no primeiro dia encontramos três atletas
locais que estavam descendo do cume, atingiram a
marca de seis horas para subir e descer da montanha,
dando a nós uma pontinha de inveja, já que estávamos
com quatro litros de água cada um, fora equipo para
pernoite. A subida é dura, um passo para frente e
dois passos para trás, muito cascalho e cinza
vulcânica.
Para quem quiser fazer esta subida, é necessário um
guia experiente, é muito fácil se perder nas rotas
que levam ao cume. Na descida o perigo é outro. Há
risco de assalto nas regiões mais pobres e alguns
espertinhos já estão nas rotas dos perdidos do
Misti. Material de montanha é moeda corrente por lá,
então é bom saber por onde se vai sair da montanha.
Com sorte, sé é que pode se disser sorte, é possível
ver material roubado nas feiras livres próximo à
rodoviária. Nestas feiras também existem muitos
equipamentos novos fruto de contrabando. É possível
comprar agasalhos North Face, sapatilhas Five Ten e
botas Timberland a preço de banana.
O custo da subida à montanha, sem carregadores,
varia em media de 40 a 60 dólares, dependendo da
temporada. O equipo de montanha é por sua conta, mas
rola de alugar por lá. Não é necessário botas para
gelo, mas é legal se proteger, à noite as
temperaturas chegam a –15º. Arequipa possui varias
montanhas entre 3.900 MT e 6.400 MT, é só escolher
uma e ir. No mais, só indo lá para ver, é uma pena
não ter fotos nem registros desse local.
Roca Blanca.
Ainda em Arequipa tivemos a oportunidade de conhecer
o Cerro Roca Blanca. David, que é guia de escalada
no Peru e Argentina, após nossa descida, nos
convidou para conhecer o complexo de esporte de
aventura Roca Blanca, nos arredores da cidade. No
dia seguinte de nossa descida, logo pela manha, lá
estava David, com seu fiel escudeiro, o também
montanhista e taxista Jesus (Conhecemos Jesus em
nossa saída da montanha, ele fez nosso transporte
até o hotel).
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Às 09h30min já estávamos no carro partindo para o
complexo. Entrando no sitio, já dava para ver as
rochas brancas refletindo o sol, as mesmas que dão
nome ao lugar. Várias possibilidades à vista.
Enquanto David separava equipamento, eu e Marcio já
estávamos nas pedras catando as linhas mais doidas
em rochas que parecem esfarelar como farinha, mas só
parece. |
Alguns minutos destruindo os dedos nas rochas e logo
vemos nossos amigos sobre a ponte estabelecendo
pontos de ancoragem. O Rio Chili corta o sitio entre
as arvores deixando uma falha de 40 metros de
profundidade no terreno, o que da ao lugar um toque
de bosque canadense. Equipo montando e lá estávamos,
voando sobre o rio Chili. Uma queda muito doida,
Bungee-Jump nos Andes, nunca poderia imaginar estar
fazendo isso em uma viagem para escalar altas
montanhas. Surpresas assim fazem as viagens ficarem
melhor ainda.
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Roca Blanca é um lugar de grandes possibilidades,
paredes com 70 e 80 metros, infindáveis variações de
boulder e pequenas paredes para escalada esportiva.
Como o local é novo ainda não tenho um site para
passar ou contato para ir ao local, a dica é assim
que chegar em Arequipa, procurar nas agencias de
montanha pelo guia David, assim que esbarrar com
ele, diz que é nossa indicação! |
Rafting
Um dia antes da equipe se separar para atacar as
montanhas, descobrimos através dos agentes de viagem
Patrícia e Arturo que poderíamos fazer Rafting no
Rio Chili, isso se não nos importassemos com as
águas geladas do rio, já que só poderíamos ir ao
final da tarde. Para quem já esta acostumado a
congelar na montanha, a resposta não poderia ser
outra.Duas horas e trinta minutos de descida em
corredeiras de nível quatro com águas de congelar os
pés.
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Em alguns momentos é necessário sair do bote e
empurra-lo entre as pedras que não nos deixa
continuar, é nessa hora que os dedos ficam roxos. A
água tem temperatura media de 2 a 3 graus o que faz
pensar mesmo se é ali que você deveria estar. A
recompensa final é um mergulho no rio gelado e
subir, com os pés dormentes, o bote até a
caminhonete, tudo isso em troca de um bom mate
quente e chocolate. |
Com tanta coisa assim para fazer em Arequipa, fica
difícil medir os dias para ficar nesta linda cidade.
Localizada no sul do país, a 2300 metros de
altitude, Arequipa estende-se numa área de oásis
localizada num vale das montanhas desérticas da
cordilheira dos Andes, e rodeada por várias
montanhas, o que da a cidade um toque especial. A
cidade teria sido fundada no dia 15 de Agosto de
1540, pelo explorador espanhol, Francisco Pizarro,
no local de uma antiga cidade inca, sendo a data
ainda festejada pelas gentes locais. Outras datas
ficaram também na história da cidade, dada a sua
localização numa área sujeita a manifestações
sísmicas e vulcânicas, devido à pressão entre as
placas tectónicas da América Latina e do Oceano
Pacífico. Nos anos de 1687 e de 1868, ocorreram dois
terramotos, destruindo grande parte da área
construída da cidade, inclusive a Catedral e a
Igreja de S. Franscisco.
Em 2000, Arequipa foi inscrita na lista de cidades
Patrimônio Mundial, devido à arquitetura
ornamentada, sendo grande parte dos edifícios
construídos numa espécie de rocha vulcânica de cor
branca, designada de "sillar". A morfologia da
cidade é marcada pela Plaza de Armas, centro público
de convívio, onde se encontra a Igreja Catedral de
La Compañia, que constitui a área central do centro
histórico da cidade e que é considerada a mais bela
praça do país, revelando perfeita integração e
cruzamento cultural entre as características nativas
e o mundo europeu.
De referência são ainda alguns monumentos, como o
Convento de Santa Catalina, datado de 1580,
expandido no século XVII, onde cerca de 450 freiras
viveram isoladas do mundo exterior, e o convento
franciscano de La Recoleta, próximo do rio Chili,
datado de 1648 e que possui uma biblioteca com mais
de 20 000 livros, dos quais o mais antigo data de
1494.
Para os interessados em Arqueologia Andina, não
deixe de visitar o Museu Santuários Andinos. O museu
foi criado em 1996 . Sua principal atração é Juanita,
uma menina inca encontrada no cume do Vulcão Ampato
(6.380 MT), congelada há mais de 500 anos e em ótimo
estado de conservação. O corpo é mantido em uma
câmara de vidro com temperaturas baixas para
preservar a consistência de sua pele e órgãos.
Infelizmente Juanita passa cerca de três meses em
exposição, apenas, e outros três recolhida, para
estudos e conservação, sucessivamente. Durante esse
período, outros corpos incas semelhantes, e
igualmente interessantes, podem ser vistos, além de
diversos trabalhos incas em metais, cerâmicas e
têxteis.
Para saber como chegar à cidade, consulte textos e
dicas dos sites de viagem, existem inúmeras rotas
para chegar. Se estiver na Bolívia, a cidade de
Copacabana é porta de entrada para o Peru, lá é
fácil conseguir condução para Arequipa. Já para os
brasileiros que pretendem ir direto para o Peru, o
caminho mais perto é partir direto de Lima, são
dezoito horas de viagem de ônibus ou uma hora e
trinta de avião.
Força sempre e boas escaladas!
Atila Barros
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