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21/01/2008 Expedição Deserto do Atacama - Chile Diário de bordo por Geni Maria Peres Lobato Viagem realizada em Janeiro de 2007. |
Deserto do Atacama. Quando me falaram dessa viagem a primeira coisa que pensei foi: tem cada doido nesse mundo... Como disse um colega de trabalho, em alguns lugares não se vai a passeio: hospital, cadeia, deserto...
Imaginei uma região extremamente seca, com vegetação xerófila, rudimentar e reduzida, com um calor infernal e sem nenhuma beleza para se ver.
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Minha surpresa foi grande ao perceber que o Atacama não é nada disso. É uma descomunal mudança de paisagem. Havia uma miscelânea de sal, neve, solos áridos, lagunas, planícies, montanhas... |
Quando entrei no mais seco deserto do planeta, meu assombro não poderia ser maior. Da janela do carro, as paisagens avistadas eram de uma beleza desoladora. Tudo era castanho, quase imutável, talvez até triste, mas comovente, a sugerir a superfície lunar (que não conheço, mas imagino). A terra encontrava-se quebrada em pedaços devido à escassez de água. Dizem, aliás, que nunca chove no Deserto de Atacama. Mas custamos a acreditar, até porque chegamos a presenciar chuviscos, que, segundo soubemos, tratam-se de chuvas de gelo.
O Deserto do Atacama é um lugar no meio de dois mundos feitos de água. De um lago o Oceano Pacífico e de outro, atrás das Cordilheiras dos Andes, a grande planície alagada do Chaco, que se estende até o Pantanal.
É difícil crer que se trata do deserto mais seco do mundo quando vemos suas belíssimas lagoas de água verde ou turquesa, que se espalham ao redor da vila de San Pedro. Mas a maioria delas são resultado do degelo dos andes que corre subterrâneo sob o solo árido e aflora em lugares pouco prováveis.
Objetivando explorar o Deserto do Atacama, saímos de Belo Horizonte no dia 26 de dezembro, pernoitamos em Londrina e chegamos no início da tarde do dia 27 em Foz do Iguaçu. Realizamos uma rápida visita ao Paraguai, Ciudad del Leste, onde, no retorno, enfrentamos uma longa fila na Ponte da Amizade, sendo que pudemos verificar mercadorias lançadas pela mesma para não passar pela Receita Federal.
Dia 28 de dezembro de 2006 deixamos o Brasil. Depois de toda a papelada e burocracia de entrada na Argentina, fazer o câmbio (US$1,00=R$2,30= 3,05 pesos argentinos, sendo que para saber o preço do produto em real multiplicávamos o valor por 0,75), seguimos viagem até Resistência, aonde chegamos ao final da tarde, logo após cruzar a ponte sobre o Rio Paraná.
No dia 29 cruzamos o Chaco Argentino, chegando em San Salvador de Jujuy, capital de província que deixou excelentes impressões pela hospitalidade e cordialidade. Aliás, a Argentina ainda deixa saudades pelos preços baratos de restaurantes e táxi.
Aí iniciamos em um paredão e a estrada forma ali “Os Caracóis”. Foi aqui que comecei a sentir o chamado “mal da montanha”, uma sensação de tontura e enjôo...
Num dos pontos mais altos da subida, a 4.840 metros, fizemos toda a papelada e burocracia de saída da Argentina, para podermos cruzar a fronteira no Paso de Jama e entrar no Chile. Nesse local compramos chá de coca, a única coisa que fez com que eu me sentisse melhor.
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Logo depois da fronteira, uma imensa visão de cartão postal: o Grande Salar. |
No dia 30 de dezembro chegamos a San Pedro do Atacama, passamos pela Aduana, onde, na vistoria do carro, recolheram nossas folhas de coca. Foi me perguntado: “Quantos años tu tienes?” Detalhe que essa pergunta era feita para quem parecia ter menos de dezoito anos e deveria estar acompanhado dos pais ou responsável.
São Pedro do Atacama é um pequeno povoado que funciona como ponto dos turistas, muito bem estruturado, com boas pousadas e excelentes restaurantes. Estando lá se torna fácil de entender porque é chamado de oásis. Dista 40Km do majestoso vulcão Licancabur (5916m), onde eram realizadas cerimônias e depositadas oferendas incas.
San Pedro fica situada numa zona pintalgada de verde, envolvida pelo tal castanho, acima citado. As casas conferem um charme especial às ruas da localidade. O ritmo de vida é pacato, lento, preguiçoso, ideal para uns dias de pausa e descanso. É um daqueles pequenos locais onde, apesar das diferenças, um viajante se sente confortável, como que de férias durante a própria viagem. Todos são muito cordiais com os turistas.
O câmbio era de US$1,00 para 515 pesos chilenos. Para facilitar, determinamos que mil pesos equivaleriam a cinco reais.
Durante seis dias, fizemos visitas às regiões envolventes. O que me foi dado a observar era espantoso. Dias mergulhados nos caprichos com que a Natureza brindou Atacama.
O reveillon, entretanto, deixou a desejar. Pagamos 52 dólares, nos quais estariam incluídos uma garrafa de champanhe por mesa, bem como um prato de entrada, um prato principal e uma sobremesa. Porém não sabíamos que a cozinha encerrava à meia-noite, sendo que chegamos ao local às 23:40. Assim, no meu caso, por exemplo, fiquei sem nenhum dos pratos. Mas valeu pela companhia e pelas músicas... À meia noite alguns restaurantes e casas queimam um boneco chamado Mono (que é bem similar ao nosso Judas queimado na Semana Santa), que simboliza deixar para trás as coisas ruins do ano velho e desejar coisas boas no ano novo.
No dia 02 estava programada a ida à Laguna Legia, a 150Km de San Pedro de Atacama, que não pode ser realizada, eis que o acesso foi vetado pelo Exército, devido à neve. Fomos, então, à Pukara (fortaleza) de Quitor, ruínas de um assentamento do povo atacamenho, datada de 900 a.C, que serviram de proteção dos ataques incas por volta de 1.450 d.C, e dos ataques dos colonizadores espanhóis em 1535 d.C. São cerca de 200 estruturas separadas por vias de acesso, que seriam casas, praças, currais e espaços de uso comum. Novamente entrada de dois mil pesos.
Ainda no roteiro fomos ao Vale da Morte (derivação de Vale de Marte), arenoso e com esculturas naturais formadas pela ação do vento e do tempo nas dunas e nas rochas. Ali não existe nenhuma vida animal nem vegetal. Seguimos para o Vale da Lua, cuja entrada também foi de dois mil pesos.
Dizem que o nascer da lua é o maior espetáculo da região, mas não pudemos ver, devido às nuvens que encobriam o céu.
A um frio que nunca havia sentido na vida (-5°), os céus iluminavam os contornos montanhosos nevados: uma coloração que, acredito, não verei em nenhum outro lugar. A entrada para os Geysers foi de três mil e quinhentos pesos. Posteriormente, fomos ao Termas de Puritama, piscinas naturais de água clara e quente, que mesmo no frio ficam em torno dos 30º.
Para nós, a explicação foi dada em espanhol, pela esposa do astrônomo. O nascer da lua foi o mais bonito que presenciei em toda minha vida. Após observar as estrelas e a lua, nos reunimos para um papo (em francês – ficamos perdidos!!!) e um chocolate quente.
Após, fomos ao museu de San Pedro de Atacama, onde 380 mil peças evocam a saga dos atacamenhos. Aqui, por exemplo, estão algumas das múmias mais antigas do mundo, na verdade corpos enterrados e mumificados pelo ar seco do deserto. Quem guarda todo esse tesouro é uma antropóloga brasileira, Maria Antonieta Costa, diretora do museu, que há mais de vinte anos mora em San Pedro. Carioca, casou-se com um antropólogo, que foi convidado a morar no povoado. Caíram de amores pelo lugar e nunca mais saíram de lá.
Em ambos a entrada era de dois mil pesos, mas paguei a metade, por ser estudante. Só no último dia descobri que poderia ter pago como estudante em todos os passeios...
No fim, é difícil se convencer de que tudo o que se vê no Atacama não é miragem ou alucinação. Dizem que o clima seco de lá confunde a vista e os sentidos. Talvez seja isso...
A volta iniciou-se no dia 05, sendo que após passar pela papelada da Aduana, seguimos rumo à Salta, grande capital de província, onde chegamos no meio da tarde. Na Aduana divisa Chile/Argentina tivemos que “queimar” os pesos chilenos restantes. Nunca imaginei que gastar dinheiro fosse tão difícil. Ficamos em Salta até o dia 08, sendo que visitamos o Mercado Artesanal, Shopping e conhecemos o Cassino.
No dia 08, seguimos para Corrientes, onde jantamos em uma parilla (churrascaria), ao lado do Rio Paraná. A cidade é muito quente e entendemos o porquê de ser chamada de litoral. No dia seguinte, após compras de vinhos, seguimos para Puerto de Iguazu, chegando ao fim do dia. Ficamos em chalés, num local muito agradável, sendo que jantamos no restaurante de lá. Na manhã seguinte, pegamos um táxi e fomos para as Cataratas. A entrada para quem mora em países do Mercosul era de 18 pesos (R$13,50) e para estrangeiros 30. Compramos um pacote (90 pesos ou 30 dólares) “Gran Aventura”, em que pegamos um trenzinho até um local no qual entramos em um caminhão para passageiros e seguimos pela selva até o lugar em que havia um bote inflável que nos aguardava. Percorremos o Rio Iguazu até as Cataratas e aí foi uma aventura! O bote se aproximava ao máximo das quedas d’águas e nos molhamos todos... Eu estava de calça jeans... imagine... Após, seguimos a pé pelas passarelas e brincamos com lagartos e quatis. Fomos almoçar em uma parilla e no final da tarde seguimos para Foz do Iguaçu. A 100m da Aduana Argentina (onde cambiamos os pesos argentinos restantes em reais) havia um Free Shop, e, claro, fomos às compras... Havia uma loja de doces, bebidas... uma loucura! Fiz a festa e comprei um monte de bobagens para minha sobrinha.
No dia 11, na parte da manhã, fomos para o Paraguai... Que saudades de lá! Deixei de comprar tantas coisas... Precisamos ficar mais de uma hora na Receita Federal para declarar as compras. Após, seguimos para Foz, colocamos as malas no carro, que foi despachado para a carreta logo depois.
No dia 12 dormimos até tarde e nosso vôo saiu às 13h45min. Fizemos escala em Guarulhos, tendo chegado em Belo Horizonte às 17h40min.
Voltei para a vida real, na qual tenho meu trabalho, meus estudos... E volto a saber que dia é do mês e da semana (noção que perdi). Ficarão as lembranças das belas paisagens, da cordialidade do povo e das ótimas compras...
Geni
Maria Peres Lobato.
Fotos: arquivo pessoal Geni Lobato.
Força sempre!
Atila Barros

























