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André e Cristiano Felizardo Cume do Pico da Bandeira.

25/03/2008
Bandeira, aventura e diversão garantida no 3° maior pico do Brasil.
Cristiano Felizardo de Andrade


Tudo começou quando André, meu amigo da faculdade, me convidou para subir o Pico da Bandeira com um grupo do trabalho dele. Fiquei muito interessado, mas o grupo acabou desistindo. Era o começo de Julho, as provas finais tinham acabado de acabar e aquela história de subir no 3° maior pico do Brasil não me saia da cabeça. Em conversa com André decidimos que iríamos subir de qualquer maneira e começamos a procurar mais informações sobre o local e também interessados na aventura. Após uma semana de muita correria para compra de saco de dormir, pegar barracas emprestadas e reservar nossa vaga no Parque saímos de BH André, Carina (minha namorada) e eu, no sábado, dia 14 de julho de 2007, bem cedo, rumo ao Pico da Bandeira.

Geografia

O Parque Nacional do Caparaó localiza-se na divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, entre os paralelos 20o19’S e 20o37’S e os meridianos 41o43’W e 41o53’W (IBDF, 1981). Foi criado pelo Decreto Federal no. 50.646 de 24 de maio de 1961, o qual definia a área do Parque como aquela acima da cota dos 1.300 m. No entanto, devido à dificuldade prática de estabelecer estes limites em campo, o Decreto datado de 20 de novembro de 1997 veio redefini-los. A partir deste decreto, a área do Parque ficou estabelecida em cerca 31.800 ha, distribuídos pelos municípios mineiros de Alto Caparaó, Caparaó, Espera Feliz e Alto Jequitibá, além dos municípios capixabas de Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Ibitirama, Iúna e Irupi (IBAMA, 1996a). Setenta por cento da área do Parque está contida no Espírito Santo e apenas trinta por cento em Minas Gerais (IBAMA, 1995). O elemento mais importante que condiciona o tipo de vegetação, através da transformação do micro clima local, é a altitude. Nas altitudes mais baixas, entre os 800 m e 1.700 m, a vegetação é formada por Floresta Pluvial Montana. A partir dos 1.700 a 1.800 m, a floresta vai sendo substituída por campos de altitude e campos rupestres (sobre afloramentos rochosos) com incidência escassa de arbustos. Por fim, acima dos 2.400 m, predominam os campos incrustados entre os afloramentos rochosos (IBAMA, 1995; PLANAVE, 2000). Segundo a classificação de Köppen, o clima do Parque Nacional do Caparaó é do tipo Cwb, caracterizando-se por ser clima tropical de altitude, onde o relevo assume importância marcante na determinação das diferenças de temperatura na área. A temperatura média anual varia entre os 19° C e os 22° C, com a máxima absoluta atingindo os 36° C e a mínima absoluta os 4° C negativos nos picos mais altos do Parque (IBAMA, 1995; IEF/ TURMINAS/ IBAMA/ GTZ/ IGA, s/data1).

Deve-se reservar a estadia no Parque com no mínimo uma semana de antecedência, principalmente no mês de Julho no qual a procura é muito grande. Na semana de lua cheia a procura é ainda maior e deve-se reservar com mais antecedência ainda. Para isto basta ligar no (32) 3747-2555 e agendar seu passeio.

Localização

Para se chegar ao Parque Nacional do Caparaó saindo de Belo Horizonte se pega a BR 262 sentido Vitória até Manhuaçu por 277 quilômetros onde se pode almoçar no restaurante Picanha na Brasa uma carne cozida muito boa e barata. A refeição para uma pessoa serviu a nós três muito bem. Logo depois de Manhuaçu deve-se virar a direita em direção a Manhumirim na MG 111 e seguir por mais 25 km até a saída para Alto Jequitibá à esquerda e mais 14 km chega-se em Alto Caparão onde se localiza a entrada do Parque. Daí, são mais 6 km de estrada de terra até o último ponto que se chega de carro que é a Tronqueira. Consiste em área de acampamento com cerca 1000m2, a qual conta com facilidades como sanitários, chuveiros, lava-pratos, tanques, lixeiras, mesas e bancos. Há também um mirante no local, do qual pode-se avistar as cidades de Alto Caparaó e Manhumirim, além de outras cidades próximas. Existe área para estacionamento com vagas não delimitadas que comporta cerca 50 automóveis. Nesta área há dois quiosques e duas bicas de água corrente.

Já eram mais de 2 da tarde e decidimos subir até o Terreirão, mochila nas costas e quase 3 horas de caminhada com várias paradas para fotos, descansar e se hidratar. No Terreirão trocamos a nossa roupa suada para não congelarmos, pois já começava a fazer muito frio ao anoitecer. Armamos as nossas barracas e fomos conhecer a casa de pedra, os destroços do avião e preparar a nossa janta.

Depois de miojo com batatas, presunto, queijo e muito chocolate para repor as energias, deitamos e o frio não dava trégua, essa noite foi uma das mais difíceis para se dormir. Nossa barraca não era apropriada, saco de dormir também não, só o do André que era um 0° C. Bom, acordamos às 3 da madrugada com muita preguiça, sono e frio, pois os termômetros marcavam -3°C, mas nos levantamos, preparamos e as coisas e seguimos um grupo logo na nossa frente. Quase todos já tinham saído e só um grupo ainda estava no acampamento se preparando para subir.

Ao alcançarmos o grupo da frente descobrimos que eles tinham errado a saída e estavam voltando. Todo o caminho para o pico é bem sinalizado com setas amarelas pintadas nas pedras no chão e pode ser facilmente seguido sem guias, mesmo à noite. Acontece que nos esquecemos de olhar como se saía do acampamento enquanto era de dia e voltamos perdidos para o acampamento. O último grupo que havia ficado já podia ser visto subindo a serra e o grupo que resolvemos acompanhar voltou e decidiu seguir por outro caminho, não o tradicional. O desespero começou a bater e começamos a gritar perguntando como se saía de lá e um grupo de 3 paulistas que estavam dormindo e iam subir o Pico do Cristal durante o dia acordou e alguém dentro da barraca nos disse as palavras que salvaram a nossa noite:

- É só seguir a árvore grande!
 Lá fomos nós e vimos a primeira seta amarela no chão. Foi uma explosão de alegria:
- Linha amarela! Linha amarela!

Amanhecer no Pico da Bandeira.

E apertamos o passo em direção ao último grupo, pois já estávamos atrasados para ver o sol nascer. Pouco tempo depois chegamos ao bendito grupo e nosso ânimo só aumentou. A subida para o Pico é mais cansativa e além do mais já tínhamos caminhado 4,5 km há poucas horas e com mochilas pesadas nas costas. Enquanto André disparava na frente com medo de perder o nascer do astro rei, Carina e eu mantínhamos um ritmo mais lento e com muitas paradas, pois Cacá estava praticamente exausta.

O dia começava a clarear e já podíamos ver o cume logo ali na frente. Foram os metros mais difíceis dos quais destaco a superação e a força de vontade da Carina que, mesmo sem fôlego, tirou forças para vencer o pico e chegarmos lá.

André no Cume do Bandeira.

Foi um momento marcante, muito frio, cansaço, mas uma alegria imensa por estar lá. Ficamos uma hora descansando e apreciando a vista, natureza e a harmonia do local antes de descermos. Apesar de na descida ter o perigo de se torcer o pé, não se cansa muito e chegamos relativamente descansados ao Terreirão. Já era hora de trocar a roupa suada e preparar a descida. Tomamos um lanche reforçado e levantamos acampamento e fomos descendo mais 4,5 km, agora de novo com as mochilas pesadas.

Já eram 18 km caminhados em menos de 24 horas, e estávamos todos exaustos. Demoramos praticamente o mesmo tempo descendo do que subindo, mas finalmente chegamos ao carro para a volta a BH. Na estrada André apagou e Carina só não dormiu para me acompanhar na viagem. Chegamos assim em casa, acabados, mas felizes!

 “os cumes das montanhas pertencem ao senhor” – Salmos 94,4
Mais informações visite: www.ibama.gov.br

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