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La Cumbre, a estrada mais perigosa do mundo! Death Road.
Atila Barros

Depois de passar um tempo nas montanhas Bolivianas, era hora de sanar uma divida de anos em La Paz, hora de encarar o downhill mais perigoso do mundo, a Death Road, Estrada de La Muerte, ou como você quiser chamá-la. Para esta empreitada contei com meu mais novo companheiro de furadas, Raman Reis.

A idéia era simples, quitar a divida e provar para nós mesmos que de perigosa só tinha o nome, e que era possível fazer a descida de velocípede.

Escolhemos uma entre as inúmeras agências que fazem esse passeio, optando por bons preços e é claro, a que nos desse a camisa mais legal. (Que idiota!).

Andando um pouco e entramos na Xtreme Downhill (www.xtremedownhill.com). Preço legal, boas bicicletas e a camiseta mais legal de todas.

Depois de experimentar as roupas de proteção (jaqueta e calça), era a vez de escolher nossas bicicletas (modelos até para os pilotos de caças americanos), escolhemos a que mais se parecia com uma bicicleta de carteiro. Nada de frescura, só duas rodas já bastava. No equipo de segurança só o capacete, e isso porque era obrigatório.

Conta à lenda que o Banco Interamericano de Desenvolvimento elegeu a estrada de La Cumbre para Coroico a mais perigosa do mundo em 1995. Não há guard rail e os abismos despencam mais de três mil metros. A mão é invertida, o que significa descer do lado do abismo, enquanto caminhões sobem pelo lado do barranco. Há cruzes em quase todas as curvas, marcando lugares onde caminhões e outros veículos despencaram dessa para melhor.

A rodovia da morte liga La Paz à região de Los Yungas, passando pela cidade de Coroico. O inicio da estrada começa perto de La Paz a 4.700 metros de altitude, cercada de montanhas nevadas e ventos fortes de gelar a ponta dos dedos. Uma longa descida de horas leva a uma zona mais temperada (Valle de Zongo, em Aymara – Portal do Calor, entrada do calor). Durante o percurso a temperatura vai subindo e as montanhas rochosas vão dando lugar a uma densa floresta.

A estrada termina em Coroico a 1100 metros, bem no meio da floresta boliviana. Essa estrada que tem mais ou menos 40 quilômetros de extensão foi construída na década de 1930, durante a Guerra do Chaco. O resultado da empreitada foi uma estrada estreita de terra com muitas pedras soltas, curvas fechadas, com um paredão de rocha à direita e um abismo a esquerda, que em alguns trechos chega a 900 metros de altura. Durante todos esses anos ela serviu como via de ligação entre La Paz e a cidade de Coroico, porém no inicio de 2007 essa estrada foi transformada em uma via quase que exclusiva para bicicletas e carros de apoio, após a inauguração da estrada nova. Agora paga-se uma entrada de 24 bolivianos (pouco mais de três dólares) para circular por suas curvas.

Depois de muitas curvas e ver pessoas desistindo de ir até o final da estrada, chegamos ao fim de nossa divertida descida após duas quedas. Alguns arranhões e algumas luxações, devido à condição nada católicas de nossas bicicletas (um pneu furado, correntes soltas, e freios falhando), só fizeram nossa descida ficar mais divertida. Enquanto alguns, sentados em um bar, só reclamavam no fim da viagem, eu e Raman, bebendo uma cerveja bem gelada, só  pensávamos em fazer a descida novamente.

O downhill mais perigoso do mundo como é chamado, não deve ser feito por pessoas que não estão acostumadas a andar de bicicleta. A maioria das pessoas que desiste da descida ou se machuca seriamente são os mesmo “turistinhas” do tipo “HUHU! RADICAL”, e o pior de tudo é um destes acabar com seu divertimento tentando bancar o “Born”, “to be wild” das Bikes.

Encontramos um brasileiro em Santa Cruz na nossa volta ao Brasil que reclamava justamente disso. Ele nos contava que ficou desacordado por alguns minutos depois de uma queda forte causada por um camarada brasileiro, que vinha apostando corrida com seu amiguinho, forçando todo mundo a sair da frente. Tivemos sorte, o grupo com o qual fizemos a descida só tinha gente boa!

Fizemos o downhill da forma mais simples para nos divertimos, e testar a estrada, mas isso não é conselho, muito menos um exemplo a ser seguido. Antes de procurar uma aventura tente imaginar os resultados da mesma, positivos e negativos. Procure uma agência séria que te dê o mínimo de condição de resgate e suporte técnico.

Pode ser a estrada da morte para uns, ou a maior aventura radical para outros. Eu prefiro dizer que é uma das melhores diversões da Bolívia!

Força sempre e boas pedaladas!
Atila Barros


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