![]() |
24/09/2004 |
STAVANGER, Noruega (Reuters) - O mar de Barents, no Ártico, está
ameaçado pelo excesso de pesca, pela exploração de gás e de petróleo e pelo
lixo radioativo da época soviética, disse na terça-feira o Programa
Ambiental da ONU.
A entidade fez um apelo para que sejam adotadas novas regras para
proteger os frágeis ecossistemas marinhos ao norte da Rússia e da Noruega.
Entre as ameaças estão espécies invasoras trazidas de outras regiões por
navios que descarregam tanques de lastro.
A pesca predatória, incluindo do bacalhau e do hadoque, "é o problema
mais alarmante da região," de acordo com um relatório do Programa
Ambiental divulgado numa conferência internacional sobre petróleo em
Stavanger, no oeste da Noruega.
O estudo, elaborado com a ajuda de cientistas russos e noruegueses, diz
que a poluição é a segunda grande preocupação para a região, apesar de
o mar de Barents ainda ser mais limpo que outros mares europeus.
A pesquisa apontou uma grande variedade de perigos associados à
"expansão de indústrias de petróleo e gás na região".
"As crescentes atividades de exploração de petróleo no mar de
Barents, os desenvolvimentos em alto-mar e o transporte de petróleo e gás ao
longo das costas representam ameaças potenciais a esse ecossistema
vulnerável do Ártico", disse o chefe do Programa Ambiental, Klaus Toepfer.
Tanto a Rússia quanto a Noruega pretendem explorar petróleo e gás na
região, incluindo a reserva Snoehvit, próxima à costa norueguesa, que
deve começar a produzir gás natural em 2006, e a reserva de gás
Shtokman, perto da costa russa.
O relatório estimou que essa exploração eleve o transporte de petróleo
para 40 milhões de toneladas até o ano de 2020, aumentando em seis
vezes a pressão sobre as rotas marítima no norte.
A Rússia e a Noruega são grandes exportadores de petróleo.
Ambientalistas exigem mais atenção na proteção das espécies que vivem
no mar de Barents -- de pássaros a focas e baleias.
A elevação nos preços do petróleo este ano faz da região ainda mais
atrativa à exploração. O relatório sugeriu o "desenvolvimento de planos de
segurança para evitar derramamentos acidentais de petróleo e planos de
contingência para responder a acidentes".
O documento também pede esforços de longo prazo para eliminar o lixo
nuclear em torno da cidade russa de Murmansk, que reúne "mais lixo
radioativo que qualquer outra região do mundo."
As espécies invasoras são outra grande preocupação no ecossistema do
mar de Barents, tanto as trazidas pela água de lastros de navio como uma
espécie de caranguejo do Pacífico levado para a região por um esquema
da época stalinista para fornecer um novo tipo de alimento.
Por Inger Sethov














