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Via localizada à esquerda do paredão M2 afronta e desrespeita à comunidade montanhista.

 


Em fevereiro/2002 foi realizado no Parque Nacional da Tijuca um Seminário de Mínimo Impacto em Parede, primeiro da história do montanhismo em nosso país. Como modelo de estudo de impacto, foi escolhido para este seminário o bairro da Urca no RJ, por possuir a maior concentração de escaladas do Brasil, conseqüentemente, um dos locais mais vulneráveis.
 
Este evento foi divulgado durante meses nas listas da internet, nos principais pontos de escaladas do RJ, nos clubes e escolas de escalada. A importância deste encontro foi de tal ordem, que compareceram inúmeros montanhistas daqui e de outros Estados, cuja repercussão ecoa até hoje, servindo de exemplo e modelo para outras atividades congêneres. A idéia de mínimo impacto não era nova. Desde 1999, quando da formação da Interclubes que resultou mais tarde na FEMERJ, que se discutia a importância de um comportamento coerente e adequado com relação ao meio ambiente natural. Em razão disso, nesta mesma época (1999) foi proposto um acordo entre todas as entidades e montanhistas que no Morro da Babilônia, devido ao grande número de vias lá existentes, não mais seriam realizadas novas conquistas.
 
Durante o Seminário de Mínimo Impacto a comunidade corroborou este acordo de 1999, onde mais uma vez os clubes, escolas de escalada e montanhistas profissionais se comprometeram a respeitar esta conformidade. No entanto, na semana que antecedeu o Seminário, Rafael Wojcik e o Rogério de Oliveira (Pica-Pau), numa atitude de afronta e desrespeito à comunidade montanhista - já que o Rafael fazia parte da lista de discussão da FEMERJ na internet onde este acordo de "não conquistar" já havia sido amplamente divulgado - ambos foram lá no Babilônia e conquistaram uma via "colada" (à esquerda) ao Paredão M2. Naquela mesma semana (durante a conquista), inúmeros escaladores e diretores da FEMERJ entraram em contato pessoal e pediram para que eles interrompessem a escalada e participassem do Seminário. O próprio presidente da FEMERJ, Bernardo Collares, entrou em contato telefônico com o Rafael. Mas, o egoísmo falou mais alto. Não só não interromperam a conquista, como não apareceram no evento. Tal comportamento individualista e anti-social causou repúdio na comunidade montanhista. Foram solicitados inúmeras vezes para que desequipassem a via, buscando resgatar o compromisso ético assumido pelos montanhistas. Mas, estes dois indivíduos não deram importância aos apelos e mantém lá até hoje a via. Exemplo magno de quem despreza o consenso ético. Como resultado disso, esta via é condenada pela FEMERJ e pela quase totalidade dos montanhistas. Na primeira reunião desta federação logo após o seminário, todas as entidades que compõe a FEMERJ decidiram boicotar a via e divulgar ao máximo este repúdio. Nem no competentíssimo Guia da Urca essa via é citada, justamente por conta destes fatos.
Mas o número de novos montanhistas cresce a cada dia em ritmo acelerado. Muitos destes ainda não conhecem esta história e, inadvertidamente, podem acidentalmente acabar freqüentando a via. Por isso mesmo é importante a divulgação sistemática deste fato para servir de alerta, não só para informar como também como exemplo às novas gerações de escaladores. Alguns montanhistas ficam na história pelos seus feitos, outros pelos seus desfeitos. Estes serão lembrados como exemplos de péssima conduta desrespeito aos princípios éticos mais elementares de nosso esporte.

FEMERJ (CEB, CEF, CERJ, CEC, CEL, CEP, GEAN, CEG, CET e AGUIPERJ)
Mais informações: www.femerj.org

Força sempre!
Atila Barros

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