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Glaciar Perito Moreno

11/02/2008
Calafate
Parque Nacional Los Glaciares
Atila Barros


                                                 Fotos: Expedição Patagônia - 2008

O Parque Nacional Los Glaciares, nos confins da Patagônia argentina, protege 600.000 hectares de florestas subantárcticas, espécies animais em vias de extinção, centenas de glaciares e alguns dos mais belos cumes andinos.

O Parque Nacional los Glaciares localiza-se na província de Santa Cruz, Argentina, e compreende uma superfície de 7.240 km², sendo o segundo maior do país. Este parque nacional argentino foi criado em 1937, invocando o seu nome os glaciares que existem na área compreendida pelo parque (os maiores do mundo exceptuando os da Antártida).

O parque é limitado a oeste pela fronteira chileno-argentina entre os paralelos 49º 15´ e 50º 50´ Sul (desde o Cerro Chaltén até ao Cerro Stokes) abarcando parte do Campos de Gelo Sul e todos os glaciares que descem destes até ao lado oriental.

O Lago Argentino localiza-se também no parque e nas suas margens encontram-se os glaciares. O glaciar mais conhecido é o Perito Moreno, mas nas proximidades encontram-se outros como o Spegazzini, Upsala, ou Onelli. Da sua fauna destacam-se o condor, o puma, o huemul (cervo andino), o guanaco, o nandu-de-darwin, o culpeo e o touro selvagem.

Em termos de flora encontram-se árvores da família Nothofagus como a lenga, o ñire e o coihue e também coníferas como o cipreste-da-patagónia, sendo importante também a presença de um arbusto de frutos saborosos o berberis buxifolia. Foto: Falco femoralis

A zona oriental do parque é majoritariamente estepe onde predominam o neneo, o coirón, a llareta e la jara.

Acesso ao Glaciares

As cinco horas que separam a cidade de Rio Gallegos de Calafate, ponto de acesso ao Parque, são uma sucessão de arbustos espinhosos e tufos amarelos de estepe, em colinas suaves que alternam com planícies imensas. A estrada, interminavelmente reta, passa junto à entrada de várias quintas latifundiárias e invisíveis, das montanhas nem sombra e imaginar glaciares imensos numa paisagem desértica como esta requer.

Calafate

Calafate - Frutinha que deu nome a Cidade.

El Calafate é uma pequena cidade localizada na Província de Santa Cruz, Argentina próxima a fronteira com o Chile com aproximadamente 5.500 habitantes, distante cerca de 270 Km da capital provincial: Rio Gallegos.

É a cidade mais próxima ao Parque Nacional de Los Glaciares, cerca de 80 Km, onde localiza-se a maior geleira em extensão horizontal do mundo: Glaciar Perito Moreno que encontra-se constantemente em evolução com diminuição de sua área devido ao aquecimento global.Também próxima de outra importante geleira: Glaciar Upsalla.

Glaciar Upsalla

Calafate é uma das povoações mais turísticas da Argentina. As suas ruas são um contínuo de restaurantes, lojas de lembrancinhas, hotéis e agências de viagem. Se nos afastarmos do centro, encontramos mais pensões, campismos, o Albergue da Juventude e o terminal de ônibus.

Para quem pensa em só dar uma passadinha na cidade, a um acordo entre as agencias de turismo: os ônibus para as duas áreas do Parque só saem de manhã, para que os visitantes sejam obrigados a passar pelo menos uma noite em Calafate; as agências de viagem praticam todas os mesmos preços para a área Perito Moreno e para a área Chaltén.

glaciar Onelli

Milhares de forasteiros chegam todos os anos para ver aquilo que, juntamente com as cataratas de Iguaçu, é considerado o maior atrativo natural do país e uma das maravilhas da América do Sul: o glaciar Perito Moreno.

Chaltén acolhe os viajantes menos sedentários e serve de ponto de partida para uma das Mecas do alpinismo e do trekking: o maciço de Fitzroy, que abrange o monte do mesmo nome e o não menos famoso Cerro Torre.

Glaciar Perito Moreno.

A área Perito Moreno é a mais acessível e, por isso mesmo, a mais freqüentada do Parque: mais de uma dezena de ônibus percorre diariamente os 80 kms que separam Calafate do Brazo Rico, levando centenas de visitantes até junto do enorme glaciar - e é só descer uns degraus até aos varandins de madeira que servem de "miradouro" sobre o canal de Los Témpanos. Mas nem por isso se aligeira a profunda impressão que causa chegar perto de uma massa de neve com 4 kms de frente e 60 metros de altura. Para mais, o Perito possui um espetáculo de “luz e som” permanente, com autênticos tiros de canhão que antecedem o despenhar de enormes blocos de gelo e aquele mau tempo irritante que cobre, descobre e muda a cor do gelo de branco opaco para azul irreal.

Com uma área de 195 kms quadrados, este glaciar é apenas o mais conhecido dos cerca de trezentos que se desprendem dos 14.000 kms quadrados de Gelo Continental Patagônio, dividido entre a Argentina e o Chile.

O que o torna tão especial é ser dos raros, a nível do planeta, que continua a avançar: em 1900, a Península de Magalhães, onde chegam os ônibus de Calafate, encontrava-se a cerca de um quilometro da parede de gelo; em 1914 estava a cem metros; em 1917, pela primeira vez e daí em diante todos os quatro anos, o glaciar encosta à Península e forma um dique que acaba por rebentar com estrondo, quando as águas do Brazo Rico conseguem atingir pressão suficiente para atingir de novo o lago Argentino. Ultimamente, o fenômeno de aquecimento global a que estamos sujeitos acabou com a regularidade do fenômeno, mas as lendárias tempestades de neve andinas parecem continuar a produzir neve suficiente para que a acumulação de gelo não se interrompa.

Seguindo os "carreiros" protegidos que acompanham quase toda a frente do glaciar, descobrem-se formas e detalhes verdadeiramente impressionantes: o gelo molda-se em figuras, formando animais, túneis, arcos góticos de catedral e picos aguçados que recriam a cordilheira de onde desce.

De certos ângulos parece um castelo de fadas, de ameias pontiagudas e assente sobre a água. O azul gélido contrasta com o negro queimado das montanhas e só na margem de cá, na Península de Magalhães, é possível ver alguma vegetação. Os pedaços que se vão soltando com estrondo atiram salpicos gelados para terra e dividem-se em centenas de ilhotas, como um atol congelado.

Los Glaciares - Patrimônio da Unesco.
Glaciar Perito Moreno, Parque Nacional Los Glaciares

Foi preciso esperar até ao séc. XIX para que os europeus descobrissem esta maravilha da natureza, Patrimônio da UNESCO desde 1981; isto apesar da expedição de Magalhães ter deixado na Patagônia os primeiros colonos em 1520 e missionários penetrarem na zona no séc. XVIII.

O explorador Francisco Perito Moreno, cujo nome ficou associado a este glaciar, foi um dos pioneiros da idéia de Parque ou Reserva Natural e a Argentina foi o primeiro país da América do Sul a possuir todo um sistema de zonas protegidas a nível nacional.

Hoje em dia, o turismo, atraído pelas belezas naturais da província patagônia de Santa Cruz, rivaliza no sustento da economia com os sete milhões de ovelhas das estâncias sem fim que vemos da estrada. É que em muito poucos outros lugares da Terra se encontra tal concentração de natureza, acessível e ao mesmo tempo selvagem, como no Parque andino de Los Glaciares.

Fotos: Expedição Patagonia - 2008 - Argentina - Ushuaia - Calafate - Glaciares

Força sempre e boas escaladas!
Atila Barros

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