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01/05/2003 |
"Um estudante que gosta de fazer trilhas
e escalar montanhas é igual a um aposentado
que gosta de ouvir jazz e colecionar vinis,
que é igual a uma empresária que gosta de
moda e gastronomia. Todos gostam, e muito, a
ponto de reunir outros que têm o mesmo
interesse ou paixão ou fixação ou loucura e
formar um clube. Sem piscina ou quadra de
esporte, mas com diversão e prazer de sobra".
Caso do Clube da Moda, que desde 2000 reúne, uma vez por mês, cerca de 40 mulheres no restaurante Torninha, em Icaraí. No início, era um clube de mulheres que se juntavam para fumar charutos. Hoje, a moda passou a ser o mote. É clube da Luluzinha assumido: homem não entra, a não ser como convidado do mês.
— Fazemos uma espécie de talk-show, entrevistando um convidado que é sempre um homem, ligado à moda e à cultura da cidade — diz a presidente, a consultora de moda e estilista Cacau Dias.
O entrevistado deste mês, amanhã, às 20h, é o designer de jóias e bijuterias Sandro Moraes, que já fez trabalhos para novelas da Rede Globo e criou a fantasia banhada a ouro usada pela modelo Quitéria no carnaval deste ano na Império Serrano. Quitéria, aliás, também vai participar, desfilando os trabalhos que Sandro vai criar na hora.
“Hot club” em São Francisco, clube de montanhismo na Tiririca
Já o hot club — como são conhecidos no mundo inteiro os clubes de amantes do jazz — de Niterói tem cerca de 20 participantes, que desde janeiro de 1997 se reúnem toda quarta-feira, às 21h, na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), em São Francisco. Levam vinis e CDs para ouvir e fazem debates (abertos ao público) sobre temas como ladies crooners , a bateria no jazz ou a música de Henry Mancini. Esta semana o assunto são as orquestras.
— Está vendo esse vinil aqui? É de maio de 1963. Esse é recente — diz o integrante João Motta, ao mostrar um vinil de dez polegadas e a dimensão do acervo do grupo. — Nós fazemos pesquisa musical e caçamos essas coisas todas.
Dá para ver o resultado da caça na coleção de Luiz Carlos Antunes, o Lula, presidente do clube: 11 mil títulos, ocupando um quarto inteiro.
— Tenho gravações de 1908, por exemplo. Comecei a colecioná-las em 1945. Se não fosse a música, acho que eu já tinha morrido — diz.
O Clube Niteroiense de Montanhismo (CNM) começou ao contrário. Explica-se: em vez de uma conversa informal de um grupo de amigos que termina num clube oficial, o início do CNM foi a reunião de pessoas que tinham acabado de se conhecer, pela internet, e que, com o clube, tornaram-se amigas.
— Numa lista de discussão online da Federação de Montanhismo do Estado do Rio, começamos a perguntar se alguém era de algum clube de Niterói, e descobrimos que não havia nenhum do tipo na cidade. Resolvemos criá-lo — conta o presidente, Gustavo Muniz.
Fundado em março de 2003 e atualmente com cerca de 30 integrantes, o CNM organiza caminhadas e escaladas por vários pontos da Serra da Tiririca, além de passeios em outras cidades.
— Nosso objetivo não é nos profissionalizarmos, é fazer tais passeios e eventos por amor mesmo — diz Alan Marra, outro integrante e que participou da catalogação das cerca de 60 vias de escalada do Parque Estadual da Serra da Tiririca.
Na Praia de Charitas, a vez é dos jipes. Quase 200, que aparecem toda terça-feira, às 20h, nas reuniões do Niterói Jeep Club.
— O clube começou há 13 anos, com seis amigos que tinham jipe e gostavam do esporte. Eles botavam papéis informativos nos vidros de outros jipes que encontravam pelas ruas da cidade, e assim foram formando o grupo — conta Cláudio Samel, um dos integrantes.
Outro clube que reúne automóveis é o Nictheroy Clube de Veículos Antigos, fundado em 1986 e hoje com cerca de 50 sócios e mais de 200 carros. No próximo dia 30, o clube organiza o 2 Encontro de Carros Antigos e Raros, no Horto, com a exposição de cerca de 400 modelos.
— Nosso carro mais antigo, a mascote, é um Ford Bigode de 1919 — diz o presidente, Dilson Redinger. — É uma paixão, é graxa que temos na veia. Tem maluco para tudo.
Matéria
- Jornal O Globo
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Atila Barros














