01/06/2003
Rio
de Janeiro, Cidade desespero.
Atila Barros
Um Estado entregue por
completo a criminalidade, onde sair de casa se tornou
uma roleta russa, nunca se sabe quando e como se retorna
para o lar; sem sua carteira ou sem a vida.
Esta realidade vem assolando os dias de muitos cariocas,
que de moradores passaram a reféns de seus lares.
Seria normal escutar alguém comentando sobre roubo
de carro ou imóvel, mais equipamento de escalada?
para muitos isso deixou de ser uma noticia nova.
A cada dia aumenta a incidência de assaltos a montanhistas
e excursionistas que pelas montanhas da cidade maravilhosa
se arriscam. Nota-se que a grupos especializados em
furtos deste tipo de material, mesmo com a vigilância
constante de policias e seguranças em determinados
setores de floresta do Rio, a pratica do furto de
material continua impune. Mochilas, maquinas fotográficas,
tênis e dinheiro são os preferidos por essa nova gama
de assaltantes.
" Minha amiga Denise foi com o irmão, namorada
do irmão e mais um casal na Pedra Bonita ontem a tarde.
Quando eles estavam chegando na pedra encontraram
2 caras de 18 a 20 anos sentados perto da saída da
trilha por volta de 14:30h.
Eles ficaram por lá até umas 17:30h quando resolveram
descer pois estava muito frio. Após 10 min descendo
a trilha, foram abordados pelos 2 caras que puseram
a arma da cabeça da namorada do irmão da Denise e
diziam para passarem tudo que eles tinham, senão eles
estourariam a cabeça de todos. Foi uma cena de terror!!!
Levaram celulares, máquina fotográfica, carteiras
e as mochilas de todos com documentos e chave do carro.
Quando terminaram de "limpar" todos, mandaram que
subissem correndo sem olhar para trás.
Tinha um grupo de umas 15 pessoas na Pedra Bonita
que desceu com eles por outro caminho 2 horas mais
tarde, com medo de serem abordados novamente pelos
marginais.
É isso... O Rio de Janeiro continua lindo mas... o
que vamos fazer com essa maravilha toda sem segurança???"
26 de maio de 2003
Esta narrativa pertence a Sol Dias montanhista
e Guia de Montanha, outros casos como este ocorreram
no mesmo mês de Maio:
" Ontem na saída
da rodoviária Novo Rio por volta de 21:00 hs vindo
de Teresópolis depois da Travessia, eu e Marcio Dingão fomos
seguidos e assaltados e só não perdemos tudo
por termos reagido e fugido até um ponto
de ônibus próximo, onde coagidos pelo numero grande
de pessoas no ponto os marginais desistiram do furto.
( Bom isso não deve ser feito, reagir nem sempre é
a solução, mais graças a Deus tudo acabou bem.) Fica
aqui mais um alerta para as autoridades e para a mídia
se dar conta do que esta se proliferando"
Leandro Mendonça em e-mail para a lista do
Clube
Niteroiense de Montanhismo.
26 de maio de 2003
Nota-se dois casos de furtos no mesmo dia,
a situação foge ao controle das autoridades e passa
despercebido pela mídia.
Em e-mail para as listas dos clubes
de Montanhismo do Rio Fernando Barroso, Guia de Escalada
e representante da Femerj
deixa claro os fatos ocorridos com os esportistas:
"Dá pra perceber que esses bandidos já estão
manjando a galera que faz caminhada ou escalada a
algum tempo, e pior, eles já estão tendo noção dos
valores que costumamos carregar nas mochilas.
Isso é um problema grave porque a tendência é aumentar...
Basta ver como estão aumentando os casos de assaltos
e roubos a excursionistas aqui no Rio.
Somos presas fáceis para esses caras, porque estamos
sempre em lugares isolados e sem policiamento.
Acho que uma medida que poderia ser tomada para conter
esses problemas, seria um policiamento na entrada
da trilha desses lugares. No caso da Pedra Bonita,
por exemplo, ali na guarita de subida, pois qualquer
um que sobe deve passar por ali.
Deveria ser uma ação conjunta entre a prefeitura e
o PNT como já vem ocorrendo em alguns lugares dentro
da Floresta, mas em específico, guardas treinados
para lidar com a bandidagem e não apenas guardas florestais.
Um alerta deve ser dado aos novos montanhistas e excursionistas
que iniciam no esporte, comprar material usado da
mão de terceiros é perigoso e alimenta o mercado marginal
de equipamento, não contribua para este tipo de furto
se tornar moeda corrente entre traficantes de drogas
e marginais.
A procedência deste material é duvidosa podendo colocar
a vida de quem compra em risco. Duvide se alguém
lhe oferecer material com um valor muito abaixo do
mercado e denuncie as autoridades. Lembre-se que pode
haver um montanhista sem escalar por sua culpa.
Força sempre!
Atila Barros













