Na longa história da Terra, há provas paleontológicas do desaparecimento de milhares de espécies dos mais diferentes grupos de organismos. Há inclusive um cálculo que estima uma média de 2 a 4 famílias de animais que se extinguem a cada milhão de anos de vida no planeta. No entanto, um fato intrigante é o das chamadas extinções em massa, sendo duas delas, as maiores, bem documentadas. A primeira ocorreu no Permiano, há cerca de 250 milhões de anos, e a mais recente, há 65 milhões de anos, no Cretáceo, sendo conhecida como a extinção dos dinossauros. Nos dois casos, desapareceram bruscamente de 70 a 90% do total de espécies terrestres e marinhas. Nos casos de extinção em massa, a taxa de famílias extintas chega a cerca de 19 a cada milhão de anos.
Ainda não conhecemos as verdadeiras causas
das extinções em massa, mas alguns
fatos apontam no sentido de que elas podem ter sido
conseqüência de grandes e bruscas mudanças
da temperatura da Terra e da queda de grandes meteoritos
que provocam catástrofes em alguns continentes.
O
recente surgimento da espécie humana não
alterou os mecanismos evolutivos naturais, a não
ser nos últimos séculos, quando passamos
a ser o fator fundamental da extinção
de milhares de espécies em todo o mundo. Este é sem
dúvida um dos problemas ecológicos
mais preocupantes e que têm mobilizado pesquisadores
e entidades da maioria das nações,
pois aumentam constantemente o número de espécies
vegetais e animais já extintas e as ameaçadas
de extinção. Isso é grave, pois
estão desaparecendo espécies que ainda
não conhecemos. É um fato lamentável,
um verdadeiro crime para as futuras gerações,
que percamos a riqueza da biodiversidade ainda hoje
existente no planeta e que é portadora de
um "banco de genes" de valor inestimável.
Precisamos entender que toda espécie é importante,
hoje ou no futuro, não só para poder
servir diretamente ao ser humano, mas também
para garantir o equilíbrio dos ambientes naturais,
dos quais dependemos.Em 1971 foi publicada a obra
de ecologia do professor Jean Dorst, Antes que a
Natureza Morra, um brado
de alerta, apoiado pela World Wildlife Foundation
que, através do seu presidente, prefaciou:"O
mundo moderno sofreu um grave desequilíbrio
em conseqüência da ação
do homem, que tende não só para a eliminação
da vida selvagem, como também para a destruição
da harmonia do meio onde está destinado a
viver. Os recursos renováveis estão
comprometidos, fato particularmente grave no momento
em que as populações humanas aumentam
a velocidade crescente, e em que as necessidades
se tornam cada dia mais consideráveis. Algumas
das nossas atividades parecem conter nelas próprias
os germes da destruição da nossa espécie.
Muitos
animais e vegetais selvagens encontram-se em vias
de desaparecimento ou de rarefação
avançada, por todo o mundo, (Um
exemplo clássico da extinção de uma espécie é o da grande
ave, o dodô, que vivia nas Ilhas Maurícias
- costa oriental da África.) e a
lista dessas espécies aumenta dia
após dia. Os responsáveis
pelos estragos devastadores são
essencialmente a caça, realizada
levianamente, o verdadeiro vandalismo de
alguns e, sobretudo, a destruição
dos habitats. Simultaneamente, o homem
degrada as terras, devido a um mau tratamento
dos solos, espalha
pesticidas incontroladamente e envenena
o planeta com detritos de uma civilização
técnica,
derramados de forma abusiva na atmosfera
e nas águas.
Os recursos marinhos estão sendo
pilhados por uma exploração
excessiva de uma parte dos oceanos."
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