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 Foto: Estudo foi feito com rochas da Groenlândia

21/01/2004
Já existia fotossíntese há 3,7 bi de anos, dizem cientistas.

Cientistas da Dinamarca afirmam ter descoberto a prova mais antiga do processo de fotossíntese em rochas de 3,7 bilhões de anos.

Fotossíntese é o processo pelo qual plantas, algas e determinadas bactérias convertem a luz do sol em energia química, liberando oxigênio.

A comprovação de que ela já existia um bilhão de anos antes do que se acredita significaria que a vida na Terra é mais antiga do que se supõe.

Os pesquisadores da Universidade de Copenhague – cujo estudo foi publicado no jornal científico Earth and Planetary Science Letters – analisaram antigos sedimentos do solo oceânico em Isua, na Groenlândia, onde eles já haviam descoberto os sinais de vida mais antigos do planeta.

Os cientistas encontraram altos níveis de urânio nos sedimentos. "O que isso demonstra é que a Terra tinha uma biosfera ativa antes de 3,7 bilhões de anos atrás", afirmou o professor Minik Rosing, que liderou o estudo com Robert Frei.

Oxigênio

Em um ambiente em que pouca ou nenhuma fotossíntese é feita, os elementos urânio e tório se moveriam juntos no oceano como partículas minerais.

Mas a abundância de urânio em relação ao tório nas pedras de Isua sugerem que os dois elementos foram quimicamente separados.

Isso acontece sob condições oxidantes nas quais organismos liberam oxigênio no meio ambiente.
Rosing e Frei concluíram, protanto, que micróbios como a cianobactéria já convertiam luz solar em energia química por meio de fotossíntese.

Acredita-se que a fotossíntese anaeróbica, um tipo de reação que não utiliza oxigênio, tenha se desenvolvido antes do processo com oxigênio.

Rosing não discorda dessa teoria, mas faz uma ressalva. "O problema é que não se sabe por quanto tempo existiu vida na Terra antes de 3,7 bilhões de anos atrás. Os registros geológicos acabam nessa época."

Ceticismo

No entanto, Roger Buick, que leciona Astrobiologia na Universidade de Washington, em Seattle, se mostrou cético em relação aos resultados.
"Qualquer coisa de uma época tão antiga tem de ser alguma forma ambígua. Essas pedras foram colocadas em um moinho geológico diversas vezes, seria difícil dizer que qualquer coisa que você vê é primário."

Rosing alega que os isótopos encontrados nas pedras preservam uma "memória" das composições de urânio e tópio que existiam na época.

"Rosing conhece (as rochas de Ishua) melhor do que ninguém. Eu não duvido desses dados por um minuto, só questiono quão forte pode ser a interpretação desses dados", afirma Buick.
Estudos conduzidos por Buick em rochas no oeste da Austrália indicam que a fotossíntese existe há algo entre 2,6 bilhões e 2,7 bilhões de anos, um bilhão de anos depois do que sugere o estudo de Rosing.

"A bioquímica necessária para a fotossíntese aeróbica requer grande evolução bacteriana. Se as descobertas deles estiverem corretas, a vida era muito sofisticada, já muito cedo na história da Terra", diz Buick.

"Durante 750 milhões de anos depois da sua formação, a Terra foi bombardeada por meteoritos. Esse bombardeio só acabou 3,8 bilhões de anos atrás. Você pensaria que essas condições seriam bastante hostis a organismos que precisam de oxigênio para realizar fotossíntese. Mas a vida pode ser mais antiga e mais robusta do que pensávamos."

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