Informativo semanal.
Esporte, Notícia e Meio Ambiente.

Diário de Montanha

Autor.

Infos!
Maria Fernanda.

.com

Alta Monatanha.com
Montanhismo e Escalada!

"Escale"

Fique por dentro dos campeonatos e eventos!

UBT!

Ubatuboulder!
Inovando como sempre!

Nova editora Especializada em títulos de montanha!

Novo site do CEM!
100% Minas Gerais!

Escaladas de
Minas!

A maior coleção de croquis de escalada já reunidas.

Montanhas Incas!

Projeto Pachamama. Caminhos Incas.

Gente de Montanha!

Rocha e  gelo. Maximo Kausch e Pedro Hauck
Apoiando



 



     

Informativo On-line
Montanha.bio.br - Montanhismo e Meio Ambiente                            

 Ciência

Loja

Dolar_etc

Calango Channel

  Destaques
Destaques

Montanhismo     

Trekking          Boulder           Croquis           Dicas             Parceiros       
Destaques _bio.agenda - [NOW!]

Newsletter

Receba os Informativos por e-mail!

16 novos lagos poderiam transbordar em Khumbu. 08/07/2010
Mudança Climática no Nepal.
Maria Fernanda.


Dezesseis lagos de formação glacial ameaça a população dos vales de Khumbu, segundo os cientistas. Na ausência de uma solução, os sherpas respondem à catástrofe com seu budismo.

Para a grande maioria dos viajantes, montanhistas e escaladores que tiveram a oportunidade de visitar o Parque Nacional de Sagarmatha, a palavra Khumbu trará à memória experiências gratificantes e inesquecíveis: o trânsito pelos vales que ascendem o maciço mais alto do planeta, sua convivência com o povo sherpa ou a oportunidade de poder escalar o Monte Everest. Para a comunidade científica, no entanto, a palavra Khumbu evoca a bacia do glaciar, que abriga nada mais e nada menos que 16 dos 21 lagos glaciais considerados potencialmente perigosos no Nepal e suscetíveis a gerar uma GLOF (inundação por transbordamento do lago glacial, sua sigla em Inglês). Esta situação pode ocorrer quando o dique de contenção natural ede total ou parcialmente liberando grandes quantidades de água e criando um "tsunami interior", gerando consequências catastróficas.

No passado, houve pelo menos 35 GLOF no Butão, China e Nepal. A última lista publicada (2001), que também inclui a Índia e o Paquistão, registra um total de 203 lagos potencialmente perigosos. O vale glacial de Khumbu, junto ao de Rongxer (Tibet), é o segundo que reúne o maior número deles (16), somente superada pela região de Pumqu, também no Tibete, que acolhe um total de 38.

Testemunhas da mudança

Ang Tshering Sherpa, nascido em Khumjung, no coração do Khumbu e atual presidente da Associação de Montanhismo Nepal foi testemunha viva da rapidez com que as geleiras estão derretendo. "Sempre recordo que, quando criança cruzava com os nossos rebanhos a passagem de Lhola, abaixo da face oeste do Everest, a antiga rota de comércio até o Tibet. Hoje a passagem é impraticável, a camada de gelo desapareceu e há flancos pendurados em ameaçadoras e enormes massas de gelo”. Os cientistas asseguram que o aumento da temperatura no Himalaia Central e Oriental tem sido muito mais alto que a média mundial, o que afeta diretamente ao Nepal. Mas o retrocesso glacial deriva outro problema: o acúmulo de grandes massas de água que ameaçam transbordar. Ang Tshering também nos fala sobre a formação de um grande número de novos lagos glaciais e fazendo referência a Imja, considerado hoje como um dos potencialmente mais perigoso, recorda que "não existia quando eu e meus pais visitávamos a área para pastoreio dos iaques. Atualmente, a comprimento do lago supera um quilômetro e meio e armazena mais de 35 milhões de metros cúbicos de água". O vale do Duh Koshi, por onde passa o "trek" do Everest e coração do povo sherpa, coleta de água de mais de 500 geleiras em constante declínio. Atualmente quase 600 lagos de formação glacial foram registrados. Não é de estranhar, então, que quase 30% dos GLOF ocorridos no Himalaia do Nepal, tiveram lugar na região de Khumbu.

O primeiro lago a transbordar em Khumbu foi o Naru, localizado ao sul do Ama Dablam. Em setembro de 1977, o dique de contenção natural terminal entrou em colapso e, ainda que a GLOF só tenha destruido uma pequena central hidrelétrica, os numerosos deslizamentos, uma forte erosão na margem do rio e o desaparecimento de estradas fizeram grandes danos ecológicos. Oito anos mais tarde, uma grande massa de gelo desprendida do glaciar Langunche acima do lago Dig Tsho concretizou a catástrofe. A avalanche de água que causou uma onda de 10 a 15 metros varreu uma central hidroelétrica, 14 pontes, cerca de trinta casas, consideráveis extensões de cultivo e 5 vidas humanas. Em setembro de 1998 o transbordamento do Tham Phokari, também afetado por uma avalanche, retirou várias vidas e causou danos avaliados em 156 milhões de rúpias (cerca de 1,7 milhões de euros).

O último GLOF que os habitantes de Khumbu recordam, foi o que causou o lago Chubung, apenas a 15 km a oeste de Dig Tsho. Foi relativamente pequeno e só afetou algumas casas em Beding, o principal povoado do vale de Rowaling, além de causar deslizamentos de terra e grande erosão na margem do rio. Atualmente, aos olhos da comunidade científica, aponta claramente o lsgo Imja, localizado a cerca de 10 km ao sul do Everest.

Imja, a espada de Damocles do povo Sherpa

Desde o ano de 1985, a Universidade de Nagoya no Japão, publicou um estudo sobre inundações catastróficas no Nepal, incluindo o fenômeno GLOF em Khumbu, demonstrando que o lago Imja está maior e em contínuo crescimento. A geleira que o alimenta está desaparecendo em uma velocidade recorde de 74 metros por ano nos últimos anos, sendo provavelmente o de retrocesso o mais rápido em todo o Himalaia. Segundo o último relatório publicado pela ICIMOD (1) em maio passado, o Imja é o mais perigoso de todos os lagos que iram resultar em GLOF nos Himalaias. No entanto, Pradeep Mool, especialista em controle remoto e avaliação de risco dessa organização é muito crítico com certas informações publicadas que podem criar alarme desnecessário entre a população. "Já em 1994 - diz Pradeep - a International Mountain Society publicou um artigo que sentenciava: "Há uma forte possibilidade de que Imja drene catastroficamente em um futuro próximo". Desde então, os habitantes do vale tem vivido em constante preocupação - e acrescenta - 16 anos se passaram e em nossa opinião o lago continua mostrando estabilidade".

Desde então, o lago tem sido motivo de constantes investigações por várias universidades e instituições científicas. ONGs e jornalistas também têm demonstrado interesse no tema gerando uma grande quantidade de notícias; uma avalanche de informações que tem semeado lentamente uma sensação de vulnerabilidade entre os habitantes dos povoados mais suscetíveis de serem afetados por uma possível GLOF. "A cada ano - disse Ang Tshering - um monte de grupos procedentes de diferentes países visitam Imja e nos alertam sobre a possibilidade de uma catástrofe. Sob tal pressão, o que podemos fazer? Os habitantes do vale não têm recursos para mudar suas casas e zonas de cultivo".

Tendo em conta que o lago supera em seis vezes no tamanho de Tsho Dig, o efeito de uma possível GLOF poderia ser devastador. Seis povoados estão expostos diretamente ao tsunami que se criaria e a estimativa de possíveis danos materiais supõe a perda total ou parcial de mais de 60 moradias, 200 pontes, grandes extensões de cultivo e uma pequena central hidrelétrica, além de um gravíssimo reverso ecológico provocado por movimentos de terra, lavagem da margem do rio e da perda de estradas, entre outros danos.

"Que não venham sem uma solução”       

Publicado em junho passado no Kathmandu Post, bravas declarações de Chimi Sherpa, líder social de Khumbu: "De agora em diante, se alguém vier aqui para falar sobre isso sem dar uma solução, deveríamos perseguir-lo e o jogar no vale."

Tensing Tashi Sherpa, membro da Associação de Estudantes Sherpas, conhecido pelos habitantes de alguns povoados mais expostos a uma possível GLOF, não compartilha da opinião de que no vale se viva sobre tal tensão, mas mostra um cansaço evidente pelo excesso de informações dos últimos anos. “Não nos preocupamos com o assunto” - determina claramente, “decidimos deixar de ouvir especialistas e jornalistas, e deixar as coisas nas mãos dos deuses”. Tensing é a favor de seguir o conselho de Rinpoche [título de caráter religioso utilizado pelo budismo tibetano] do vale: "A cada determinado período subimos até o lago para manter a área limpa de lixo e fazer orações para não aborrecer os espíritos do lago”, concluindo que "isto, mais de acordo com nossa cultura e tradição budista, é mais lógico do que mergulhar em um mar de informações que só nos geraria medo e ansiedade".

Por seu lado, os estudos do Centro Internacional para Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMPD) acalmam as águas. Esta organização independente com sede em Kathmandu e que atualmente lidera a monitorização e avaliação de risco dos lagos glaciais na região do Hindu Kush-Himalaias, em estreita colaboração com o Secretariado Geral de Redução do Risco de Catástrofes da ONU, descarta um risco iminente de GLOF. Desde o início de sua formação, no ano de 1967, o dique de contenção natural, de uma amplitude considerável, não foi significativamente afetada. "Além disso - comenta Predeep Mol - o lago apresenta pouca profundidade nessa extremidade, pois a pressão sobre a represa é baixa”. Ainda assim não se pode descartar um transbordamento causado por uma avalanche ou por um terremoto. Neste último ponto Pradeep também se mostra otimista: "Rodeando o lago, além dos diques laterais existem dois pequenos vales paralelos que isolam avalanches diretas sobre ele. Mas se os nossos futuros estudos nos levará a detectar uma situação de risco iminente aconselharíamos imediatamente ao governo nepalês que inicie ações de prevenção, semelhantes as realizadas em Tsho Rolpa.

O lago Tsho Rolpa chegou, em meados dos anos 90, a um estado crítico. Em 1995 foram instalados sifões e posteriormente se construiu um canal a fim de reduzir o nível do lago e manter o dique intacto, graças à ajuda do governo holandês. Ainda que o projeto, com um custo de 3.000 milhões de dólares (2.435.000 €), reduziu a possibilidade de uma iminente GLOF, o lago continua a ocupar um lugar de destaque na lista dos potencialmente perigosos. Por outro lado, os especialistas alertam sobre a delicadeza destas mudanças nos diques, pois, se apresenta muita instabilidade, a própria tentativa de redução poderia ser a causa do colapso.

Tudo indica que o vale dos sherpas está enfrentando um problema de solução muito difícil. Tentar dominar de bilhões de massa de gelo e massa de água em constante movimento sugere tanto aos especialistas como aos neófitos um jogo muito difícil que não se joga em casa. No entanto, é bom que a comunidade científica continue observando atentamente a evolução do lago e que as organizações competentes no Nepal, com a ajuda da comunidade internacional, liderem com antecedência as possíveis ações preventivas adequadas ao caso específico Imja, sem esperar que finalmente este dê sinais objetivos de atingir um estado crítico, ou cause inevitavelmente um GLOF de proporções catastróficas.

Info: Desnivel.com
Tradução: Maria Fernanda Patrício

 X  X X X
Matérias passadas Área de Download - Newsletter - Receba os Informativos por e-mail!

- O montanhismo em suas várias modalidades é um esporte potencialmente perigoso, que pode resultar em acidente e até morte do praticante. Nem mesmo com a participação de um guia especializado e equipamento adequado, podem-se eliminar a possibilidade de um acidente fatal. É responsabilidade do leitor, utilizar as informações contidas neste site de forma saudável e consciente.

Departamento de Computação Montanha - RJ - Web Design:Atila Barros & Leandro Mendonça - Montanha.bio.br
Dúvidas, sugestões ou reclamações a respeito deste Site, envie um e-mail para: atila@rochaegelo.com.br