São poucas as grandes
cidades em todo o mundo que possibilitam
aos moradores de uma metrópole a
oportunidade de sair rápido de todo este
mundo caótico de asfalto e concreto, e o
Rio de Janeiro é uma dessas cidades
privilegiadas, bom para os seus
habilitantes, melhor ainda para quem
gosta de escalar em áreas banhadas pelo
atlântico.
Com este pensamento, o site inicia uma
série de matérias dedicadas a mostrar
esses lugares a novas gerações de
caminhantes e escaladores, e relembrar a
outras tantos amigos e desconhecidos
esses verdadeiros oásis inseridos no
coração da cidade maravilhosa.
Para iniciar nossos caminhos por estas
bandas, de prima mostraremos as belezas
das praias da região da Reserva
Biológica e Arqueológica de Guaratiba,
esta que hoje abriga uma variedade de
opções para quem deseja se aventurar por
suas praias. O ponto de partida é o
bairro da Barra de Guaratiba.
Wikipédiando, a Região inicialmente
chamada de “Guratiba-Aitinga”, ou “Aratuquacima”,
é uma palavra indígena usada pelos
tupinambás, que habitavam o nosso
litoral na época do descobrimento. Sua
definição é “lugar onde há grande
quantidade de garças/garceiro.” É fácil
perceber que o vocábulo surgiu de outros
dois: “guará”, que quer dizer “ave”; e “tiba”,
que significa “lugar onde há muita coisa
reunida.” Daí: “Guaratiba”. Esta
definição é uma realidade, pois até hoje
ainda nos encanta a reunião de garças
Brancas, nos, manguezais da região.
Encravada ao pé da Grota Funda,
estendendo-se até a Baía de Sepetiba,
abrangendo os seus canais de acesso, bem
como a barra para o oceano, Guaratiba é
um dos bairros que apresenta uma das
menores densidades demográficas da
cidade do Rio de Janeiro. Sua situação
demográfica assemelha-se, ainda hoje, a
do Recreio dos Bandeirantes no início da
década de 80, ou a da Barra da Tijuca na
década de 70. Devido à sua grande
extensão territorial, é dividido em
sub-regiões ou sub-bairros, todas elas
ainda dispondo de grandes áreas
desocupadas, e com previsões para
loteamentos futuros, que apresentam, em
sua maioria, uma vegetação rasteira,
apicum e grandes manguezais. Em suas
encostas encontra-se mata atlântica e
também muitos bananais.
Distante cerca de sessenta quilômetros
do centro do Rio de Janeiro e trinta do
subúrbio de Campo Grande, quem chega a
Guaratiba fica fascinado com a beleza do
local, logo no inicio da estrada de
acesso ao bairros já se pode ver as
pontes que ligam a região á Restinga da
Marambaia (Área Militar Restrita).
Ao lado esquerdo de quem chega ao bairro
se vê o Morro da Espia, do alto deste
morro que toca o mar, em dias de mar
agitado, vê-se um imenso lençol de
espuma causado pelas constantes ondas
que quebram e rolam até o Guriri,
Syagrus schizophylla (Licuriroba,
Coco-caboclo, Aricuriroba, Ariri, Nicuri
ou Coco-babão), espécie de planta que
cobre toda a extensão da restinga e
produz pequenos cocos. Esta linda
paisagem tem servido de cenário para
filmes, novelas e inspiração para
fotógrafos e artistas plásticos.
A avifauna é riquíssima e
ainda abriga diferentes tipos de ave,
como o raro colhereiro. É área de
nidificação de aves paludícolas e ponto
de repouso e alimentação de aves
migratórias. Lá, podem ser encontrados,
com freqüência, sebinho-do-mangue,
pica-pau-anão, viuvinha e
socó-dorminhoco. Entre as espécies
migratórias, surgem maçarico-de-coleira,
maçarico-de-peito-branco e batuíra. O
maior destaque entre os répteis é o
jacaré-do-papo-amarelo, também ameaçado
de extinção. Entre os mamíferos,
destacam-se irara e a lontra.
Se estendendo um pouco mais, uma
caminhada sem maiores dificuldades entre
40 e 50 minutos chegamos à praia do
Perigoso, mais porque este nome?
Contam os moradores mais antigos da
Barra de Guaratiba que um bandido se
refugiou naquela praia durante longo
tempo, não se sabe o que aconteceu com o
bandido, e desde então a praia ficou
conhecida como Perigoso, mais vale
arriscar.
Logo no início da caminhada, já se
localiza um ponto de escalada na região,
a Ponta do Picão, com pelo menos nove
vias catalogadas na croquiteca da
FERMEJ,
uma boa opção para quem quiser escalar
por lá.
Caminhando mais um pouco, temos a bela
Ilha Rasa com seu belo farol, mais a
frente temos uma dais mais belas vistas
da Pedra da Tartaruga, local onde se
encontram algumas escaladas em fendas e
chaminés, conquistas feitas por Andre
Ilha e Cia nas décadas de 70 e 80.
Porem, o maior atrativo outdoor da
região é a problemática pratica do
Rappel, nos finais de semana dezenas de
pessoas se aventuram por lá sem
conhecimento e nas mãos de supostos
guias que acabam gerando graves
acidentes, um detalhe a parte.
Procure um clube de montanhismo ou um
guia de montanha credenciado a
FEMERJ
se pretende realmente praticar esta
técnica, não arrisque a vida com
irresponsáveis, se divertir com
responsabilidade é ficar vivo.
O local também é usado como campo escola
para os clubes de montanha como CEB e
CERJ, que lá realizam instruções com
seus alunos de cursos de escalada.
Subindo uma íngreme encosta por uma
trilha bem demarcada, chega-se a Pedra
da Tartaruga, o visual da cabeça da
tartaruga é um show a parte, com o dia
sem nevoa observa-se a Pedra da Gávea,
os demais picos do Parque Nacional da
Tijuca, os prédios da Barra da Tijuca, o
bairro do Recreio dos Bandeirantes e as
praias de Grumari, com mais três praias
semidesertas da região; Praia do Meio,
Praia Funda e Praia do Inferno. Esta
vista torna-se um convite quase que
irrecusável para dar um “esticadinha”
até lá.
Com mais 50 minutos saindo da Pedra da
Tartaruga, chega-se as areias da Praia
do Meio, esta tem aproximadamente 200
metros de extensão e uma faixa bem larga
de areia, esta praia tem suas correntes
marítimas um pouco mais agitadas e
freqüentemente surfistas são visto por
lá.
Saindo da Praia do Meio, é possível
voltar para a Barra de Guaratiba por
trilhas, este caminho leva em média 2
horas, não é muito aconselhável para
quem não conhece bem a região.
Partindo da Praia do Meio, com trinta
minutos chega-se a Praia Funda e Praia
do Inferno, praias com faixas de areia
mais curtas e de fortes ondas.
O mergulho nestas praias é
indispensável, para quem é adapto a
praticas submarinas, algumas enseadas
são uma ótima opção para o esporte.
Há no local uma pequena construção
abandonada que servia como laboratório
experimental da Universidade Federal
Fluminense (UFF) e perto desta
construção mora um senhor que se chama
Raul, quando estive por lá, conversei um
pouco com essa figura, ele nos contou
que mora na praia a mais de 35 anos e
briga na justiça pelo direito de
continuar por lá.
Raul nos contou sobre o caso verão de
1987, o verão das latas, quando
aproximadamente 20 mil latas com cerca
de 1,5Kg de maconha cada uma navegavam
nas praias cariocas. Diz Raul que no
episódio, a praia teve mais de 100
moradores fixos, por que será? (rs).
Atravessando as pedras que dividem a
Praia Funda, chega-se a Praia do
Inferno, local de possibilidades,
pequenas escaladas esportivas e boulder.
Foi no inicio dos anos 2000 que nestas
andanças conheci Atila Barros e Rodrigo
Cojack, eles estavam procurando tais
vias esportivas, e acabaram acampando
perto de onde estava, foi o inicio de
uma grande amizade.
Em todas as praias existem locais com
água potável, porem não muito confiáveis
em época de grande fluxo de pessoas
pelas praias, já que nem todos são
adeptos das boas práticas de convivência
com a natureza, melhor mesmo é levar de
casa ou tratar antes de usar.
O bom disso tudo é que a volta é
recompensada com lindo visual, e o
retorno para Barra de Guaratiba pode ser
feito em uma hora e meia por trilha
íngreme, às vezes nem tão bem demarcada
(Vá sempre com quem conheça a região),
mas logo se pode comemorar o passeio em
um boteco do bairro. Barra de Guaratiba
e bem quente durante quase todo o ano,
logo uma cerveja gelada desce bem depois
de um dia no sol.
No local ainda existe um pouco de lixo
da época em que era permitido
acampamento nessas praias, desde 2008 se
tornou proibido o camping nas praias de
Guaratiba. Alguns por não saberem ou
ignorarem a ordem, continuam a praticar
campismo na região e deixando seu lixo
para trás.
Conversando com alguns moradores, fui
informado que os guardas municipais só
aparecem na região nos finais de semana
prolongados, como carnaval e Semana
Santa, já é alguma coisa. Contratempos a
parte, estamos progredindo, o lixo tem
diminuído assim como o numero de
desavisados.
Para quem pretende chegar a estas praias
e não quer ou não pode caminhar;
inúmeros barcos de pescadores são vistos
na região, logo existe a possibilidade
de chegar às praias em um destes barcos
(Traineiras). Não ha uma empresa que
faça hoje a travessia Barra de
Guaratiba, o acerto pode ser feito
direto com o dono do barco, se informe
com as pessoas e com o comercio do
bairro. A região é fascinante vale a
pena conferir.
Até o próximo quintal de casa! Grande
abraço!
Paz e bem, boas escaladas na rocha e na
vida.
Marcio Araujo.













