Acabei de chegar de uma empreitada em Córdoba com
Márcio Araújo, e graças às dicas do amigo colunista
Márcio Carvalho, estivemos em
A primeira vez que resolvi sair do país em busca de
novas culturas e boas escaladas, foi no site
www.gentedemontanha.com, dos amigos
Maximo Kausch e Pedro Hauck, que consegui as
informações sobre as montanhas da Bolívia. Quando
fiz minha primeira travessia pela América do Sul,
foi no site
www.mochileiros.com que consegui nos fóruns
as betas para ficar em hotéis bem baratos. Os anos
se passaram e o número de escaladores, caminhantes e
aventureiros escrevendo seus relatos em páginas
pessoais aumentou consideravelmente. As informações
de lugares, preços e dicas de como chegar estão
disponíveis para todos e para todas as tribos. Esse
advento faz com que as pessoas se joguem mais pelo
mundo sem depender de agências de viagens e falsos
guias para concluir suas metas e sonhos.
A primeira vez
que fui a Machu Picchu não tinha idéia do que me
esperava, escutava muito sobre como seria difícil
chegar ao lugar, e foi lendo os relatos de viagens
de outras pessoas na internet que percebi não haver
nenhum bicho de sete cabeças para se chegar à
montanha velha (Do Quechua Machu, "velho" e Picchu
"montanha, ou seja, "montanha Velha". O nome real do
sitio Arqueológico até presente data continua uma
grande incógnita). Estava nos nevados do Kari Kari
na Bolívia em 2006 e aproveitei as férias para
conhecer Cuzco. Quando voltei ao sitio Arqueológico
pela segunda vez com namorada e amigos escaladores,
até encontrei um guia brasileiro por lá, fantasiado
de Indiana Jones. Como ele me viu tomando notas de
alguns blocos mais afastados do complexo, ficou
curioso e veio conversar comigo, me perguntando com
qual agência eu estava (isso em Inglês). Não preciso
nem comentar o resto da história, um monte de
conversa fiada sobre sua experiência, excursões e
etc. Gosto muito da forma de pensar de Geni Lobato:
Se temos as informações, por que não ir? É só
colocar em pratica a idéia.
Posso citar inúmeras outras viagens dentro e fora do
Brasil, nas quais a internet foi nossa fonte
principal de informação para formular o projeto,
como exemplo, o inicio de minha vida na escalada em
rocha.
Foi no final dos anos noventa que conheci pela
internet os clubes de montanhismo, que por sua vez
tinham as croquitécas que tanto me interessavam. Foi
pela internet que descobri que não era só no Rio de
Janeiro que o movimento de escaladores crescia a
cada dia. Foi no site
www.montanhistasdecristo.com.br que comecei
a olhar para o Paraná como local de grandes
escaladas. Depois, um link leva ao outro, os sites
levam às listas de e-mail, que levam a novas
informações. Quem não fez do site
www.hangon.com.br dos amigos Flávio "Doce"
de Aguiar e Maurício "ToNTo" Clauzet link favorito
para saber o que estava rolando de novidade na
montanha? Tínhamos uma carência de informação muito
grande, mesmo na internet no início dos anos 2000.
Somando a estes, muitos outros também fizeram da
internet um lugar legal para pesquisa de picos de
escalada espalhadas por todo Brasil.
Os últimos cinco anos foram a grande virada no
quesito bons textos informativos e educativos na
internet. Poderia citar inúmeros sites de amigos
conhecidos e desconhecidos que somaram a essa grande
rede sua experiência e dedicação ao montanhismo.
Como tenho poucas linhas, só posso dizer que todos
estão de parabéns.
Hoje, além dos sites, temos os blogs. Estes são
verdadeiros guias de viagens, com cotações da moeda,
dicas de onde ficar e como agir em casos de calças
justas, é fantástico ler estas experiências. Gosto
de ler também os blogs de escaladores com suas
opiniões sobre as áreas de escalada, críticas sobre
o mínimo impacto e as sempre dicas das melhores vias
para escalar. Também poderia falar de muitos, mas
não seria legal falar só de alguns, todos são
ótimos.
Trabalho com tecnologia há muitos anos, sou do tempo
do BBS, bem antes do advento Internet Explorer da
Microsoft ou do Netscape da
Macintosh.
O
BBS (acrónimo inglês de bulletin board system) era
um software, que permitia a ligação (conexão) via
telefone a um sistema através do seu computador e
interagir com ele, tal como hoje se faz com a
internet. Nos tempos dos dinossauros não tínhamos
tanto a informação e para qualquer atividade ao ar
livre. Contávamos com as dicas de amigos ou as
informações de revistas como a National Geografic,
que transformava o mundo em algo quase impossível de
se tocar, lugares lindos, mas intocáveis (como
chegar até eles?). Foi essa revista também que me
influenciou a conhecer o mundo e suas culturas. Hoje
nós temos o Google, é só informar o tema que a
ferramenta lista os tópicos mais associáveis ao
assunto desejado.
Hoje temos o mundo em um Click, falamos com gente de
todo planeta (Tem gente que até fala com gente de
fora dele!), sabemos das notícias em tempo quase
real. Para nós montanhistas, temos câmeras enviando
imagens direto do Aconcagua e Everest todos os dias,
sabemos de vitórias e tragédias em todas as
montanhas do mundo muito antes de aparecer no Jornal
Nacional. Temos a melhor ferramenta do mundo para
informação e sabemos usar?
Fico triste em saber que temos um canal tão grande e
poderoso para nos auxiliar em nossas atividades
esportivas sendo usada para disseminar a discórdia e
implantar grandes mal entendidos. Passei um tempinho
longe da web e quando parei em Buenos Aires para
passar o tempo em uma
Lan
House antes de voltar para casa me
deparei com um enxurrada de palavrões, troca de
farpas e brigas que mais pareciam a hora do recreio
dos meus tempos de ginásio, todas elas na área
aberta para comentários do site (altamontanha.com).
Isso não é bom para ninguém muito menos para quem
visita a página procurando conhecer o esporte.
O site, ou melhor, os sites de esporte de montanha
estão aqui para divulgar e facilitar a vida de
todos, cabe a nós saber utilizar esta maravilhosa
ferramenta para melhorar o montanhismo e não
denegrir a imagem que demoramos anos para construir.
Se temos opiniões distintas e queremos nos expressar
melhor, os blogs na internet são ótimas opções. Por
que não perder um pouco de tempo e escrever um belo
texto com suas idéias? Garanto que vai ter bastante
gente para ler, eu serei um deles. Não é em fóruns
de web que esse tipo de internauta vai conseguir
mostrar suas idéias. Que venham novos sites e blogs
de montanhismo, quanto mais informação melhor!
Existe um mundo para ser descoberto, inúmeras
culturas e montanhas que ainda nos esperam para ser
visitadas, e toda essa grande viagem começa quando
você quiser. Existem escaladas perto de sua cidade
ou a metros de sua casa, e, com um pouco de
paciência, a internet está ai para ajudar!
Força Sempre e boas escaladas!
Atila Barros