Fevereiro, Rio de Janeiro, sol, praia e carnaval, o pacote perfeito para quem quer se divertir no feriado. Correto? Errado. Existe um lugar perfeito para quem está procurando boas escaladas e montanhas de fácil acesso em um país vizinho. A cidade argentina de Córdoba guarda em suas montanhas surpresas fantásticas e escaladas de deixar muito marmanjo passando veneno. Dia dezoito de fevereiro parti do aeroporto do Rio de Janeiro com meu grande amigo de montanha Márcio Araújo em direção à Argentina. Com algumas informações na mochila, nosso objetivo era chegar às montanhas conhecidas como Los Gigantes de Córdoba. Depois de pesquisar um pouco na rede e ler algumas dicas, partimos para Buenos Aires, já que Márcio, que não conhecia a cidade, teve a infeliz idéia de dar uma voltinha por lá. Infeliz porque saindo do Rio de Janeiro existe um vôo direto para Córdoba todos os dias pela empresa Gol Linhas Aéreas, o que nos pouparia onze horas de viajem de ônibus. Com as informações na mão e uma ajudinha do centro de atendimento ao turista do aeroporto de Buenos Aires, conseguimos um ônibus direto para Vila Carlos Paz, razão pela qual não seria necessário ir a Córdoba. Passamos em um mercado para fazer algumas compras e tomamos o transporte das 21:00h que chegou com um pouco de atraso. As 22:00h estávamos dentro do ônibus a caminho Carlos Paz. A empresa que faz este trajeto é a La Pratica, a passagem custa $100 ($=pesos - R$1,00=$1,49) e ainda tem serviço de bordo, bem confortável, dá para descansar bastante na viagem. Chegamos às 08:00h em uma cidade muito bem projetada e cheia de charme, as construções a beira do Lago fazem da cidade um dos cartões postais de Córdoba. Mais uma vez recorremos ao serviço de atendimento aos turistas para tentar chegar ao nosso objetivo. Sempre com muita simpatia e prontos a ajudar, os atendentes nos passaram as informações e nos deram um mapa da região. No mesmo terminal rodoviário, compramos a passagem que nos levaria a Los Gigantes ($12,65 Companhia Sarmento – uma vez ao dia). Partimos às 09:50h e fizemos uma parada no meio dos pampas por volta do 12:00h para um café em um abrigo de pedra que funciona como mercearia. Lá, para nossa alegria, fomos recebidos por condores que voavam baixo sobre os campos. Poucos minutos depois chegamos à estrada que levaria às montanhas. Pagamos uma taxa de $5,00 por cada dia que ficaríamos no complexo. Essa taxa nos daria direito à área de camping, banheiros limpos e ducha fria. Como não há energia elétrica no local, o banho de água quente é cobrado à parte, visto que para gerar energia são usados captadores solares e a noite um gerador diesel. Na sede da propriedade, também se pode comer um ótimo sanduíche de bife a milanesa por $15,00 ou comer as famosas empanadas da região por $5,00. Com um pouco de tato é fácil colocar alguns Stoppers e montar os tops. Foi o que fizemos depois de nos acomodar. Como só escurece às 21:00h, deu para aproveitar bastante o fim de tarde. As escaladas em Los gigantes são infindáveis, todas possuem acessos com boas trilhas e bem marcadas com totens. A orientação no local é fácil quando o tempo está bom. Como não tínhamos um guia de escalada do local e muito menos sabíamos onde ficavam as vias, o negócio foi entrar no que víamos. O potencial é enorme, fendas infindáveis e grandes paredes vermelhas que se misturam ao verde da vegetação. Nossa meta era chegar ao topo do máximo de agulhas possíveis. Los Gigantes lembra muito o Parque Nacional de Itatiaia no Rio de Janeiro, ou seja, varias formações rochosas parecendo agulhas apontadas para o céu. Esperamos mais um dia para ver se o tempo mudava, mas nada, era hora de colocar a mochila nas costas e partir para outro canto. Saímos de Los Gigantes bem cedo, às 08:00h, com a temperatura baixa e sob uma chuva fina que incomodava bastante. Depois de um café forte para espantar o frio e um sanduíche de salame, tomamos o ônibus em direção a Córdoba. Duas horas de viagem e estávamos na rodoviária em busca de um hostel. Aproveitei para ligar para casa e pegar umas dicas de onde ficar com Geni. Bom, quando fomos para Los Gigantes, esquecemos algo essencial, não levamos o fogareiro. Tudo bem lá é permitido fazer fogueira controlada. Perto de cada área de barraca existem rodas de pedra para acender a lenha que existem em abundância espalhada pelo chão. O problema é que não tínhamos álcool e muito menos fósforos. Logo, assim que conseguimos uma caixa de fósforos com Dona Sandra, a administradora de Los Gigantes, tentamos fazer fogo com o único papel que tínhamos, ou seja, nossas informações. Depois de gastar todo desodorante do Marcio e quase todas nossas informações, desistimos e partimos para comida fria mesmo. Mais tarde, compartilhamos a fogueira e o vinho de nossos vizinhos Argentinos que lá estavam.
Uma opção barata e muito divertida são Los Gigantes de Córdoba, pegando um vôo direto para Córdoba, a montanha fica perto, com custo bem mais baixo comparando a de outras escaladas na Argentina. Essas montanhas são uma ótima opção para quem tem pouco tempo e pouco dinheiro para escalar fora do Brasil. Na verdade, o que mais é necessário em Los Gigantes é o psicológico para entrar em grandes paredes ou talvez entrar numa fria.
Força sempre e boas escaladas! |




















