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03/03/2009
Argentina - Los gigantes de Córdoba
Atila Barros
Ver
fotos em:
Los Gigantes |
Fevereiro, Rio de Janeiro, sol, praia e carnaval, o
pacote perfeito para quem quer se divertir no
feriado. Correto? Errado. Existe um lugar perfeito
para quem está procurando boas escaladas e montanhas
de fácil acesso em um país vizinho.
A cidade argentina de Córdoba guarda em suas
montanhas surpresas fantásticas e escaladas de
deixar muito marmanjo passando veneno.
Dia dezoito de fevereiro parti do aeroporto do Rio
de Janeiro com meu grande amigo de montanha Márcio
Araújo em direção à Argentina. Com algumas
informações na mochila, nosso objetivo era chegar às
montanhas conhecidas como Los Gigantes de Córdoba.
Depois de pesquisar um pouco na rede e ler algumas
dicas, partimos para Buenos Aires, já que Márcio,
que não conhecia a cidade, teve a infeliz idéia de
dar uma voltinha por lá. Infeliz porque saindo do
Rio de Janeiro existe um vôo direto para Córdoba
todos os dias pela empresa Gol Linhas Aéreas, o que
nos pouparia onze horas de viajem de ônibus. Com as
informações na mão e uma ajudinha do centro de
atendimento ao turista do aeroporto de Buenos Aires,
conseguimos um ônibus direto para Vila Carlos Paz,
razão pela qual não seria necessário ir a Córdoba.
Passamos em um mercado para fazer algumas compras e
tomamos o transporte das 21:00h que chegou com um
pouco de atraso. As 22:00h estávamos dentro do
ônibus a caminho Carlos Paz. A empresa que faz este
trajeto é a La Pratica, a passagem custa $100
($=pesos - R$1,00=$1,49) e ainda tem serviço de
bordo, bem confortável, dá para descansar bastante
na viagem.
Chegamos às 08:00h em uma cidade muito bem projetada
e cheia de charme, as construções a beira do Lago
fazem da cidade um dos cartões postais de Córdoba.
Mais uma vez recorremos ao serviço de atendimento
aos turistas para tentar chegar ao nosso objetivo.
Sempre com muita simpatia e prontos a ajudar, os
atendentes nos passaram as informações e nos deram
um mapa da região. No mesmo terminal rodoviário,
compramos a passagem que nos levaria a Los Gigantes
($12,65 Companhia Sarmento – uma vez ao dia).
Partimos às 09:50h e fizemos uma parada no meio dos
pampas por volta do 12:00h para um café em um abrigo
de pedra que funciona como mercearia. Lá, para nossa
alegria, fomos recebidos por condores que voavam
baixo sobre os campos. Poucos minutos depois
chegamos à estrada que levaria às montanhas.
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Logo que chegamos ao nosso ponto de partida,
retiramos as mochilas das
Packcase e iniciamos a árdua
tarefa de equilibrar todo peso do
equipamento em uma só mochila. Alguns
minutos mais e lá estávamos caminhando por
uma estrada de terra com vinte e três quilos
de equipamento cada um. Depois de três
quilômetros de caminhada, chegamos ao abrigo
de Los Gigantes de Rotonda, onde fomos
recebidos pela senhora Sandra, a
administradora da propriedade. |
Pagamos uma taxa de $5,00 por cada dia que
ficaríamos no complexo. Essa taxa nos daria direito
à área de camping, banheiros limpos e ducha fria.
Como não há energia elétrica no local, o banho de
água quente é cobrado à parte, visto que para gerar
energia são usados captadores solares e a noite um
gerador diesel. Na sede da propriedade, também se
pode comer um ótimo sanduíche de bife a milanesa
por $15,00 ou comer as famosas empanadas da região
por $5,00.
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Com o registro feito, caminhamos para área
de camping. Acomodamo-nos debaixo de uma
árvore que nos dava um ótimo teto em caso de
chuva. Perto passa um córrego de águas
cristalinas e geladas e para melhorar, a
poucos metros da barraca, se encontra o que
parece ser um campo escola. As chapeletas
foram retiradas, medida esta para se evitar
o uso dos mesmos para o rapel. |
Com um pouco de tato é fácil colocar alguns
Stoppers e montar os tops. Foi o que fizemos depois
de nos acomodar. Como só escurece às 21:00h, deu
para aproveitar bastante o fim de tarde.
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Los Gigantes está no ‘Camino De Las Altas
Cumbres’. É uma imponente formação rochosa
com 2.374m de altitude, pertencente à
Reserva Hídrica Provincial Pampa de Achala
que, juntamente com o Parque Nacional
Quebrada Del Condorito, protegem 185.000
hectares de ambientes, fauna e flora
peculiares das serras de Córdoba. |
As escaladas em Los gigantes são infindáveis, todas
possuem acessos com boas trilhas e bem marcadas com
totens. A orientação no local é fácil quando o tempo
está bom. Como não tínhamos um guia de escalada do
local e muito menos sabíamos onde ficavam as vias, o
negócio foi entrar no que víamos. O potencial é
enorme, fendas infindáveis e grandes paredes
vermelhas que se misturam ao verde da vegetação.
Nossa meta era chegar ao topo do máximo de agulhas
possíveis. Los Gigantes lembra muito o Parque
Nacional de Itatiaia no Rio de Janeiro, ou seja,
varias formações rochosas parecendo agulhas
apontadas para o céu.
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Nessa hora é preciso ter bom psicológico e
acreditar muito no equipo. Algumas formações
eram possíveis se chegar ao cume com uma
caminhada mesclada a um trepa pedra, em
outras era necessária a colocação de
equipamento móvel e laçar alguns bicos de
pedra, nada que um pouco de ralação e
vontade de fazer cume não dê conta. Não
tivemos muita sorte com nossa programação.
Depois de dois dias na montanha, o tempo
mudou e fomos expulsos da rocha por raios e
muita chuva. |
Esperamos mais um dia para ver se o tempo mudava,
mas nada, era hora de colocar a mochila nas costas e
partir para outro canto. Saímos de Los Gigantes bem
cedo, às 08:00h, com a temperatura baixa e sob uma
chuva fina que incomodava bastante.
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Caminhamos por duas horas até o abrigo
mercearia da estrada, lá poderíamos nos
aquecer e trocar de roupa para esperar o
ônibus. Como a temperatura estava muito
baixa e o ônibus só passaria as 11:40h,
caminhar até a mercearia foi uma ótima
escolha, mesmo com a chuva que parecia não
parar de cair, tínhamos como companhia
durante a caminhada guanacos e lhamas
misturados ao gado das fazendas. |
Depois de um café forte para espantar o frio e um
sanduíche de salame, tomamos o ônibus em direção a
Córdoba. Duas horas de viagem e estávamos na
rodoviária em busca de um hostel. Aproveitei para
ligar para casa e pegar umas dicas de onde ficar com
Geni. Bom, quando fomos para Los Gigantes,
esquecemos algo essencial, não levamos o fogareiro.
Tudo bem lá é permitido fazer fogueira controlada.
Perto de cada área de barraca existem rodas de pedra
para acender a lenha que existem em abundância
espalhada pelo chão. O problema é que não tínhamos
álcool e muito menos fósforos. Logo, assim que
conseguimos uma caixa de fósforos com Dona Sandra, a
administradora de Los Gigantes, tentamos fazer fogo
com o único papel que tínhamos, ou seja, nossas
informações. Depois de gastar todo desodorante do
Marcio e quase todas nossas informações, desistimos
e partimos para comida fria mesmo. Mais tarde,
compartilhamos a fogueira e o vinho de nossos
vizinhos Argentinos que lá estavam.
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Geni nos indicou alguns Hostel, e entre eles
optamos pelo Baluch, ótimas acomodações e
super bem elaborado, como diria seu Creyson:
“Esse eu agaranto!”. O Hostel Baluch
Backpackers fica na Calle San Martin 338 -
Córdoba.
O telefone é +54-351-4223977 /
www.baluchbackpackers.com.
Em Córdoba, ficaríamos por dois dias e
depois partiríamos para tentar fazer o cume
do
Champaquí. |
Uma opção barata e muito divertida são Los Gigantes
de Córdoba, pegando um vôo direto para Córdoba, a
montanha fica perto, com custo bem mais baixo
comparando a de outras escaladas na Argentina. Essas
montanhas são uma ótima opção para quem tem pouco
tempo e pouco dinheiro para escalar fora do Brasil.
Na verdade, o que mais é necessário em Los Gigantes
é o psicológico para entrar em grandes paredes ou
talvez entrar numa fria.
Força sempre e boas escaladas!
Atila Barros
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