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05/05/2004 Do grego eco: casa; habitat; ecologia é uma palavra muitas vezes ouvida nos meios de comunicação e nas instituições educacionais. Ouvida apenas,não! Repetida ! Alguns a tomam como “bandeira” política e, assim, galgam posições de destaque na mídia ou em partidos políticos. Outros, preocupam-se, de fato, com a qualidade de vida no planeta Terra. No entanto, há uma terceira margem desse rio: aqueles imersos na luta pela sobrevivência a quem os problemas do cotidiano afligem de forma cruel e impiedosa. Para estes, ecologia é só mais uma palavra.E eles constituem parcela significativa senão a maioria do povo brasileiro. Inúmeros cidadãos recebem um salário mínimo, moram em bairros sem saneamento básico, ruas não asfaltadas ou bairros próximos a indústrias de produtos tóxicos. Quantos trabalhadores lutam contra a falta d’água , ainda que paguem seus impostos em dia, inclusive taxa d’água?! Quem sai de casa de madrugada, ainda escuro, e retorna ao anoitecer, alimentando-se mal, preocupando-se em sobreviver mais um dia, mais um mês, só tem pensamentos para seu “mundinho”. Como pensar em questões ecológicas? Por outro lado, pessoas ditas civilizadas e cultas atiram, da janela de seus carros, latinhas de refrigerante ou cerveja nas ruas da cidade; embalagens de biscoito e doces também são jogadas ao chão. E esse lixo acaba por entupir os bueiros e, nos dias de chuva,o escoamento d’água deixa a desejar. O povo não está educado para a cidadania. O ser humano, distanciado da natureza, vive em um mundo particular e convive com máquinas a maior parte do tempo. Deste modo, acaba por perder seu vínculo com o mundo real e cria um novo conceito de vida : a virtual. A casa não é mais sinônima de lar, de lugar de proteção onde o homem se sinta seguro e amado. Mudou o conceito de lar, de família, portanto de casa. O contacto com a natureza espiritualiza o ser humano, aproximando-o de seus semelhantes,torna possível o reencontro com sua essência e, conseqüentemente, faz com que se volte para o meio ambiente, reconhecendo-o como sua casa, em sentido ‘lato’. Na verdade, o dia -a –dia nas metrópoles desumaniza o homem, enrijece seu coração, torna-o indiferente para com os demais de sua espécie não pertencentes à sua classe social, círculo de amizades, ou de quem não pode esperar benesses. Por que, então, iria se importar com a preservação do meio ambiente? Movido pelo individualismo, orgulho, ganância e sede de poder não têm escrúpulos em poluir o ar, os rios, os lagos e lagoas, os mares e oceanos, devastar florestas, exterminar animais, ainda que espécimes raros, desde que daí advenha o lucro, representando o aumento do seu poder e a superioridade sobre os demais. Ter é tudo o que importa. De fato, a “propagando ecológica” está muito distante de uma “consciência ecológica”. Basta lembrar que, recentemente assistimos a cenas, como diria certo apresentador de telejornal, vergonhosas onde eram exibidas imagens de espumas , invadindo uma cidade do interior paulista . E o que dizer dos acidentais (cada vez mais freqüentes) derramamentos de petróleo no mar ? |













