|
Quando pensei em conhecer os Andes venezuelanos a
primeira cidade que me veio à cabeça foi Mérida
(Dica dada por Geni Lobato), cidade turística
cercada de montanhas e cheia de charme.
Com
pouco tempo para ficar, nem mesmo levei material de
escalada, difícil ser montanhista e ter em sua
mochila material de mergulho já que estava vindo do
Caribe. Pensei em caminhar um pouco por suas
montanhas e conhecer um pouco mais sobre seu povo e
cultura, já que toda referencia que encontrei na
internet foi de lindos vilarejos, grandes montanhas
e belos vales cortados por cálidos rios gelados,
porem não foi bem isso que encontrei por lá.
Ficamos hospedados no hotel Teleférico, na Plaza Las
Heroínas, este com visão privilegiada para as
montanhas nevadas, foi desta simpática região da
cidade que partimos para conhecer a história de
Mérida (A Plaza Las Heroínas foi construída para
honrar cinco mulheres meridenhas que lutaram pela
independência. Nos arredores da mesma ficam alguns
mercados e lojas artesanais, além da estação inicial
do Teleférico de Mérida).
 |
Para nossa decepção o
Teleférico de Mérida estava desativado, este
só deve voltar a funcionar em Agosto (2009).
O Teleférico é um dos principais atrativos
turísticos da cidade. A sua trajetória
ascende da cidade até Sierra Nevada de
Mérida. A obra foi terminada em 1958. O
teleférico, que possui quatro etapas, é o
mais longo e o mais alto do mundo, com uma
subida de 12,5 km! Chega-se a uma altura de
4765 metros sobre o nível do mar. Este ponto
é mais alto do que qualquer outro ponto da
Europa ou dos Estados Unidos (excluindo o
Alasca).
Já que o teleférico estava
fora de serviço, saímos do hotel em busca do
famoso
Pico Áquila,
este se encontra a 4118 metros de altura,
localizado em
Los
Paramos, a pouco mais de duas horas do
centro da cidade. No caminho passamos pela
famosa La Capilla de Piedra, visitamos o
observatório de condores e entramos e saímos
em dezenas de lojinhas de artesanato. |
O
passeio até estes famosos pontos turísticos deixam
muito a desejar, um numero descontrolado de turistas
no local fazem de Los Paramos uma verdadeira
“Farofa”. É gente para todos os lados. É um tipo de
turismo que me incomoda bastante. Dezenas de
barraquinhas de comida típica, gente se amontoando
para tomar um café para escapar do frio, lixo
acumulado pelas estreitas ruas dos vilarejos e um
verdadeiro frenesi por artigos locais. Minha ultima
esperança seria chegar até o Pico Áquila.
 |
No observatório de condores
tivemos outra decepção de cortar o coração.
Três grandes condores (Vultur
griphus) aprisionados em um pequeno viveiro.
Toda beleza destas aves que pude comprovar
as vendo livres pelos Andes, agora estavam
enclausuradas para mera admiração de
turistas. Perguntei a um guia local do
porque de não velos livres, e a informação
que tive não foi nada boa. Aqueles eram os
últimos condores da região. |
Eles foram caçados pelos criadores de
ovelhas até serem quase extintos do vale, os que
ainda existem livres são raros e estão bem longe do
alcance dos olhos dos turistas. Fiz alguma fotos e
seguimos estrada.
Subimos mais um pouco de carro e paramos em outro
tumultuado vilarejo, este debaixo de muita neblina e
ventos frios, meu altímetro marcava 4000 metros,
achei estranho por já saber da altura do famoso pico
Pico Áquila. Comentei com Geni sobre a altura e não
acreditamos no que vimos.
 |
Assim que saímos do carro
caminhamos alguns metros, subimos por uma
trilha de barro bem curtinha e lá estávamos
no bendito. Foi difícil acreditar no que
estávamos vendo, olhando para baixo, centenas
de pessoas se espremendo em barraquinhas que
serviam comidas típicas e vendiam
artesanato. Neste dia fazia frio e chovia um pouco, encontrei algumas pessoas que se arriscaram
no Trekking por lá, deu para notar a cara de
decepção do pessoal ensopado que tentava
fugir do frio dentro de um dos restaurantes. |
Saímos da “montanha” com uma leve chuva fria,
paramos em um pequeno restaurante perto de um
pesque-pague de trutas para comer alguma coisa e
voltamos para Mérida.
Tirando toda decepção que este passeio as montanhas
nos deu, Mérida é uma cidade venezuelana que tem
mais de 300.000 habitantes, é o maior centro
estudantil e turístico do ocidente venezuelano, sede
da prestigiosa e problemática Universidade de Los
Andes. Nos dias em que estive na cidade, uma
manifestação estudantil acabou colocando a cidade na
mídia mundial. O estudante Douglas Rojas, de 19
anos, não resistiu aos graves ferimentos sofridos
(Tiro na cabeça), e faleceu. O jovem morreu após
permanecer 48 horas na UTI, devido a um ferimento na
região occipital, com orifício de saída, disse aos
jornalistas a diretora do Hospital Universitário de
Mérida, Blanca Barroeta. Outros três jovens ficaram
feridos nos confrontos entre universitários e
policiais. A coisa ficou bem feia por lá. Foi
difícil nossa saída da cidade em meio aos protestos.
Deixando o tumulto de lado, a cidade esta encravada
no vale do rio Chama, que a percorre de um lado ao
outro. Mérida está situada a uma altitude de 1.600
m. Como fundo ergue-se no horizonte o cume mais
elevado do país: o pico Bolívar com seus
4.981 metros de altitude.
 |
A cidade tem o nome completo
de Santiago de los Caballeros de Mérida e é
a capital do Municipio Libertador e do
estado de Mérida. É uma das principais
localidades dos Andes venezuelanos. Foi
fundada em 1558, como parte de Nova Granada,
e passou a pertencer à Capitania Geral da
Venezuela, tendo um papel ativo durante a
Guerra de Independência. Mérida foi fundada
por Juan Rodríguez Suárez em 9 de Outubro de
1558. Um ano depois, Juan de Maldonado
decidiu mudá-la para o lugar atual.
|
A
cidade dependeu do corregimento (zona administrada
por um corregedor) de Tunja até que, em 1607, se
constituiu como corregimento da Real Audiência de
Santa Fé de Bogotá. Em 1622, Mérida passou a ser a
capital da Gobernación de Mérida, e o máximo
mandatário desta estabeleceu ali residência. A
cidade e o governo foram parte da Nova Granada até
1777, momento em que passaram a integrar a Capitania
Geral da Venezuela. Mérida foi elevada ao estatuto
de Sede Episcopal em 1785, o que proporcionou a
criação de um seminário, que em 1811 se converteria
na Universidade de Los Andes.
A
cidade recebeu o seu nome pelo fundador Juan
Rodríguez Suárez, que a batizou em honra da sua
cidade natal, Mérida, em Espanha. No entanto, Juan
de Maldonado chamá-la-ia como San Juan de las
Nieves. Em 1599, voltou a mudar o nome, optando por
Santiago de los Caballeros. Progressivamente, foi-se
adaptando a denominação Santiago de los Caballeros
de Mérida, forma que combinava as variantes com que
se tinha designado a cidade até então.
A
palavra Mérida provém do termo «emérita», palavra
latina cujo significado é «quem tem mérito» e também
«emérito», que é a verdadeira origem etimológica do
nome, já que outra acepção do termo estava
relacionada com os antigos soldados do exército.
Assim pois, a cidade espanhola de «Mérida», capital
atual da Comunidade Autônoma da Estremadura, tem
esta origem: o nome de Emérita Augusta significava
que foi fundada nos tempos de Augusto com soldados
do exército, os quais acamparam num povoado já
existente, em troca da concessão da categoria de
cidadãos romanos aos antigos povoadores. Por outra
parte, também em espanhol e em inglês, a palavra
emérito significava «jubilado». Com o avançar dos
tempos, este nome foi mudando até converter-se em
«Mérida», perdendo o inicial E e trocando o t pela
letra d. E outra semelhança entre as duas cidades, é
que nesta existe também um afluente do rio principal
com o nome de Albarregas.
A
cidade situa-se na parte central da cordilheira
andina venezuelana, em ampla encosta do vale médio
do rio Chama, entre a Sierra Nevada de Mérida a
sudeste e a Sierra La Culata a noroeste. O centro
histórico da cidade situa-se na meseta de origem
aluvial chamada Tatuy.
A
hidrografia da cidade é composta por quatro rios
principais e algumas ribeiras menores nas zonas
menos urbanizadas; estas últimas só têm caudal
apreciável nas épocas de maior precipitação. O rio
mais importante é o Chama, seguido pelo rio
Albarregas, que atravessa a meseta e a divide em
duas partes: a Banda ocidental e a Banda oriental.
Estes afluentes percorrem a cidade de extremo a
extremo. Os outros dois rios principais são o
Mucujún e o Milla, que se unem aos anteriores. Na
parte baixa da cidade, está a lagoa La Rosa, uma das
200 lagoas do estado de Mérida.
O
relevo é quase plano na parte central da cidade por
situar-se numa meseta. Apesar disso apresenta uma
inclinação média de 3 a 7 graus, o que determina uma
diferença de altitude, entre as partes baixa e alta
da cidade, que supera os 400 m sendo o ponto médio
da mesma os 1.630 m tomados na Plaza Bolívar. Os
arredores de Mérida são acidentados, destacando os
vales formados pelos rios Chama e Albarregas, e as
cordilheiras de Sierra Nevada e Sierra de La Culata.
 |
O
vale onde se ergue a cidade formou-se há cerca de 60
a 40 milhões de anos, com a formação dos Andes
venezuelanos e com a contínua erosão dos mesmos pela
hidrografia presente. Os seus solos são do tipo
sedimentar e argilosos. Debaixo da cidade passa a
maior falha tectónica ativa do ocidente do país, a
falha de Boconó, que forma a parte superior da Placa
Sul-Americana. |
A
vegetação no interior da cidade está integrada por
árvores de copa média e alta, situadas
principalmente em torno do rio Albarregas. Na
periferia de Mérida, estão divididas as zonas
urbanizadas, onde predominam formas de vegetação
características da sub-montanha tropical. Por outro
lado, estendem-se pelo sul vastos bosques de
coníferas, plantados há vários anos.
A
respeito da fauna local, cabe destacar a importante
população de certas aves de pequeno e médio porte,
como os colibris ou papagaios, disseminadas
especialmente no sul da cidade.
Apesar de no país prevalecer o tempo quente com
clima tropical, em Mérida este é mais temperado e
com clima de montanha. Tal particularidade
atribui-se à situação geográfica da cidade no
interior da cordilheira andina, e à sua grande
altitude.
Embora a poluição tenha gerado um aumento da
temperatura, esta manteve-se mais baixa (em termos
relativos) que nas outras cidades importantes do
país, com registros que oscilam entre os 18 °C e os
24 °C, determinando uma média geral de 22 °C. A
precipitação é de intensidade média durante as
épocas de chuva, de Abril até Novembro. A
temperatura da cidade varia de norte a sul segundo a
altitude. O norte da cidade é mais elevado, a cerca
de 1700 m de altitude, mantendo uma temperatura
média de 19°C. O sul tem um clima mais cálido por se
encontrar a cerca de 1300 m, tendo uma temperatura
média de 21°C.
 |
A Venezuela situa-se numa
zona intertropical, pelo que a amplitude
térmica intra-anual (tomando valores no
decorre de um mesmo ano) é pouco
significativa. O mesmo se atribui a Mérida
que, durante o mês de Agosto, costuma
registrar temperaturas comparáveis às que se
podem medir, em condições análogas, em pleno
dia em Janeiro. Pelo contrário, ao situar-se
Mérida no interior do país, longe das costas
marítimas e da influência do oceano, e a
grande altitude, a amplitude térmica diária
(tomando valores num mesmo dia) é relevante
quantitativamente. Entre dia e noite pode
registra-se uma variação superior a 10°C,
chegando esta por vezes aos 20°C. Portanto,
ao cair a noite, as temperaturas descem,
geralmente, a menos de 15°C, e as mínimas
nunca superam os 20°C. As máximas
produzem-se durante o dia, e costumam rondar
os 25°C, podendo passar excepcionalmente dos
30°C. O limite inferior deste intervalo
tende para valores de 20°C (Foto:
La Capilla de Piedra - Los Paramos). |
Mérida é centro de numerosas praças, casas
coloniais, igrejas e demais estruturas históricas
que formam um contexto de interesse turístico e
cultural que não pode deixar de ser visitado. Além
disso, o desenvolvimento educativo da cidade,
promovido pela sua principal universidade (ULA),
contribuiu a criação de museus, bibliotecas e
centros de estudos e observação, como o Centro de
Investigação de Astronomia situado a alguns
quilômetros da cidade e que serve a observação
espacial.
Uma
dica legal é curtir um pouco o parque temático
Venezuela de Antier,
um ótimo local para aprender um pouco mais da
história da Venezuela de forma divertida.
Força sempre!
Atila Barros
Para maiores dicas, aguarde o diário
de bordo de Geni Lobato! |