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31/08/2010
Sitio Arqueológico Moray e Salineiras Maras.
Atila Barros

Muito mais que Machu Picchu e Vale Sagrado, a cidade de Cuzco e seus sítios arqueológicos circo vizinhos despertam a curiosidade de quem a visita. Alem das historias que são contadas em suas ruas centenárias e museus, com um pouco de tempo o passado do império Inca e sua ciência pode ser encontrada a algumas horas do centro da cidade berço desta grande civilização.

Próxima a cidade de Maras a 74 km da cidade de Cuzco, se encontra Moray (3500 MT) um sitio arqueológico único onde estão gigantescos círculos feitos na terra formados por quatro escadarias circulares onde os incas realizavam seus experimentos de agricultura. Estes verdadeiros laboratórios agrícolas ajudaram o império a melhorar sua agricultura e cultivar mais de 24.000 tipos de batatas (Solanum tuberosum) por todo território Tawantinsuyu.

Moray foi o centro de investigação agrícola de Tawantinsuyu dedicado à experimentação de cultivos em torno aos diferentes níveis de altitude. Estes terraços artificiais proporcionavam diferentes micro-climas ao cultivo, logo a cada desnível e posição em que se realizava o plantio, recebia mais ou menos luz, maior ou menor umidade em relação às diferentes altitudes dos Andes.

Estes efeitos alem de ajudar no melhoramento do cultivo originou diversas outras espécies de batatas e raízes resistentes as diversidades climáticas e geográficas em que viviam os antigos peruanos. Das espécies desenvolvidas pelo imperio de Tawantinsuyu catalogadas por especialistas, estas que somam mais de 24.000, hoje só se encontram em produção 4.500. Dentre elas, espécies que só são encontradas em altitudes que passem dos 3000MT.

As tecnologias desenvolvidas nestes centros experimentais agrícolas eram dividas por todo império, da Patagônia chilena ao sul do Equador e Colombia existem vestígios deste avanço agrícola.

Lembrando que a Batata ("papa" na língua quíchua) ou semilha (Solanum tuberosum) é um tubérculo perene pertencente à família das Solanaceae (Solanáceas em português) originária do Peru, e é um dos vegetais mais utilizados no mundo.

 - As escadarias, construídas sobre muros de contenção recheados com terra fértil e regados mediante complexos sistemas de irrigação, permitiam cultivar incontáveis espécies vegetais.

Em Moray há uma grande quantidade de terraços em distribuição circular dentro de uma falha geológica nas montanhas que se assemelha a uma cratera. Estes terraços circulares somam doze, sendo que em direção norte as cinco superiores são semicirculares e as outras sete são circulares. Ao Sul, há evidencias de canais que indicam trabalhos hidráulicos realizados com fins de irrigação destes terraços e uma base retangular que pode ter sido a construção de um depósito ou residência daqueles que cuidavam do lugar. Em direção norte notam-se outras bases de construções em pedra lavrada.

No apogeu de civilização inca, cerca de 1400 DC, a agricultura organizada espalhou-se por todo o império, desde a Colômbia até o Chile, com o cultivo de grãos comestíveis da planície litorânea do pacífico, passando pelos altiplanos andinos e adentrando na planície amazônica oriental.

A chave do sucesso da agricultura inca era a existência de estradas e trilhas que possibilitavam uma boa distribuição das colheitas numa vasta região. O plantio era feito em terraços e já usavam a adiantada técnica das curvas de nível sendo os primeiros a usar o sistema de irrigação. Os incas usavam varas afiadas e arados para revolver o solo, e usavam também a lhama para transporte das colheitas, embora tais animais fornecessem também lã para fazer tecidos, mantas e cordas, couro e carne. Ervas aromáticas e medicinais também eram plantadas e as folhas de coca, eram reservadas para a elite. Toda a produção agrícola era fiscalizada pelos funcionários do império.

Mais adiante existe outro grupo de terraços circulares em número de sete. Em direção sudoeste existem outros terraços circulares, igual que na parte mais alta em direção sul, completando dessa maneira quatro grupos. A distribuição destes quatro grupos de terraços permite uma dinâmica aérea e térmica a qual foi muito bem utilizada pelos agrônomos andinos para os seus cultivos experimentais.

O império Tawantinsuyu tinha como primícia em suas construções; à simetria. Assim como os gregos, deveria existir beleza em todas as razões, a religião estava presente no modo de ser Inca, logo a agricultura também deveria seguir estes conceitos, os terraços de Moray alem de modernos laboratórios agrícolas, são obras de arte desta antiga civilização.

Deixando os terraços de Moray, outra surpreendente atração guardada nas vizinhanças de Cuzco são as salineiras: ou "minas de sal”, localizadas a noroeste do povoado de Maras.

Esta salineira e constituída por 3000 poços pequenos que medem em media 5m². Durante a época de seca os poços se enchem ou são regados a cada três dias com água salinizada que emana de uma nascente natural localizada na parte superior dos poços. O processo é simples, logo que o poço exposto ao sol tem água evaporada, o sal nela contido se solidifica paulatinamente.

Posteriormente o sal é batido e assim granulado; será depois ensacado e enviado aos mercados da região.

Lembrando que o sal em seu estado puro consiste de cloreto de sódio e é encontrado em grande quantidade na natureza. O Sal de cozinha, de mesa ou refinado: é o mais comum e também mais usado para preparar os alimentos; neste sal pelas deve-se ser adicionado iodo para se evitar o bócio.

A visitação as salinas de Moray é aberta podendo o visitante caminhar pelos poços de secagem acompanhando o trabalho de extração do sal.

Os tanques de secagem de sal geram cores surpreendentes que contrastam com o verde do vale onde a mesma esta localizada, parada obrigatória para os amantes de fotografia.

Em Cuzco, deixe as compras de lado e separe um pouco de tempo para estas atrações, curta mais desta fantástica cidade que já foi o coração do Tawantinsuyu.

Força sempre e boas descobertas!
Atila Barros

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