Depois de realizar ótimas Trips dentro e fora do
país, fazer novos amigos, escalar em lugares
maravilhosos e ainda começar a voar de Parapente no
Rio de Janeiro, a vida me pregou uma peça nada boa
neste ano que se vai. Como diria
Joseph Climber: “a
vida é uma caixinha de surpresas,
existem pessoas que não se abatem por nada, até
mesmo os mais terríveis obstáculos, são encarados
como novos e maravilhosos desafios”.
Graças a o bom Deus, eu não perdi um braço e nem
mesmo acabei como peso de papel, mas uma velha
aventura palas terras amazônicas me fizeram lembrar
que não tenho o fator de cura do Wolverine, e estou
perto de entrar pelo cano a qualquer momento.
Treinando forte para encarar uma empreitada de dois
meses com Bruno Castelo nesta virada de ano na
Patagônia, fui surpreendido em uma de minhas
consultas ao Instituto Fio Cruz. Em um exame de
sangue de rotina, meu medico deu a noticia que me
faria parar com tudo e me colocar de molho por um
tempo, a maldita leishmaniose cutânea estava de
volta, teria de refazer o tratamento e encarar mais
vinte doses da vacina.
Em Setembro do ano passado cheguei a escrever sobre
o ocorrido aqui no
site, depois
de um longo tratamento, achei que estava curado da
doença, mas estava enganado, minha idéia de tatuar
um mosquito no local da lesão foi pelo ralo.
Falando um pouco mais da doença, isso para que novos
amigos e aventureiros que andam pelas florestas do
mundo não entrem nessa fria, as leishmanioses são
causadas pelo Leishmania, um parasita microscópico
transmitido pela picada de mosquitos. Cerca de
trinta espécies de insetos podem transportar o
parasita, transmitido a eles por animais domésticos
ou silvestres infectados, como roedores, porcos e
cachorros.
A principal forma de transmissão da leishmaniose é a
picada das fêmeas dos mosquitos flebotomíneos.
Pessoas podem não perceber a presença desses
mosquitos porque eles não fazem barulho ao voar, são
pequenos e suas picadas podem não ser notadas. A
maioria só percebe depois que as feridas abrem (leishmaniose
cutânea) ou quando os médicos já não sabem mais
o que fazer com o paciente (leishmaniose
visceral).
Os mosquitos flebotomíneos geralmente são mais
ativos ao entardecer e à noite. Embora esses
mosquitos sejam menos ativos durante as horas mais
quentes do dia, eles podem picar se forem
perturbados. Algumas espécies do parasita Leishmania
também podem ser transmitidas por transfusões de
sangue ou agulhas contaminadas. Também já foi
registrada transmissão congênita, da mãe grávida
para o bebê.
Pessoas com leishmaniose cutânea têm uma ou mais
feridas na pele. Essas feridas podem mudar de
tamanho e aparência com o tempo. Elas podem terminar
parecendo com um vulcão com uma cratera central
(úlcera). Algumas feridas são cobertas por uma
crosta. As feridas da leishmaniose cutânea podem ser
doloridas ou não. Algumas pessoas têm glândulas
inchadas perto das feridas. Como nem todos os
médicos estão prontos para diagnosticar a doença, é
bem comum mandarem o paciente de volta para casa com
alguns curativos e uma receita indicando
antialérgicos.
Lembro que fiz duas visitas a dermatologistas
diferentes e o diagnóstico foi mesmo, reação
alérgica a picada de mosquito, uma injeção de
Bezetacil (Essa dói!) e volta semana que vem se não
melhorar. O resultado deste descaso pode ser notado
nesta foto.
A
leishmaniose cutânea é a
forma da doença que afeta a pele, causa úlceras no
rosto, nos braços e pernas, o que resulta em sérias
deficiências físicas e problemas sociais. A
leishmaniose mucocutânea, sempre
derivada da forma cutânea, causa ulceração, seguida
da destruição de membranas mucosas e do tecido do
nariz, da boca e da garganta. Ela pode levar à morte
por infecção secundária das vias respiratórias. A
leishmaniose cutânea e a mucocutânea se espalharam
na América Latina desde a época dos Incas: as
máscaras fúnebres sem nariz dão o testemunho da
presença desta doença "que come a carne". O Peru é
um dos países mais afetados por leishmaniose cutânea
e mucocutânea. A Bolívia (Onde eu peguei a minha!),
o Brasil e o Peru contabilizam 90% de todos os casos
mundiais. O número de pessoas infectadas aumentou
consideravelmente desde o início dos anos 80,
seguindo a migração sazonal de agricultores em
grande escala.
A forma mais perigosa da doença, no entanto, é a
leishmaniose visceral ou Calazar. Se
não for tratado, o Calazar é fatal e os sintomas
incluem febre, perda de peso e crescimento anormal
do baço e do fígado. A maioria das pessoas dos
países centrais nunca ouviu falar nesta doença, mas
ela é comum no Brasil, na Índia, no Nepal e em
partes da África Central, sendo conhecida por
devastar populações de cidades inteiras. O Calazar é
algumas vezes visto como uma infecção paralela em
pacientes com HIV/AIDS.
As lesões em meu caso foram no braço esquerdo (leishmaniose
cutânea)
e não incomodavam tanto. Depois do primeiro
tratamento, ou seja, 20 doses da vacina, uma por dia
com cada aplicação durando em media cinco a dez
minutos, as lesões se fecharam em dois meses
deixando cicatrizes que mais parecem buracos de
bala. O difícil é passar pelo tratamento.
Os medicamentos mais usados são baseados em
compostos antimoniais pentavalentes (estibogluconato
de sódio e antimoniato de meglumina), e têm
papel fundamental na terapia mundial há mais de 70
anos. No entanto, o tratamento é doloroso, os
medicamentos são injetáveis (Intravenoso) e
apresentam efeitos colaterais tóxicos, podendo ser
fatais. Além disso, eles já não são eficazes em
algumas partes da Índia, e acho que nem tão eficazes
aqui no Brasil. Depois da décima dose do
medicamento, você parece estar de ressaca todos os
dias, lá para a décima quinta, você parece estar
bêbado todos os dias (Varia de individuo para
individuo!).
Por conta do tratamento realizado em Belo Horizonte,
fiquei fora do circuito por vinte e cinco dias,
longe do trabalho e dos treinos, como a vacina é
muito tóxica, o jeito era comer e dormir, logo
alguns quilinhos a mais. Tive alta do tratamento no
dia 17/12/2009, data do meu aniversario, um presente
e tanto ficar livre da doença e de entrar na agulha
todos os dias. Já estou no Rio de Janeiro e
trabalhando.
Então, se forem encarar áreas de mata que
possivelmente possam estar infestadas com o mosquito
que transmiti a doença, o jeito é passar muito
repelente e andar sempre coberto, nada de bancar o
John Rambo correndo pelo Camboja ou o
Chuck Norris em “O
Espírito da
Floresta” (Duro de ver!), mesmo
que a temperatura peça aquele banho de açude, não
dispense o repelente. Lembrando que alem da
leishmaniose ainda temos a Malaria que também é
outra constante nestas regiões.
Meu medico aconselhou ficar de molho alguns dias
para uma melhor reabilitação antes de voltar às
atividades físicas, mas acho que não vai dar, dia
vinte e cinco de dezembro se Deus quiser eu to
metendo o pé para Patagônia com Bruno. Assim como
Joseph Climber que
até mesmo os mais terríveis obstáculos,
são encarados como novos e maravilhosos desafios,
não vai ser um mosquitinho que vai me deixar de fora
das escaladas de fim de ano.
Força sempre, Feliz Natal e um ótimo 2010!
Atila Barros