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14/01/2009
Piolets - Qual escolher?
Postado por Marcio
Araujo
Info:
Alta Montanha.com
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A escalada em gelo e o moderno dry tooling
necessitam um material sofisticado que se adapte sem
contratempos a terrenos muito variados, porém de uma
leveza e robustez tal que garantam sua facilidade de
uso sem comprometer a segurança do escalador.
Obviamente que não é possível o alpinista ter um
piolet para cada situação, mas sabendo de antemão
qual o estilo de escalada que você mais gosta e
conseqüentemente se desenvolverá mais, é muito mais
fácil comprar o piolet certo.
História do Piolet
Em meados do século 19 os fabricantes que
trabalhavam nas cidades aos pés das grandes alturas
alpinas foram abordados pelos montanhistas que, a
caminho das montanhas, pediam-lhes que modificassem
as ferramentas, na época usadas para o trabalho no
campo, em uma nova ferramenta mais leve e mais
prática para o uso no gelo.
Assim nasceu o piolet!
A cabeça destas ferramentas era forjada a mão com o
melhor aço que estas fábricas podiam dispor:
recuperado das vias férreas, se elaboravam
pacientemente dando quantidades enormes de
marteladas. Mais tarde era acrescentado um cabo de
sólida madeira e uma ponta também vinda da forja.
Apesar dos piolets de hoje estarem muito mais
evoluídos, o desenho de base tem continuado igual,
sendo substituído apenas o sistema de fabricação: Do
artesanal para o industrializado.
Utilização do piolet
O piolet possui três formas básicas de utilização:
1 - Como apoio: É o chamado piolet de travessia.
Possui um cabo longo e a ergonomia da cabeça e da pá
é cômodo para as mãos, e tenha certeza que apesar
deste ítem não parecer muito importante, depois de
pouco tempo a diferença será notada. Se sua intenção
é a de apenas utilizar o piolet como apoio, não
escolha um cabo demasiadamente curto, abaixo dos 55
- 60 centímetros, pois nesse caso, será bem pouca
sua serventia sobre uma crista afilada.
2 - Para talhar degraus: os antigos piolets eram
mais pesados para esta finalidade, assim ficavam
mais eficazes e "potentes". Depois da invenção dos
crampons e da evolução de técnica, esta operação é
muito menos comum. De qualquer forma um "verdadeiro
piolet" deve ser adequado para talhar no gelo apoios
para os pés, para cortar uma cornija ou liberar o
caminho de um trecho instável.
3 - Como ancoragem rápida no gelo: São os chamados
piolets técnicos e é a forma mais comumente vistas
em filmes e em fotos do uso do piolet, apesar de não
ser tão comum assim na montanha. Esta forma é
utilizada para quando se necessita usar o piolet
como tração, ou em outras palavras, como se usaria
um cliff numa escalada em rocha.
Lâminas e cabos de acordo com a atividade
Todas as Lâminas dos piolets técnicos atuais derivam
da famosa curva catenária, empregada habitualmente
na engenharia.
Os alpinistas as conhecem como "lâminas banana" por
seu formato parecido com a fruta. Porém, em função
da geometria do cabo, a inclinação da lâmina varia
para facilitar a penetração, melhorar a tração, ou
simplesmente a estabilidade quando o piolet é
cravado ou quando é só apoiado em furos no gelo ou
na rocha.
Quanto aos cabos, podemos dizer, a grosso modo, da
existência atual de quatro tipos: o primeiro seria o
reto, muito polivalente e válido para escaladas
alpinas de gelo, mas especialmente para ascensões
que alternem o uso de piolet entre tração e bastão.
O segundo formato é representado pelos piolets que,
na parte inferior do cabo, justo no ponto no qual se
empunham, possuem uma pequena curvatura que permite
alojar a mão protegendo-a dos impactos e mantendo o
punho em um ângulo de trabalho mais relaxado.
Válidos para escalada em gelo e dry tooling.
O terceiro grupo inclui os piolets de cabo curvado,
especialmente na parte superior (próximo da cabeça).
O objetivo desta curvatura é permitir a adaptação da
ferramenta a superfícies irregulares sem risco de
que o cabo encoste em saliências fazendo inútil o
trabalho da lâmina. Tratam-se de piolets adaptados
tanto para gelo de cascata como de alta montanha.
O quarto grupo é o dos piolets de alta tecnologia,
de cabo exageradamente curvado, pensados para
conseguir uma estabilidade excepcional em ancoragens
extremas de gelo ou dry tooling. Os cabos
agressivos, com empunhaduras e desenho anatômico,
protegem de forma incrível a mão do usuário, e as
lâminas são tão finas que a penetração em todo tipo
de gelo se torna uma simples brincadeira aonde se
investe muito pouca energia. Contudo são piolets
pouco úteis para a escalada em montanha, tanto pela
sua falta de robustez, quanto pela periculosidade de
ocorrência de um acidente.
Dragoneras: Um complemento imprescindível
Embora atualmente os alpinistas mais destacados do
mundo flertem com o vôo ao vazio eliminando as
dragoneras de seus piolets técnicos, a verdade é que
para escaladores médios ou de alto nível que busquem
segurança em sua máxima expressão se trata de
complementos imprescindíveis. A linha Charlet Moser
oferece, basicamente, dois tipos de dragoneras: as
fixas com o piolet (Saf Lock) e as automáticas, que
podem ser separadas do cabo para facilitar operações
como a colocação de parafusos (Saf Lock Clipper). A
recomendação é empregar ao menos uma automática em
um dos dois piolets: o empunhado pela "mão hábil". O
modo que for regulada a dragonera repercutirá no
rendimento do piolet e a comodidade do usuário.
Como afiar o piolet
Usar uma lima de dentes finos e nunca uma grossa que
pode danificar o tratamento térmico com uma
temperatura excessiva. Quanto mais duro for o gelo,
mais deverá ser afiado, contudo, também se
desgastará antes. Pode-se dar à ponta um ângulo
positivo ou negativo. Um ângulo positivo talha com
maior facilidade o gelo, mas é mais frágil quando
golpeia contra a rocha. Um ângulo negativo talha
melhor os degraus sem permanecer cravado e em caso
de uma autodetenção, devido a um possível
escorregão, terá uma freada mais suave, sem trancos.
Considerações Úteis
- Não aquecer nunca as partes de aço, por nenhum
motivo, o tratamento térmico resultaria danificado e
com isso a resistência e durabilidade do piolet.
- Não golpear o cabo do piolet contra os crampons
para fazer a limpeza de eventuais acúmulos de neve,
pode danificar o verniz ou a borracha. Dentro dos
limites razoáveis isso não compromete a integridade
da ferramenta, somente seu aspecto estético.
Um piolet será um fiel aliado por longo tempo,
procurar um modelo de boas características
técnico-construtivas, com o tempo esquecerá o preço
inicial e a cada investida à montanha levará consigo
algo que vale a pena.
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