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Puno - Peru, sítios
arqueológicos ao alcance de todos!
Uros, Sillustani e
Templo da Fertilidade
Atila Barros
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Puno é porta de entrada para a maioria dos
mochileiros, turistas e aventureiros, que buscam
cidades como Cuzco e Arequipa, vindo da Bolívia por
Copacabana, porém a maioria destes não sabe a
quantidade de riquezas arqueológicas que esta cidade
possui.
Antes de sair correndo para rodoviária, desesperado
por um ônibus que te leve a Cuzco, Lima ou Arequipa,
pare um pouco e tente ver o que esta cidade tem para
oferecer.
Nesta matéria, escolhi três atrações de fácil acesso
para conhecer melhor a história Pré-inca que corre
por entre as
planícies e montanhas desta cidade.
Uros
A
atração principal da cidade são as Ilhas flutuantes,
ou Uros. Os Uros são ilhotas artificiais feitas por
habitantes do lago Titicaca em Puno, Peru. A
construção e habitação destas ilhotas remontam ao
período pré-inca, quando estas ilhas eram habitadas
por um povo homônimo, os Uros. Esse povo escolheu
viver nos Uros por uma questão de segurança: as
ilhotas flutuando nas águas do Lago Titicaca
facilitavam a fuga em caso de ameaças em terra
firme. Por este motivo na maior parte das ilhas dos
Uros era construída uma torre de observação.
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Os Uros são feitos de Totora (Schoenoplectus
californicus),
uma subespécie de planta que também deu
origem ao papiro. A Totora também era usada
para construções de embarcações, além de
fazer parte da culinária e da medicina dos
Uros. Essa planta é muito comum no lago
Titicaca e na Costa Leste do Pacífico. A
Totora é usada devido a sua alta densidade,
capaz de suportar o peso da ilha. |
As
ilhas flutuantes são construídas com grande
quantidade de Totora, amontoadas e amarradas por
cordas e madeira, formando um grande e extenso bloco
único que depois é fixado no fundo do lado. Estas
armações podem ser deslocadas como uma grande
plataforma flutuante. Esta teria sido a técnica
utilizada para mover o povo em tempos de conflitos
com os povos vizinhos. Os residentes dos Uros
conseguiam sobreviver nas ilhas através da pesca e
da caça de aves. O alimento era preparado em fogões
de pedra na própria ilha, o que fazia deste povo
nômade e com pouca necessidade de estar em terra
firme. Em média um Uro dura 30 anos se este receber
manutenção esporadicamente.
Atualmente, existe cerca de três mil Uros no Lago
Titicaca. Destes, apenas algumas centenas ainda
vivem nas ilhas, a maior parte se estabeleceu em
terra firme. Mesmo os Uros que vivem nas ilhotas são
receptivos às inovações tecnológicas, como motores e
rádios. Além disso, os Uros conseguem recursos
através dos turistas que visitam as ilhotas todos os
anos.
Sillustani
Saindo do grande lago, é hora de conhecer um lugar
alem da imaginação, Sillustani.
Trata-se da zona arqueológica localizada exatamente
a 34 quilômetros da capital, catalogada como uma das
necrópoles mais importante do mundo. Define-se como
uma grande explanada rodeada pela lagoa de Umayo.
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Ali se pode apreciar um cemitério de
impressionantes tumbas pertencentes à
cultura Kolla (1200-1450), desenvolvida na
parte norte da lagoa, na localidade
conhecida como Hatuncolla. A forma
particular das tumbas, troncos de cone
invertidos, chamados chullpas, são
construções que se localizam, embora em um
número menor, em outros vários locais do
altiplano, como Acora ou Ilave (chegam a
atingir 12 metros de altura). Estas
torres circulares
de pedra foram erguidas para guardar os
restos mortais das principais autoridades do
antigo povo Colla.
O culto ao parentesco ancestral era parte
integrante da cultura aymara, e as chullpas
foram construídas para enfatizar a ligação
entre a vida e a morte. O interior dos
túmulos foi moldado como o útero de uma
mulher, logo os cadáveres foram mumificados
em posição fetal para recriar o ciclo do
nascimento. |
Algumas das tumbas possuem lagartos esculpidos na
pedra, isso porque eles podiam perder sua calda e
logo as recuperar. Esses animais se tornaram símbolo
da vida para o povo Colla.
As chullpas possuem uma única abertura o leste, onde
se acreditava iniciar o ciclo da vida dada pela mãe
terra a cada dia.
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A arquitetura do local é muitas vezes
considerada mais complexa do que as forma de
construir dos povos incaicos. Em contraste
com os incas que usaram pedras de diferentes
formas para construir, os Colla poliam as
rochas em forma retangular e podiam dar
formas arredondadas a bordas dos blocos.
Especula-se que durante a conquista Inca, a
tecnologia Colla tenha sido introduzida no
conceito arquitetônico Incaico, já que estes
se tornaram escravos dos Incas. |
Embora as chullpas não sejam exclusivas de
Sillustani podendo ser encontrada em todo o
Altiplano, Sillustani é considerado o melhor e mais
preservado exemplo delas.
Como Sillustani esta bem afastada de Puno, é
necessário entrar em contato com uma agência e pagar
por um passeio completo as ruínas.
Templo da Fertilidade
A 18 km da cidade de Puno fica o distrito Chucuito,
localizado numa região de grande beleza às margens
do lago Titicaca, onde está localizado o Templo da
Fertilidade. Um sitio arqueológico pequeno, porém
repleto de curiosidades e obras bem conservadas.
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O sitio conta com um templo dedicado a
fertilidade, e a adivinhação do sexo dos
bebes durante a gestação. Também pertencente
à cultura Colla, esta construção esta
adornada com inúmeros falos de pedra, que
simbolizam a virilidade masculina. A
preferência por filhos homens levaram a
construção do templo e criação do culto,
onde só poderiam participar mulheres. Neste
templo as mulheres tomavam acentos em bancos
de rocha de formato fálico. |
No centro do templo existe um grande falo de pedra,
onde possivelmente a mulher grávida era examinada, e
dada à sorte de ter um filho homem.
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O templo foi quase todo destruído durante a
conquista espanhola. A pedido da igreja os
falos foram desmontados, porém um deles
adorna o topo da torre da igreja que está na
praça principal de Chucuito. O sitio
arqueológico do Templo da Fertilidade, mesmo
que reconstituído, ainda está em ótimas
condições, e pode ser visitado pagando-se
uma pequena taxa de entrada.
Em Chucuito além
do sitio arqueológico, pode se comer uma
ótima truta em uma das inúmeras
tendas-restaurantes do vilarejo. Não é
necessário comprar um passeio para se
visitar o templo, tome um táxi no centro de
Puno, e por algumas moedas você ira conhecer
um dos mais inusitados sítios arqueológicos
do Peru. |
A história pré-inca nesta cidade é riquíssima, e sua
cultura é de fácil acesso a todos os turistas. Há
também, o complexo arqueológico de Cutimbo, um
cemitério pré-hispânico das culturas Colla e Lupaca,
onde existem pinturas rupestres de 8000 anos, que
estão dispostas bem na estrada, na altura do km 22,
no sentido Puno-Moquegua. Para todos os lados que se
olha, se descobre algo.
Aproveite melhor sua viagem buscando conhecimento
por onde estiver passando. Consulte livros e
internet antes de escolher seu destino, ou você vai
acabar como a maioria dos turistas que só olham para
Machu Picchu, e esquece o mundo de
belezas que estão no caminho até Cuzco.
Força sempre e boas aventuras!
Atila Barros
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