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08/01/2008 |
São apenas 18 km² de
terras áridas, originárias das erupções de quatro
vulcões, hoje inativos. Pertencente ao Chile, ela é
a porção de terra habitada mais isolada do restante
da humanidade, em todo o Planeta. Qualquer terra
mais próxima, está a uma distância de 3000 a 3200km,
por isso os pascoanos chamam-na de "umbigo do
mundo"; é de imensa solidão, cercada pelas águas
perigosas do sul do Oceano Pacífico. Este pequeno
pedaço de terra da Oceania foi descoberto, por
acaso, pelo almirante holandês Jacob Roggeven,
justamente num domingo de Páscoa de 1772; mais
tarde, foi rebatizada pelos espanhóis, com o nome do
santo protetor de seu imperador, passando a constar
nos seus mapas náuticos como Ilha de São Carlos.
Atualmente, é designada pelos pasquenses de Rapa-Nui.
São centenas de homens
gigantescos espalhados pela pequena superfície da
ilha, ao todo, mais de mil. Têm sempre no rosto a
mesma expressão e parecem vigiar os horizontes desde
todos tempos, com olhar distante e sereno.
Colossais, imponentes, insondáveis. Muito se estudou
e se estuda sobre eles e, no entanto, continuam
sendo um dos mais inexplicáveis mistérios do planeta
Terra.
Famosa por suas enormes
estátuas de pedra, faz parte da V Região de
Valparaíso, pertencente ao Chile. Em rapanui, o
idioma local, é denominada Rapa Nui (ilha grande),
Te pito o te henúa (umbigo do mundo) e Mata ki te
rangi (olhos fixados no céu).
Páscoa é uma ilha vulcânica, seu território tem a
forma triangular e é o pedaço de terra mais isolado
do mundo, no limite da Polinésia Oriental. Sua
origem consiste em três vulcões que emergiram do mar
um junto ao outro, em tempos diferentes, nos últimos
milhões de anos, e têm estado adormecidos ao longo
da história de ocupação da ilha. O mais antigo deles
é o Poike, que entrou em erupção há cerca de 600 mil
anos, formando o canto sul do triângulo.
A sua topografia é
suave, sem vales profundos, exceto suas crateras e
encostas íngremes e cones de escória vulcânica. A
geografia de Páscoa sempre representou grandes
desafios para seus colonizadores, como até hoje
ainda o é. Seu clima, embora quente para os padrões
europeus e norte-americanos, é frio para os padrões
da maioria das ilhas da Polinésia. Tanto que plantas
importantes, como o coco (introduzido em Páscoa
somente em tempos modernos), não se desenvolvem bem
na ilha, e a fruta-pão (também recentemente
introduzida), e sendo Páscoa um lugar ventoso, cai
do pé antes do tempo.
Todos esses fatores
resultam em menos fontes de alimento. Além do que, a
chuva – cuja precipitação média anual é de 1.300 mm,
aparentemente abundante, infiltra-se rapidamente no
solo vulcânico e poroso da ilha. Há, portanto,
limitação de água potável. Somente com muito esforço
os insulares obtêm água suficiente para beber,
cozinhar e cultivar.
Na pré-história humana, até 1.200 a.C, a expansão
polinésia é contada como uma das explorações
marítimas mais dramáticas. Povos vindos do
continente asiático – agricultores, navegadores,
aparentemente originários do arquipélago de Bismark,
a noroeste da Nova Guiné, atravessaram quase dois
mil quilômetros de mar aberto, a bordo de canoas,
para atingir as ilhas da Polinésia Ocidental de Fiji,
Samoa e Tonga. Os polinésios, apesar da ausência de
bússolas, instrumentos de metal e escrita, eram
mestres da arte da navegação e da tecnologia de
canoas a vela. Seus ancestrais produziam uma
cerâmica conhecida como estilo lapita.
A rota mais provável
para a colonização de Páscoa deve ter sido a partir
das ilhas de Mangareva, Pitcairn e Henderson, as
duas últimas funcionando como trampolins visto que
uma viagem direta de Mangareva à Páscoa dura cerca
de 17 dias, principalmente transportando produtos
essenciais para a sobrevivência da colônia. A
transferência de muitas espécies de plantas e
animais – de taro a bananas e de porcos a cachorros
e galinhas, não deixam dúvidas sobre o planejamento
da ocupação de Páscoa pelos seus colonizadores.
É incerta a data de ocupação de Páscoa, tanto quanto
é incerta a data de colonização das ilhas
polinésias. Publicações sobre a ilha de Páscoa
registram sua possível ocupação entre 300-400 d.C.,
com base em cálculos de tempo a partir de
divergências lingüísticas – técnica conhecida como
glotocronologia, e em datações radiocarbônicas de
carvão, além de sedimentos lacustres. Entretanto,
especialistas na história de Páscoa questionam tais
cálculos, considerados precários quando aplicados a
idiomas complexos como o pascoense conhecido
por nós principalmente através de, e possivelmente
contaminado por, informantes taitianos e marquesanos."
Datações radiocarbônicas
mais confiáveis – obtidas através de amostras de
carvão e de ossos de golfinhos – que serviram de
alimento para seres humanos – extraídas das mais
antigas camadas arqueológicas, oferecem prova de
presença humana na praia de Anakena. A datação dos
ossos de golfinhos foi realizada pelo método EMA
(Espectrometria de Massa com Acelerador). Estima-se,
portanto, a primeira ocupação de Páscoa em algum
tempo antes de 900 d.C. Por volta de 1.200 d.C. os
polinésios expandiam suas rotas até Nova Zelândia,
completando a ocupação das ilhas habitáveis do
Pacífico.
Há evidências de que os insulares de Páscoa eram
típicos polinésios, vindos da Ásia em vez da
América. Sua cultura (incluindo os moais) saiu da
cultura polinésia. Falavam um dialeto polinésio
oriental relacionado ao das ilhas do Havaí e das
Marquesas (semelhante ao dialeto conhecido como
antigo mangarevano). Seus instrumentos (arpões,
anzóis, enxós de pedra, limas de coral) eram
polinésios e assemelhavam-se a antigos modelos das
ilhas Marquesas. Muitos de seus crânios apresentavam
uma característica polinésia conhecida como
“mandíbula oscilante”. Amostras recolhidas de 12
esqueletos enterrados nas plataformas foram
analisados e todos possuíam uma deleção de
nove pares de bases e três substituições de bases
presentes na maioria dos polinésios. Este
estudo de DNA comprova que duas dessas três
substituições de bases não ocorrem nos nativos
americanos, contrariando a tese do explorador
norueguês Thor Heyerdahl de que a ilha de Páscoa
fora colonizada através do Pacífico oriental, por
sociedades indígenas avançadas da América do Sul.
A História
A primeira expedição a visitar Páscoa foi a do
espanhol Gonzalez (1770), que nada registrou além de
diários de bordo. A 5 de abril de 1722, o explorador
neerlandês Jacob Roggeveen atravessou o Pacífico
partindo do Chile em três grandes navios europeus, e
após 17 dias de viagem desembarca na ilha num
domingo de Páscoa, daí o seu nome, que permanece até
hoje.
Em 1870, comerciantes
europeus tomaram posse das terras e introduziram
ovinos na ilha. Em 1888, o governo chileno anexou
Páscoa, que se tornou uma fazenda de ovelhas
administrada por uma empresa escocesa estabelecida
no Chile. Os insulares, todos eles, foram obrigados
a trabalhar para a empresa contra o pagamento de
bens e víveres. Em 1914, os insulares se revoltaram
contra a exploração escrava, porém foram dominados
com a chegada de um navio de guerra chileno. Somente
em 1966 os insulares se tornaram cidadãos chilenos.
Os insulares e chilenos nascidos no continente são
em número igual aos nativos. Ainda hoje existe
tensão entre eles, porém renasce no pascoense o
orgulho cultural e sua economia é estimulada pelo
turismo: são diversos vôos semanais vindos de
Santiago e do Taiti, realizados por empresa aérea
estatal do Chile, transportando visitantes atraídos
pelas famosas estátuas.
As estátuas foram
construídas, sem dúvida, por mãos treinadas. Alguns
Orelhas-Longas foram formados Mestres-Escultores. As
ferramentas para esculpir se reduziam a pedras
pontiagudas de basalto, muito farto na ilha, por
sinal. Os Moais eram esculpidos na pedra sempre com
a barriga para cima. As costas, praticamente planas,
eram a última parte da estátua que os escultores se
ocupavam.
Faziam por debaixo do gigante uma quilha e, uma vez
terminado, o amarravam a fortes estacas com cordas,
onde grupos de homens seguravam as pontas.
Soltavam-no por baixo, deixando-o descer pelas
encostas da pedreira, em um corredor de pequenas
pedras previamente construído, até uma cavidade
especial ao final do corredor. Controlavam sua
velocidade de queda através das cordas. Ali a
estátua aguardaria o posterior transporte, ereta e
apoiada na cavidade. Também neste ponto receberia os
acabamentos finais, a exceção dos olhos.
A teoria prevê um
intricado sistema de cordas (cabos de fibras
trançadas) amarradas na cabeça e na parte inferior
do Moai. Várias pontas de cordas ficariam soltas.
Dezenas de pessoas formariam dois círculos
concêntricos em torno do Moai ereto. Cada grupo de
várias pessoas ficaria responsável pela sua
respectiva ponta de corda.
De forma sincronizada e com grande organização,
alguns grupos, puxando as cordas, se preocupariam em
inclinar o Moai lateralmente e os demais grupos
forçariam o avanço frontal do lado levantado. Em uma
nova fase inclinariam para o outro lado e mais um
avanço frontal. Com isso o Moai se deslocaria alguns
centímetros gerando a impressão de que o gigante
estaria andando. Este procedimento, repetido
inúmeras vezes, garantiria a viagem do Moai da
pedreira do Rano-Raraku até seu respectivo Ahu, onde
este estivesse na ilha.
Em outras palavras, os Moais eram transportados
usando a mesma técnica que uma dona de casa utiliza
para deslocar sua geladeira de um canto ao outro da
cozinha.
Em meados da década de oitenta (deste século),
Pavel-Pavel testou sua teoria utilizando vários
voluntários selecionados na própria ilha e obteve
sucesso. Todo o evento fora supervisionado pelo
antropólogo Thor Heyerdahl.
Em relação a colocação dos Moais em cima dos Ahus, o
processo era ainda mais simples: A estátua
"caminhava" até seu Ahu, coberta de junco e toda
amarrada por cordas, ereta por ação dos Hanau-eepe
transportadores. Ao chegar defronte ao Ahu que iria
locar, davam meia volta, deixando agora a estátua de
costas para o Ahu, contudo bem próxima. O próximo
passo era deitar o Moai com a barriga para baixo. Se
o Moai possuísse Pukao, este era então amarrado na
cabeça da estátua neste momento. Continuando, várias
toras de madeira eram usadas como alavancas. A cada
centímetro levantado, pedras pequenas seriam
colocadas embaixo do Moai. Esta operação era
repetida até que o Moai ficasse na altura do Ahu,
com uma pequena montanha de pedras debaixo de sua
barriga. A partir de então, outras pedras eram
colocadas embaixo do Moai fazendo com que o gigante
rotacionasse de noventa graus ficando novamente
ereto, agora em cima do Ahu. Uma vez desamarrado e
com os juncos retirados, a estátua estava pronta
para receber os olhos e a Cerimônia para
Entronização de seu Mana.
(Fonte: "O ARQUEÓLOGO - Ciência e Misticismo
nos Mistérios da Ilha de Páscoa", de Felix Diniz.)
A Lenda explica as
únicas estátuas que olham para o mar.
A chegada dos
primeiros colonizadores da Polinésia à ilha de
Páscoa é contada na lenda do rei Hotu Matu, a qual
faz referência a sete navegantes. Estes poderiam,
segundo alguns arqueólogos, ter sido homenageados
pelos sete moai de Ahu Akivi, os únicos na ilha que
olham para o mar, justamente em direção à Polinésia.
No final da lenda, há um detalhe sentimental que
humaniza a narração e a faz mais verossimilhante.
Antes de empreender o
êxodo, porém, mandou na frente uma expedição de
reconhecimento à terra de sua próxima residência.
Sete navegantes zarparam para o leste, na direção do
sol, e chegaram a Rapa Nui. Procuraram uma parte
plana para poder desembarcar. Na primeira baía não
havia condição, porque era muito pequena. Após
outras tentativas, finalmente descobriram uma baía
adequada, da qual exploraram a ilha inteira e
regressaram a Hiva.
O rei desembarcou na praia da baía de Anakena. Havia
vários barcos, cada um transportava centenas de
pessoas.
Todas desceram gritando e gesticulando e beijaram a
terra. Meninos pisavam timidamente na areia, homens
e mulheres iam e vinham para descarregar dos barcos
os alimentos e seus pertences.
Finalmente o rei inspecionou a praia que seria sua
nova residência. Logo mandou construir uma casa para
ele e outra para sua mulher. As casas apontavam para
o mar, agora em direção oeste, onde o sol se põe.
O arquiteto das casas, Nuku Kehu, por sua vez, se
entristecia ao olhar para o sol que descia em
direção à ilha de Hiva, pois sua mulher havia
morrido lá .
Make Make
Outra lenda conta os atos de Make Make, o único deus
de Rapa Nui. Ele estava sozinho e isso não era bom.
Apanhou uma cuia cheia de água e olhou dentro dela.
Observando o reflexo de seu semblante no líquido,
disse: "Salve, jovem! Que bonito és, estás parecido
comigo".
Make Make fez um orifício na cuia e tentou fecundar
a água, mas abundaram somente peixinhos, chamados "parokos".
O trabalho não resultou em nada. O deus pegou então
uma pedra, fez um orifício nela e tentou fecundá-la.
Tampouco resultou em algo.
Make Make voltou a trabalhar, amontoou terra, fez
nela um orifício e a fecundou. O resultado, dessa
vez, foi o homem.
O Rongo Rongo
![]() |
O Rongorongo é o sistema de escrita dos povos da Ilha que, apesar de diversas tentativas, ainda não foi completamente decifrado. |
A maioria dos
especialistas em Páscoa conclui que a invenção do
Rongo-rongo foi inspirada pelo primeiro contato dos
insulares com a escrita (desembarque espanhol de
1770), ou pelo trauma da escravidão quando, por
volta de 1805 - ano mais sombrio da história de
Páscoa - duas dúzias de navios peruanos sequestraram
a metade da população (1500 pascoenses) e os
venderam em um leilão para trabalho escravo nas
minas peruanas de guano. A maioria dos sequestrados
morreu em cativeiro. Os 15 sobreviventes, devido a
pressões internacionais, foram repatriados e
trouxeram varíola para os que moravam na ilha
causando grande morte entre os moradores.
Entretanto, os doze séculos transcorridos entre a
chegada dos primeiros intrépidos "colonos" -cerca do
ano 500 d.C. - e o "descobrimento" da ilha pelo
almirante holandês Jacob Roggeveen, em 1722,
permanecem como um dos períodos mais obscuros da era
moderna. Ao chegarem os marinheiros europeus à ilha,
os indígenas não puderam explicar como tinham sido
construídos e transportados os megalitos moai, o
maior dos quais excede 18 metros de altura.
Tampouco puderam decifrar as pranchas "rongo rongo",
cujos hieróglifos podem ser uma forma de linguagem
já esquecida. Esta antiga arte se perdeu em um
passado que conheceu o louvor dos ancestrais, a
construção de monumentos, o crescimento da
população, o desmatamento, a escassez de
mantimentos, o feudalismo e, inclusive, em ocasiões,
o canibalismo.
O mistério destes artesãos desaparecidos e a
presença aterradora de sua obra continuam atraindo
cientistas e estudiosos de todo o globo.
Atualmente, o Parque Nacional rapa Nui protege a
maioria dos sítios arqueológicos da ilha. Bosques de
toromiro que no passado deram sombra à ilha estão em
processo de reflorestamento. Possibilidades para
realizar caminhadas, rodeios, viagens de bicicletas
e ascensões à montanha abundam. Um rico ecossistema
marinho composto de coloridos corais e peixes
tropicais atraem mergulhadores de todo o mundo.
Força sempre e boa viagem!
Atila Barros














