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A última foto: Ronaldo, Alexandre, Mozart, Dálio e Othon posam ao pé do Aconcágua 22/02/2009
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Leandro Mendonça

 - Como dizia nosso querido Renato Russo, "..é tão estranho os bons morrem jovens."

Tragédia anunciada (11/02/98)
Alpinistas brasileiros desafiam conselhos e adversidades e morrem em avalanche nos Andes

Roberta Paixão, de Puente del Inca.

Faltavam poucos minutos para as 8 horas da noite de terça-feira, o sol ainda brilhava forte sobre a Cordilheira dos Andes, quando o rádio VHF do montanhista paranaense Dálio Zippin Neto, 30 anos, começou a emitir ruídos. Deitado dentro de uma barraca cravada sobre uma plataforma de gelo, a 4.000 metros nas encostas do Monte Aconcágua, na fronteira da Argentina com o Chile, Dalio estremeceu ao atender ao chamado. "Por favor, alguém nos ajude, houve um acidente grave", gritava do outro lado Othon Leonardos, um brasiliense de 23 anos. "O Mozart morreu! O Mozart morreu!", repetia. "O Alexandre está lá embaixo!"

Naquele momento, Othon estava pendurado sobre um abismo, seguro apenas por uma corda que lhe estraçalhava os músculos da perna. Abaixo dele, dois outros montanhistas os cariocas Mozart Catão e Alexandre Oliveira estavam mortos. Os três foram colhidos por uma avalanche de pedras e gelo quando tentavam alcançar o cume do Aconcágua, a montanha mais alta da América do Sul, com 6.959 metros. Quando o acidente aconteceu, Othon, Mozart e Alexandre estavam a 6.150 metros, a apenas 800 metros de seu objetivo. Dálio e outro integrante da expedição, o também paranaense Ronaldo Frazen Júnior, tinham ficado no acampamento-base, a 6 quilômetros de distância, e se salvaram.

Quando a avalanche aconteceu, Mozart e Alexandre foram arrastados montanha abaixo. Othon ficou pendurado por uma corda de 60 metros com o corpo virado para o paredão gelado. Nessa posição, conseguiu pegar o rádio na mochila e discar o número 142800, a freqüência do Parque Provincial do Aconcágua, na qual seus companheiros do acompamento-base estavam sintonizados. Suspenso sobre o abismo, com as pernas quebradas pelo impacto da corda na hora da avalanche, ele ainda conversou com Dálio e Ronaldo pelo rádio durante duas horas e meia. Depois morreu congelado. "Quando o rádio parou de fazer ruído, por volta das 22h30, percebi que não havia mais esperança", contou Dálio a VEJA no vilerajo argentino de Puente del Inca, situado na base do Aconcágua, na última sexta-feira. "Antes de morrer, ele me pediu para dizer ao pai e à mãe que os amava. Também pediu que tomássemos uma garrafa de vinho por ele. Depois ficou em silêncio."

Imprudência O que produziu a tragédia da semana passada nos Andes foi em boa parte resultado da imprudência. Os cinco brasileiros tinham ido aos Andes com a missão de escalar o Aconcágua pela chamada face sul. É um percurso considerado muito perigoso, não tanto pelo esforço exigido na escalada, mas pelos riscos que envolve. O trecho em que se encontravam os alpinistas é uma parede vertical de rocha e gelo açoitada por ventos fortíssimos. À noite, a temperatura cai para 30 graus negativos. O pior são as avalanches. Nesta época do ano, elas acontecem ao ritmo de dez por dia, o que torna qualquer tentativa de chegar ao topo um desafio extremamente arriscado.

Além do gosto puro e simples pela aventura, os brasileiros estavam no Aconcágua motivados pelo dinheiro do patrocínio. Mozart Catão, o chefe da expedição, tinha um contrato de 90.000 reais com a Petrobrás pelo qual se comprometia a divulgar o nome da empresa em todas as aparições em fotos e vídeos. Pelos termos do contrato, ele recebeu parte do dinheiro antes de partir. A outra receberia só na volta, com a condição de conseguir chegar ao topo da montanha. "Nós queremos retorno em mídia, se a expedição não vai para a frente nós cancelamos o contrato", diz Milton Costa Filho, coordenador de projetos internacionais da Petrobrás. "Quando chegamos a Mendoza, na Argentina, o Litos Sandres, um montanhista que já fez a face sul, recomendou que não fossemos", conta o sobrevivente Dálio. "Disse que seria uma roleta-russa. Mas o Mozart queria porque daria mais divulgação."

Rivalidade Dos três alpinistas mortos, Mozart era o mais experiente. Tinha sido o primeiro brasileiro a chegar ao topo do Monte Everest, a montanha mais alta da Terra, em 1995. A façanha foi realizada junto com o paranaense Waldemar Niclevicz, mas os dois brigaram logo depois de descer do Everest. Rivais desde então, estavam envolvidos numa corrida na qual cada um pretendia ser o primeiro brasileiro a escalar o ponto mais alto de cada um dos sete continentes.

Foto: Divulgação Foto: Roberto Jayme

Waldemar havia completado o desafio em novembro do ano passado, ao escalar o Monte Carstenz, na Indonésia. Mozart, que não tinha conseguido autorização do governo indonésio para escalar o Carstenz também a única montanha que lhe faltava , decidiu dar o troco propondo ao seu patrocinador o projeto para se tornar o primeiro brasileiro a superar a face sul do Aconcágua. "O que matou Mozart foi a disputa que ele travava com o desafeto Waldemar Niclevicz", diz o empresário Oskar Metsavaht, amigo de Mozart. Desde 1926, ano em que a estatística começou a ser feita, o Aconcágua já matou 85 montanhistas 79 homens e seis mulheres.

Somente nesta temporada, que começou em novembro e vai até o fim de fevereiro, morreram oito. Entre as vítimas está o capitão do Exército brasileiro Vércio Yudi Fujihara, 37 anos. Ele desapareceu no início de janeiro, quando subia a Rota dos Polacos, na face leste. Fazia parte de uma equipe de três montanhistas. No meio da escalada, o mau tempo fez com que seus dois companheiros desistissem. Fujihara continuou sozinho e nunca mais foi visto. Nos últimos sete anos, a afluência de visitantes ao Aconcágua tem crescido cada vez mais. "O problema é que virou moda", reclama Pablo Perelló, chefe da guarda do parque onde está situada a montanha. "As agências de turismo vendem o monte como lugar de trekking. E ele não serve para isso." Das 2.800 pessoas que passaram por lá neste ano, apenas onze se aventuraram pelas escarpas da face sul. Entre elas estão os três brasileiros mortos na semana passada.

Mozart Catão, no Everest, e com Niclevicz, em Brasília: façanha e rivalidade

O primeiro alpinista a chegar, oficialmente, ao cume do Aconcágua foi Matthias Zurbriggen, em 1897. Existem, no entanto, evidências arqueológicas de que suas trilhas eram freqüentadas por tribos indígenas da região, como os aimarás e os incas. Estes últimos deram à montanha o nome de Aconcahua, que em quíchua quer dizer sentinela branca. Existem três maneiras de atingir o cume da montanha: pelas faces oeste, leste e sul. As duas primeiras são as mais fáceis e numa delas praticamente não há escalada. Chega-se ao pico caminhando. A face sul é diferente.

O trajeto alterna geleiras o ano inteiro, inclusive no verão, com trechos em rocha. "As técnicas e equipamentos para escalada em rocha e em neve são muito diferentes, e essa mistura torna a face sul muito complicada", diz o paulista Luiz Alberto Martinez, que há dez anos escalou o Aconcágua.

Tontura e vômito O maior perigo, no entanto, são as mudanças bruscas no clima. A montanha é continuamente varrida por ventos de mais de 200 quilômetros horários e, neste ano, em função do El Niño, as geleiras no topo estão muito instáveis, resultando em freqüentes avalanches. O paulista Luiz Makoto Ishibe, 37 anos, um dos mais experientes montanhistas brasileiros, conta que esteve na face sul do Aconcágua duas vezes, mas cancelou a subida por causa do mau tempo. Numa das ocasiões, esperou dez dias até que os ventos amainassem. "Não existe escalada com hora marcada", diz ele. "A montanha não tem horário. Se entrar mau tempo, não se enfrenta a montanha, simplesmente se espera." Antes da viagem dos cinco brasileiros à Argentina, Makoto conversou com Ronaldo Frazen, seu amigo, e aconselhou-o a não continuar a aventura se estivesse nevando. Ronaldo desistiu da subida e salvou-se. Waldemar Niclevicz também esteve duas vezes na face sul do Aconcágua e não chegou ao topo. As tentativas terminaram sempre debaixo de impressionantes tempestades de neve. "Para subir a face sul é preciso que o tempo esteja muito bom", diz Niclevicz. "Não pode haver nevasca nem sol forte."

Dálio e Ronaldo, os dois sobreviventes da tragédia, contam que desistiram de ir até o topo quatro dias antes porque não conseguiram se aclimatar à altitude. "Comecei a sentir tonturas e ânsia de vômito e percebi que não conseguiria ir até o fim", conta Dálio. No momento do acidente, Mozart, Alexandre e Othon estavam na Rampa Messner, um platô de gelo, onde montariam o acampamento para passar a noite e tentar vencer os 800 metros finais no dia seguinte. Ao ouvir o chamado de Othon pelo rádio, depois do acidente, Dálio e Ronaldo pediram ajuda à polícia da montanha. Foram informados de que, àquela hora da noite, não havia meios de levar nenhum socorro ao local. Sem alternativa, os dois ficaram tentando animar o companheiro pelo rádio. "Falamos para ele tentar pegar na mochila o saco de dormir e o bivaque, um isolante térmico", conta Ronaldo Frazen. "Ele pegou, mas não conseguiu colocá-lo e jogou a mochila fora." Com o cair da noite, por volta de 9 horas, o frio aumentou. Nesse momento, Othon relatou que já não sentia os pés e as pernas congeladas. "Depois ele foi ficando cada vez mais cansado e sua voz foi sumindo", contou Ronaldo na sexta-feira. "No dia seguinte, ainda dava para ver de binóculo dois pontos amarelos na montanha. Eram as roupas deles sobre o gelo."

Manobra fatal

A cada verão europeu, os Alpes transformam-se num parque de diversões mortal. Sessenta pessoas, em média, morrem a cada temporada escalando montanhas. A maioria dos acidentes é causada por imprudência dos montanhistas. Nada se compara, no entanto, à tragédia ocorrida na última terça-feira na estação de inverno de Cavalese, na província de Trento, norte da Itália. Em vôo rasante, um avião da Marinha americana se chocou com os cabos de aço que sustentavam o teleférico da estação, causando a morte de vinte turistas. O avião, um EA-6B Prowler, voava a apenas 90 metros do chão, desrespeitando as regras de segurança para vôos de treinamento, que estipulam altura mínima de 300 metros do solo naquela região. Os vinte mortos estavam na cabine do teleférico que os levava ao topo da montanha. Uma segunda cabine, que fazia a descida só com o condutor, ficou pendurada por uma hora até a chegada do helicóptero de resgate. O avião americano tinha decolado da Base Aérea de Aviano, localizada entre Veneza e Belluno, em missão de treinamento, levando o piloto e três técnicos. Depois do desastre, foi recolhido para um hangar da base de Aviano, onde está sendo vigiado por fuzileiros navais americanos e guardas italianos. Apesar do choque com os cabos de aço, o aparelho sofreu apenas pequenas avarias na parte superior da cauda, o que indica as manobras do piloto para cruzar a estrutura do teleférico por baixo.

Com reportagem de Altair Thury Filho, do Rio de Janeiro, Franco Iacomini, de Curitiba, e Maurício Cardoso, de São Paulo
Fonte: http://veja.abril.com.br/110298/p_058.html

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