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26/05/2006 |
Uma equipe de
escaladores britânicos (John Arran, Ana Arran, Miles
Gibson e Ben Heason), um russo (Alex Klenov) e
venezuelanos (Iván Calderón e Alfredo Rangel)
terminou em abril deste ano a primeira via em livre
dos 1.000 m do Salto del Ángel, o maior negativo e
maior cachoeira do mundo. Uma parede que conta com
várias vias até a metade da parede. Somente uma
alcançava o topo, aberta por Adolfo Madinabeitia e
Jesús Gálvez em março de 1990: Ruta directa (1.150
m, A4/6b).
Todas as tentativas de repetição haviam fracassado.
E é uma parede de acesso complicado que exige muita
logística. Primeiro um vôo de 2 horas num
"teco-teco" para chegar a um povoado indígena
remoto. Depois, 3 dias de canoa pelo rio Churrun.
19 dias... e 14 noites
A equipe demorou 19
dias para completar a via. Fixou os primeiros 400
metros de corda e, num ataque definitivo, pasou 14
noites seguidas na parede antes de sair pelo cume
com todo equipo, comida e água. Dos 31 esticões,
metade ficaram acima do E6 britânico, e nove de E7,
cinco dos quais foram superados à vista (um E6 de
escala tradicional inglesa pode traduzir-se por um
8c nacional e o E7 por por um 9b/c, ambos muito
expostos). Ben recordava "as horas que passei em um
dos esticões de E7/6a foi uma das experiencias mais
aterrorizantes que vivi. Tive que concentrar-me como
nunca para poder encadenar aqueles lances". John,
Ben e Miles encabeçaram os esticões mais difíceis.
Até alcançar a parte mais negativa, escalaram vários
esticões sob os "ataques" intermitentes da
cachoeira. A rocha de pouca qualidade e a ausência
de boas proteções foram os protagonistas de quase
todos os esticões, mas a equipe permaneceu fiel ao
princípio ético de não instalar proteções fixas. Só
foram usados cinco 'spits' em paradas onde se usaram
porta-ledges e duas chapelatas em toda via.
Heason lembra que "a escalada de Gálvez e Madinabeitia foi incrível, ainda mais se considerarmos que eram somente dois, e que sozinhos deram conta de todo trabalho; gostaria muito de encontra-los um dia para tomar umas cervejas e falar sobre a escalada".















