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07/07/2003
Islândia prepara caça a baleias em meio a polêmica

Por Gleb Bryanski

REIKJAVIK, Islândia (Reuters) - Enquanto os baleeiros da Islândia preparam seus arpões explosivos para retomar sua atividade, após 14 anos de suspensão, o país discute se as baleias são mais valiosas vivas ou mortas.

A Islândia parou de caçar baleias em 1989, sob pressão internacional, mas disse que entre agosto e setembro deste ano pretende capturar 38 minkes para "propósitos científicos". O plano do governo é caçar cem baleias minke, cem baleias fin e 50 baleias sei por ano.

O cientista Gisli Vikingsson, do Instituto de Pesquisas Marinhas, disse na sexta-feira que três barcos baleeiros vão zarpar brevemente de locais não-revelados, em datas e horários não-revelados, a fim de evitar protestos de ambientalistas.

"Os noruegueses fazem, os russos fazem, os japoneses fazem, os norte-americanos fazem, por que não podemos?", disse Vikingsson, acrescentando que os arpões explosivos não provocam sofrimento aos animais, porque os matam instantaneamente. "Isso se compara à caça de mamíferos terrestres, como alces, e é um método muito superior."

Sete das 13 grandes espécies de baleias estão ameaçadas, e por isso a Comissão Baleeira Internacional proibiu em 1986 a caça comercial desse animal. A Noruega desafia a medida, e o Japão usa a exceção do propósito científico para continuar matando esses mamíferos. Povos indígenas da Groenlândia, do Alasca e da Sibéria podem continuar caçando baleias, desde que seja de forma tradicional e para consumo próprio da carne.

A Islândia diz que precisa controlar a população de baleias para preservar os cardumes de peixes nos seus mares. Estima-se que 43 mil baleias minkes vivam em águas islandesas, comendo 2 milhões de toneladas de peixes e krill todos os anos.

As minkes são muito menores que as fins e as seis, atingindo apenas dez metros de comprimento. Elas têm o dorso negro e a barriga branca.

A irada reação de ambientalistas e governos estrangeiros pode prejudicar as exportações e a crescente indústria turística da ilha do Atlântico Norte, mas mesmo assim as pesquisas mostram que 75 por cento dos 290 mil islandeses apóiam a volta da atividade baleeira.

"Se o mar está cheio de baleias, tudo bem caçá-las", disse Svanur Thorvaldsson, um comerciante de 31 anos.

Fridrik Arngrimsson, da Federação de Donos de Barcos Pesqueiros da Islândia, disse que as baleias diminuem de 10 a 20 por cento a quantidade de bacalhaus nas águas do país. "Essas 38 baleias minke não vão mudar nada", afirmou. "Gostaríamos de ver a caça comercial de baleias em escala completa."

A carne de baleia é servida em restaurantes de Reikjavik, num contraste gritante com o sucesso de uma nova atividade turística, a observação de baleias, que atraiu 62.050 pessoas no ano passado.

Erna Hauksdottir, presidente da associação dos empresários de turismo, teme uma retração no seu negócio. "A história nos mostra que a discussão sobre a caça das baleias frequentemente leva a protestos em frente a nossos escritórios no exterior."

Mas o ministro da Pesca, Arni Matthiesen, acredita que "os interesses da Islândia estão mais bem servidos com a caça à baleia do que sem ela".

Veja também: Caçadores de baleia acusam Greenpeace de usar "táticas da máfia
                     Conheça as baleias da Bahia da Ilha Grande

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