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01/05/2003 Sherpas, modernos e amigáveis. Tradução Atila Barros |
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Robustas, amigáveis e com jeito para o negócio, as pessoas da região de Khumbu enriqueceram graças ao turismo de montanha, mas alguns nepaleses perguntam hoje se esta prosperidade não terá tido um preço demasiado elevado. Lhakpa Sherpa, um aluno da escola secundária que Sir Edmund Hillary fundou em Khumjung, no Nepal. Lhakpa quer ir para a universidade e pretende ser médico. Para cumprir esse objectivo, este rapaz de 16 anos anda cinco horas a pé pelos caminhos rochosos da montanha para ir à escola. Passa lá a semana e regressa a casa. "Durante a monção, apanho chuva. No Inverno, tenho de ir pela neve. É sempre duro." Porém, como os sherpas apreciam sempre o lado agradável das coisas, Lhapka acrescenta de imediato: "O regresso a casa é sempre a descer, por isso só demoro três horas." |
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O
sherpa
Tenzing
Norgay, que há meio século
conquistou o topo do Everest junto com o neozelandês
Edmund Hillary, acreditava quando era criança
que nessa montanha viviam os deuses e a observava
fascinado, enquanto cuidava dos iaques (animais
típicos da região) de seu pai. "Não
sei por quê, mas desde criança
sentia que precisava chegar ao cume dessa montanha",
comentou em 1953, poucas semanas depois de
sua façanha, cujo aniversário
de número 50 se comemora neste 29
de maio. |
Tudo seria mais fácil se existisse um ônibos escolar para levar e trazer Lhakpa a casa. Mas para os sherpas, grupo étnico de budistas fervorosos que vive no Nordeste do Nepal, uma coisa é certa: não há ônibos escolar, automóvel, bicicleta ou estrada asfaltada no vale de Khumbu - território tradicional dos sherpas, sob o monte Evereste.
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Com
o adevento montanhismo muitos dos novos sherpas
ganham suas vidas como montanhistas
"carregadores" e guias ( poucos ainda) para novos
aventureiros que se arriscam pelas montanhas
do Nordeste
Nepal. Apesar de todos os riscos um sherpa por
temporada consegue uma boa quantia em dolares
americanos por ano. A renda per capita esta
em torno de 1,4 mil dolares\ano.
Os sherpas que trabalhão com turismo ganham,
em média, cinco vezez mais. |
Os sherpas de Khumbu andam a pé para todo o lado e carregam os seus bens às costas - às costas dos iaques, se forem suficientemente ricos para possuir estes animais de carga locais.
Quem chega à pista de aterrissagem perto da aldeia de Lukla e pergunta a um sherpa a que distância fica o imponente mosteiro de Tengboche não ouvirá uma resposta em termos de distância (23km) ou de altitude (mil metros a subir), mas sim de intervalo temporal: "Tengboche? Chega-se lá ao fim de quatro dias."
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A maioria dos ocidentais leva dois dias a caminhar até à cidade-mercado de Namche Bazaar e aproximadamente mais seis dias até ao Acampamento Base do Evereste. |
Quando
uma família sherpa de Khumbu pretende construir
uma casa nova, grande parte da estrutura tem de ser
transportada, a partir das terras baixas por caminhos
acidentados, às costas de alguém. Com
a apetência que hoje existe pelos confortos
do Ocidente, também pode acontecer que uma
latrina ou uma lava-louças suba, montanha
acima, por vezes seguido de outro carregador vergado
ao peso de um gerador solar, que proporcionará o
luxo sherpa mais atual:
água quente
corrente.
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Ao chegar ao topo do Everest no dia 29 de maio de
1953, Tenzing Norgay, budista fervoroso, ergueu
um pequeno
altar, onde deixou chocolate, uma lapiseira, que
tinha recebido de presente de sua filha, além
de outras oferendas. "Nunca estive ante semelhante
vista e nunca voltarei a estar: selvagem, maravilhosa
e terrível.
Mas não senti nenhum medo: tinha muito carinho
pelo Everest. Havia esperado por esse momento durante
toda minha vida. Minha montanha não me pareceu
uma coisa morta de rocha e gelo, mas quente, amiga
e viva", contou Norgay.
Força sempre!
Atila Barros

















