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29/08/2009
Preparação para os esportes
de montanha. Alta Montanha
Marcio Araujo
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Preparação para os esportes de
montanha é fundamental para o êxito de qualquer
objetivo traçado, seja ele um simples trekking na
cidade ou uma subida, por exemplo, “a cordilheira
dos Andes”.
Certa vez, um amigo, na véspera da
minha primeira ida à cordilheira dos Andes
perguntou-me qual era a sensação de estar indo para
tão longe escalar montanhas, respondi que estava
muito tranqüilo com relação aos objetivos traçados e
que o principal da viajem já havia sido realizado. A
resposta assustou um pouco, pois respondi que o
principal da viajem era a preparação psicológica e
física, e é claro a logistica do projeto.
Para muitos que olham de fora de uma
expedição, existe a ilusão de que o “grande momento”
acontece no inicio da trip, quando se esta
embarcando ou semanas antes quando o projeto é
anunciado, mas quem esta dentro sabe que a partida é
um grande alivio e que para chegar até aquele
momento foram investidas horas e mais horas de muita
dedicação ao objetivo, e é neste momento que não se
pode deixar de rever cada item na lista, o bom e
velho “Checklist”.
Começando pela documentação
necessária para ir para outro país passando pelos
equipamentos básicos e terminando na contabilidade
financeira. A concentração neste momento também se
torna outro importante item, o fator psicológico
também esta no Checklist (Não
deixe de ler também
Escolhendo seu
parceiro de Trip!).
Para termos uma idéia clara da
equação, a subida a uma montanha como o
Aconcágua exige no mínimo de seis a oito
meses de treinamento físico especifico, alguns
montanhistas chegam a se preparar um ano ou mais
para poder aumentar as possibilidades de chegar até
o topo das Américas. E não para por aí, a caminhada
a qualquer alta montanha exige alem de toda a
preparação física uma boa
aclimatação que consiste em idas e
vindas ao acampamento base, subindo a montanha
gradativamente a montanha com o objetivo de adaptar
todo o organismo a esta grande variação de altura.
Esta é a parte mais complexa desta modalidade, já
que existe uma variação grande de período de
adaptação de
pessoa para
pessoa. Sem mencionar que,
retirando-se da montanha e voltando ao ar não
rarefeito, toda esta preparação
“aclimatação” se perde, logo se
você pretende voltar à montanha tempos depois de
retornar aos trópicos, conseqüentemente terá que se
aclimatar novamente.
A soma de preparo físico mais
aclimatação se torna indispensável a qualquer
objetivo de escalada a uma alta montanha. Sem esta
equação básica, a ascensão a um cume de ar rarefeito
se torna quase que impossível para não dizer mortal.
Outro tópico para o sucesso de sua
Trip é a atenção para sua alimentação. Esta se feita
de forma inconseqüente pode comprometer todo o
objetivo traçado.
Por experiência própria, alguns anos
atrás fui obrigado a sair rápido do acampamento base
do
Condoriri,
Bolívia com Atila Barros que estava
passando muito mal. Devido uma lasanha com data de
validade suspeita servida pela empresa contratada
que deveria atender toda a logística necessária para
uma semana na montanha, Atila adquiriu uma bactéria
que o deixou fora das atividades por alguns dias,
isso depois de sofrer por duas noites no campo base
com diarréias e vômitos. Em outras palavras meu
grande amigo fora expulso da montanha não por erro
em sua preparação e sim por negligência de outros
com nossa alimentação (Isso faz parte, pergunte ao
próprio se agora não é ele quem monta a lista de
compras!)
Não contente com o aperto de meu
amigo, no ano seguinte fora eu no mesmo lugar
expulso da montanha. Devido a erros grosseiros em
minha preparação física, em com excesso de confiança
apostando no que achava certo, fui o grande
responsável por ter perdido tempo precioso fora do
projeto. Por não atentar para uma
equação básica, fui obrigado a retornar a La Paz
para medicar-me e poder continuar na trip.
Mesmo com o planejamento minucioso de
uma Trip, não estamos imunes a imprevistos, e quando
“a coisa fica feia” é hora de colocar todo nosso
aprendizado a prova. Concentração,
autoconhecimento, controle do medo,
gerenciamento das tensões, a capacidade de decisão e
o foco no objetivo serão suas ferramentas para sair
do momento critico. Se não fosse o lado psicológico
bem trabalhado seria quase que impossível o ser
humano escalar uma montanha.
Com o psicológico abalado por
qualquer motivo que seja a preparação física se
torna nula (Para quem já esteve em situações de
extremo risco e em eminência de perigo de morte,
sabe exatamente do quero dizer). Para isso não
acontecer, se faz necessário que todos os outros
fatores de uma preparação estejam em dia.
A pessoa que pretende se habilitar a
escalar em alta montanha, desde sua preparação
física, já deve iniciar a preparação psicológica.
Dicas simples como buscar informações do local que
pretende ir (Internet e revistas) e conversar com
pessoas que já fizeram a montanha que você pretende
incluir no seu projeto podem evitar surpresas
desagradáveis ao chegar à montanha. Saiba muito bem
onde esta pisando, para isso a consulta a um guia
local e a outros escaladores são primordiais.
Outra grande dica que vem passando
despercebido para novos e desatentos montanhistas é
a contratação de guias locais.
Certa vez quando descia eu e Atila
Barros do
Vulcão Misti (5.822 MT)
em Arequipa, Peru, dois Franceses
desciam de forma acelerada por uma encosta a nosso
lado direito, foi quando nosso guia de montanha
David aos berros os alertou que se continuasse a
descer por aquela rota sairiam em meio a uma
comunidade carente extremamente violenta e perigosa.
Imagine você que se prepara
fisicamente durante meses, toma todo o cuidado do
mundo com a alimentação, cuida bem do lado
psicológico e de todo seu Checklist, no final de uma
escalada perfeita de céu azul você se pega em meio a
uma favela barra pesada sujeito a perder até os
pelos da sobrancelha. Acho que ninguém quer isso,
quer? Em caso de duvidas, inclua um guia em seu
Checklist. Sejamos prudentes para evitar males
maiores.
São tantas dicas e detalhes que devem
ser seguidos que toda preparação se torna algo
complexo a partir do objetivo traçado. Se fosse
fácil ascender a uma montanha, teríamos mais
montanhistas do que peladeiros de fim de semana.
Escalar em Rocha ou gelo, não é como colocar um
tênis nos pés e correr pelas ruas, é preciso
paciência dedicação e muito treino.
Seguindo as dicas e atentando para os
detalhes de um bem elaborado Checklist de viagem, o
sucesso de sua trip seja ela em sua cidade ou do
outro lado do mundo vai ficar pendente apenas a
montanha te aceitar ou não, sabe lá como esta o
humor dos Deuses da montanha no dia?
Grande abraço!
Paz e bem, boas escaladas na rocha e na vida.
Marcio Araujo. |