|
Serra da Piedade
A Serra da Piedade está localizada no município de
Caeté a cerca de 60km de Belo Horizonte. A serra é o
extremo leste de uma grande estrutura geológica de
direção Nordeste-Sudoeste que recebe diversos nomes,
de Oeste para Leste: Serra de Itatiaiuçu/Igarapé,
Serra Azul, Fecho do Funil, Três Irmãos, Serra do
Rola Moça, Serra da Mutuca, Serra do Curral, Serra
do Taquaril e finalmente Serra da Piedade.
Praticamente todas apresentam afloramentos nos quais
é possível a prática de escalada. Na Serra do Curral
as vias concentram-se no Parque Municipal das
Mangabeiras e na Serra de Igarapé/Itatiaiuçu estão
sendo abertas diversas vias e logo se tornarão
campos-escola.
Estas “montanhas” existem porque são formadas por
cangas (crosta resistente à erosão e muito rica em
óxidos de ferro) e “itabiritos” ( rochas
metamórficas formadas por camadas alternadas de
quartzo e ferro). Nos locais onde o ferro está mais
concentrado, formando grandes jazidas, as empresas
de mineração já estão instaladas.
Apesar do impacto ambiental e cênico, devemos nos
lembrar que estamos no limite norte do “Quadrilátero
Ferrífero”, umas das poucas regiões do planeta com
vastas formações ferríferas, o que de certa forma é
uma grande vantagem para nosso país, pois afinal de
contas a sociedade moderna é dependente do aço.
|
|
A Serra da Piedade com seus 1746 metros de altitude
chama a atenção dos humanos desde o início da
ocupação da região. Em 1673 o paulista Fernão Dias
adentrou nas terras mineiras em busca de riquezas,
que poderiam ser encontradas na mística “Serra de
Sabarabuçu”, designação da “Serra Resplandescente”
ou Itaberaba-oçu, que após muitas modificações
lingüísticas se transformou em Tabaraboçu e já no
século 17 popularizou-se como Sabarabuçu. Fernão
procura, sem nada encontrar, prata e pedras
preciosas na região da Serra da Piedade, que podia
ser vista de muito longe, com seus afloramentos de
itabirito reluzindo ao sol. Alguns anos depois
descobre-se ouro nas márgens do Rio das Velhas, que
passa próximo à serra, levando a identificação da
mesma como a perseguida montanha dos tesouros. Desta
história surge o nome do povoado que se formou no
sopé da serra - Sabará, coincidentemente nesta
cidade hoje histórica, nasceram grandes escaladores
mineiros, inclusive Emerson Azeredo e Chander
Cristian.
No século XIX a Piedade chamou a atenção de diversos
naturalistas estrangeiros que passaram por ali.
Saint-Hilaire, em 1818, logra subir ao cume da serra
e relata:
“É somente no lugar em que as matas deixam de
aparecer e onde a terra não se presta mais à
cultura, que a montanha toma, na região, o nome de
Serra da Piedade.”
No alto da serra o viajante teve a mais ampla visão
das terras de Minas durante sua viagem. A serra
eleva-se cerca de 500 metros das terras
circunvizinhas e constitui um pico isolado. A únicas
montanhas que impedem a visão do topo são as que
constituem a Serra do Caraça, o imponente maciço que
pode ser avistado ao Sul, além de Caeté. Outros
viajantes que subiram a serra ao passarem por lá
foram Spix e Martius, que andaram pelo Brasil entre
1817 e 1820.
A história da Serra da Piedade é marcada por
diversos personagens que trabalharam arduamente pela
construção e manutenção do complexo religioso
instalado em seu topo. Alguns relatos apontam, que a
construção da primeira capela no topo da serra
ocorreu por volta de 1778, existindo também no local
eremitas que viviam da caridade dos fiéis que subiam
a serra já naqueles tempos.
As peregrinações até a serra provavelmente advêm de
relatos de meados da década de 1760, quando duas
moças, ao passarem pela serra teriam visto Nossa
Senhora da Piedade. Muitos foram atraídos pelo
milagre e entre eles estava Antônio da Silva
Bracarena. Bracarena dedicou sua vida e fortuna à
construção do templo no topo da serra. Outras
histórias de milagres e curas firmaram a serra como
um local sagrado e consequentemente ele se tornou
destino de romarias que perduram até os dias de
hoje.
Outros personagens importantes na história da serra
são: Irmã Germana, o capuchinho Frei Luiz de Ravena,
Padre Domingos Evangelista Pinheiros e desde 1959 o
dominicano Frei Rosário Joffiy.
No Santuário de Nossa Senhora da Piedade existe um
complexo religioso com duas capelas, sendo que a
mais antiga abriga, entre outras obras de arte, uma
imagem de Nossa Senhora da Piedade cuja autoria é
atribuida a Aleixadinho. Devido a sua grande
importância religiosa, a santa foi proclamada a
padroeira do estado de Minas Gerais, em 1958 pelo
Papa João XXIII. No mês de agosto é realizada a
procissão de Nossa Senhora da Piedade. Existe também
um restaurante que funciona nos finais de semana que
serve de ponto de apoio aos visitantes. Em frente ao
restaurante há um ponto de água potável. Os
sanitários que existem na área da cavalhada (grande
descampado na estrada) só são abertos nas datas
festivas.
Além disso, ainda existe a Igreja Nova que é aberta
nas datas festivas, o Observatório Astronômico da
UFMG que abre todo 1º sábado do mês para a visitação
pública e o quartel do Destacamento de Proteção ao
Vôo número 32 da Força Aérea Brasileira.
A Serra da Piedade para os escaladores
Os diversos pontões da serra são frequentados desde
os anos 60 por escaladores. A Serra da Piedade é um
bom local para se escalar porque além de ter uma
bela vista é também pouco frequentada - não é
preciso pegar senha nas bases das vias. A maioria
das vias são feitas em “top rope”, portanto, não é
preciso ter mais do que o equipamento básico para se
escalar. Outro aspecto interessante é a grande
variedade de tamanhos e formas dos blocos e pontões,
o que permite reunir num mesmo local as mais
diversas técnicas de escalada como chaminés,
oposições, agarras e fendas.
A rocha apresenta grande resistência à perfuração, o
que levou ao estabelecimento de escaladas utilizando
preferencialmente proteções naturais (bicos de
pedra) e móveis. Os blocos são muito bons para
treinamento de iniciantes nas técnicas de escalada,
pois é possível escalar mais de uma dezena de vias
curtas (boulders com segurança) no mesmo dia. Este
ótimo campo-escola é utilizado pelo Exército
Brasileiro, especificamente pela seção de montanha
do 12º Batalhão de Infantaria, sediado em Belo
Horizonte, para treinamento de seus homens. Os
blocos utilizados pelos militares apresentam marcas
feitas com tinta, indicando frequentemente as
agarras que devem ser utilizadas, o que é
interessante para quem escala pela primeira vez. Os
treinamentos são realizados apenas em algumas
semanas do ano e em dias de semana, não havendo
restrição à utilização do campo-escola por
escaladores civis. |