Caeté - Caraça - Ouro Preto

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Serra da Piedade

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Rocha e Gelo - Escalada e Montanhismo

Centro Excursionista Mineiro

Serra da Piedade

A Serra da Piedade está localizada no município de Caeté a cerca de 60km de Belo Horizonte. A serra é o extremo leste de uma grande estrutura geológica de direção Nordeste-Sudoeste que recebe diversos nomes, de Oeste para Leste: Serra de Itatiaiuçu/Igarapé, Serra Azul, Fecho do Funil, Três Irmãos, Serra do Rola Moça, Serra da Mutuca, Serra do Curral, Serra do Taquaril e finalmente Serra da Piedade. Praticamente todas apresentam afloramentos nos quais é possível a prática de escalada. Na Serra do Curral as vias concentram-se no Parque Municipal das Mangabeiras e na Serra de Igarapé/Itatiaiuçu estão sendo abertas diversas vias e logo se tornarão campos-escola.

Estas “montanhas” existem porque são formadas por cangas (crosta resistente à erosão e muito rica em óxidos de ferro) e “itabiritos” ( rochas metamórficas formadas por camadas alternadas de quartzo e ferro). Nos locais onde o ferro está mais concentrado, formando grandes jazidas, as empresas de mineração já estão instaladas.

Apesar do impacto ambiental e cênico, devemos nos lembrar que estamos no limite norte do “Quadrilátero Ferrífero”, umas das poucas regiões do planeta com vastas formações ferríferas, o que de certa forma é uma grande vantagem para nosso país, pois afinal de contas a sociedade moderna é dependente do aço.
 

Nome Nome
1 Nascente de Água 11 Bloco da Exibição
2 Trevo Para Topo da Serra 12 Observatório Astronômico da UFMG
3 Pontão Talismã 13 Bloco do Pneu
4 Maciço do Charuto 14 Gruta do Eremita
5 Pontão Impiedoso 15 Campo Bravo
6 Pontão Cheguevara 16 Bloco do Paul
7 Pontão Baião de Três e via da Colher 17 Bloco Vídeo-Game
8 Pontão das Orquídeas 18 Campo Alfa
9 Pontão das Brumas 19 Antenas do Sindacta/F.A.B.
10 Santuário da Piedade 20 Mineraçã


A Serra da Piedade com seus 1746 metros de altitude chama a atenção dos humanos desde o início da ocupação da região. Em 1673 o paulista Fernão Dias adentrou nas terras mineiras em busca de riquezas, que poderiam ser encontradas na mística “Serra de Sabarabuçu”, designação da “Serra Resplandescente” ou Itaberaba-oçu, que após muitas modificações lingüísticas se transformou em Tabaraboçu e já no século 17 popularizou-se como Sabarabuçu. Fernão procura, sem nada encontrar, prata e pedras preciosas na região da Serra da Piedade, que podia ser vista de muito longe, com seus afloramentos de itabirito reluzindo ao sol. Alguns anos depois descobre-se ouro nas márgens do Rio das Velhas, que passa próximo à serra, levando a identificação da mesma como a perseguida montanha dos tesouros. Desta história surge o nome do povoado que se formou no sopé da serra - Sabará, coincidentemente nesta cidade hoje histórica, nasceram grandes escaladores mineiros, inclusive Emerson Azeredo e Chander Cristian.

No século XIX a Piedade chamou a atenção de diversos naturalistas estrangeiros que passaram por ali. Saint-Hilaire, em 1818, logra subir ao cume da serra e relata:
“É somente no lugar em que as matas deixam de aparecer e onde a terra não se presta mais à cultura, que a montanha toma, na região, o nome de Serra da Piedade.”

No alto da serra o viajante teve a mais ampla visão das terras de Minas durante sua viagem. A serra eleva-se cerca de 500 metros das terras circunvizinhas e constitui um pico isolado. A únicas montanhas que impedem a visão do topo são as que constituem a Serra do Caraça, o imponente maciço que pode ser avistado ao Sul, além de Caeté. Outros viajantes que subiram a serra ao passarem por lá foram Spix e Martius, que andaram pelo Brasil entre 1817 e 1820.

A história da Serra da Piedade é marcada por diversos personagens que trabalharam arduamente pela construção e manutenção do complexo religioso instalado em seu topo. Alguns relatos apontam, que a construção da primeira capela no topo da serra ocorreu por volta de 1778, existindo também no local eremitas que viviam da caridade dos fiéis que subiam a serra já naqueles tempos.

As peregrinações até a serra provavelmente advêm de relatos de meados da década de 1760, quando duas moças, ao passarem pela serra teriam visto Nossa Senhora da Piedade. Muitos foram atraídos pelo milagre e entre eles estava Antônio da Silva Bracarena. Bracarena dedicou sua vida e fortuna à construção do templo no topo da serra. Outras histórias de milagres e curas firmaram a serra como um local sagrado e consequentemente ele se tornou destino de romarias que perduram até os dias de hoje.

Outros personagens importantes na história da serra são: Irmã Germana, o capuchinho Frei Luiz de Ravena, Padre Domingos Evangelista Pinheiros e desde 1959 o dominicano Frei Rosário Joffiy.

No Santuário de Nossa Senhora da Piedade existe um complexo religioso com duas capelas, sendo que a mais antiga abriga, entre outras obras de arte, uma imagem de Nossa Senhora da Piedade cuja autoria é atribuida a Aleixadinho. Devido a sua grande importância religiosa, a santa foi proclamada a padroeira do estado de Minas Gerais, em 1958 pelo Papa João XXIII. No mês de agosto é realizada a procissão de Nossa Senhora da Piedade. Existe também um restaurante que funciona nos finais de semana que serve de ponto de apoio aos visitantes. Em frente ao restaurante há um ponto de água potável. Os sanitários que existem na área da cavalhada (grande descampado na estrada) só são abertos nas datas festivas.

Além disso, ainda existe a Igreja Nova que é aberta nas datas festivas, o Observatório Astronômico da UFMG que abre todo 1º sábado do mês para a visitação pública e o quartel do Destacamento de Proteção ao Vôo número 32 da Força Aérea Brasileira.

A Serra da Piedade para os escaladores

Os diversos pontões da serra são frequentados desde os anos 60 por escaladores. A Serra da Piedade é um bom local para se escalar porque além de ter uma bela vista é também pouco frequentada - não é preciso pegar senha nas bases das vias. A maioria das vias são feitas em “top rope”, portanto, não é preciso ter mais do que o equipamento básico para se escalar. Outro aspecto interessante é a grande variedade de tamanhos e formas dos blocos e pontões, o que permite reunir num mesmo local as mais diversas técnicas de escalada como chaminés, oposições, agarras e fendas.

A rocha apresenta grande resistência à perfuração, o que levou ao estabelecimento de escaladas utilizando preferencialmente proteções naturais (bicos de pedra) e móveis. Os blocos são muito bons para treinamento de iniciantes nas técnicas de escalada, pois é possível escalar mais de uma dezena de vias curtas (boulders com segurança) no mesmo dia. Este ótimo campo-escola é utilizado pelo Exército Brasileiro, especificamente pela seção de montanha do 12º Batalhão de Infantaria, sediado em Belo Horizonte, para treinamento de seus homens. Os blocos utilizados pelos militares apresentam marcas feitas com tinta, indicando frequentemente as agarras que devem ser utilizadas, o que é interessante para quem escala pela primeira vez. Os treinamentos são realizados apenas em algumas semanas do ano e em dias de semana, não havendo restrição à utilização do campo-escola por escaladores civis.

 
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Croquiteca - Guia - Escalada de Minas.

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