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Tabuleiro

O distrito de Tabuleiro que dá nome à famosa queda de água fica a cerca de 20 quilômetros de Conceição do Mato Dentro, que por sua vez dista 180 Km de Belo Horizonte. Tabuleiro é uma vila pacata, onde a vida passa com calma, sendo assim, procure respeitar o modo de vida da população local. Apesar de pequena, é possível acampar na vila, alugar casas para se hospedar, contratar guias e animais de carga, existindo também algumas opções de bares e restaurantes tudo muito rústico e simples porém bem acolhedor como o povo do local.
Para quem não quer escalar existem algumas opções de caminhada como a que leva à cachoeira “Rabo de Cavalo” ou a caminhada até a cabeceira da cachoeira. Para chegar até o local de onde a água cai são cerca 3:30 horas de caminhada, mas a vista lá de cima compensa o esforço. Para quem quer algo mais leve pode-se ir até o poço principal da cachoeira , são cerca de 2 horas de caminhada em trilha batida.
Ver matéria Travessia Lapinha - Tabuleiro

A trilha

Saindo de Tabuleiro, desça a rua “principal” em frente à igrejinha. Pegue a primeira saída à esquerda, que leva até uma pinguela (ponte de tronco) para atravessar o rio. Siga a trilha até a estrada que passa logo à frente (trilha muito batida) e continue subindo, sempre subindo. Esta subida é longa e forte, mantenha o ritmo e respire fundo. No final desta estrada (no alto do morro) começa a trilha para o poço.
Siga a trilha mais batida, mantendo a direção geral para a esquerda. Em poucos minutos deve-se estar vendo os paredões amarelos e a cachoeira (pequenininha ainda). Esta trilha irá contornado o morro, descendo suavemente a encosta. Após outros minutinhos, a trilha irá se tornar íngreme, este trecho apesar de mais difícil é curto. Esta descida levará você até o leito do rio. No leito do rio vá procurando o caminho ora pelas pedras, ora pela margem. De modo geral o caminho não é muito complicado mas apesar de curto, demora pois andar sobre blocos exige atenção constante.
Uma vez no poço, procure por uma grande pedra plana. É possível chegar nadando ou andando até debaixo da queda sem grandes dificuldades, o visual de lá é fantástico. É do poço que começam as vias desta linda parede rochosa com mais de 300 metros de altura.

Caldeirão

A cachoeira é conhecida pelos moradores da cidade como “caldeirão” e leva este nome pois quando chove surgem outras cachoeiras no penhasco, vaporizando uma grande grande quantidade de água que bloqueia a visão da queda. O cânion é muito estreito e variações médias de vazão podem elevar o nível das águas rapidamente isolando e inundando o leito. Não é necessário que esteja chovendo no cânion para o fenômeno ocorrer, mas em qualquer local da bacia hidrográfica do rio, sendo portanto pouco previsível. Esteja atento para a possibilidade de chuva pois boa parte da trilha que leva até o poço é completamente inundada, tornando o passeio em verdadeira enrrascada. Lembre-se, você está em um ambiente de montanha, esteja devidamente equipado. Alguns anos atrás, um grupo de escaladores se viu preso entre a cachoeira principal e uma outra que surgiu com a chuva ficaram quase 24 horas isolados esperando o nível de agua baixar para poderem ir para casa.

Os pioneiros

A primeira atividade vertical realizada nesta parede aconteceu em 13/10/1995, quando Rodrigo Tinoco, Francisco Figueiredo e Fernando Piancastelli fizeram um rappel do alto da cachoeira com 273 metros de queda livre, a equipe se utilizou inclusive de mulas para levar todo o equipamento ao alto da parede. Até a ocasião este foi o rapel mais alto a ser realizado no Brasil até a descida da Cachoeira da Fumaça - Chapada Diamantina.

Já em 1996, Rodrigo Tinoco, Eduardo Viana e André Coutinho, iniciaram a conquista da 1º via de escalada do local tendo encontrado muitas dificuldades pois parte da parede fica molhada quando venta muito, e o spray da queda de água atinge a parede no inicio da escalada .
Esta via segue uma linha à direita da queda principal da cachoeira e até esta data, ela havia atingido pouco mais de 230 metros de altura, tendo a conquista sido paralisada devido a grandes blocos soltos na parte final da parede. No ano 2000 Edgardo Abreu “Caca” e Vítor Martins realizaram a primeira escalada completa do paredão, na margem esquerda do rio. A via “Enfarto Supra-renal” -7º b/ A1+, com 200 metros de extensão. A mesma dupla voltou no ano de seguinte à parede, conseguindo estabelecer a segunda linha, desta vez mais à esquerda na outra, com 150 metros chamada “Angelical Touch” 7ºb/A1 . Para escaladores esportivos existem algumas opções na área. Uma é a via “Vestibuleiro” 8ºc aberta por Gustavo Piancastelli, Leonardo Hoffmann e Edgardo Abreu, na parede negativa que sai do abrigo natural na margem direita do rio. Nas margens do poço existe um grande bloco que permite ancoragem com friends grandes para top rope.

A escalada longa mais radical do lugar é a via “Linda de Morrer”- 7º VIIIºa/A3- E3, aberta por André Braga, André Viana, Breno Araújo, Gustavo Baxter, Gustavo Piancastelli, Matheus Carneiro e Nello Aun. Esta via faz parte do Projeto “Paredes de Minas”(Ver mais detalhes na pagina seguinte), e ela explorou o gigantesco negativo à esquerda da queda de água.É sem duvida uma via que exige um grande comprometimento das equipes pretendentes.

 
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Croquiteca - Guia - Escalada de Minas.

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