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Nascido em
Teófilo Otoni, o jovem Leonardo Caiaffa,
sempre ficava impressionado com o tamanho da
pedra que tem uma “boca” gigantesca
esculpida pela natureza, e que fica às
márgens da estrada para Nanuque. Muitos anos
depois, o adulto passou a praticar
alpinismo, e dizia para o amigo Emerson
Alves “Mandacaru”: “Cara, vamos lá escalar a
Pedra da Boca, deve ter uns 200 metros de
altura!!!”. Pobre Léo, como subestimou o
gigantismo da natureza.
Em 1995 a dupla atingiu o pé da montanha
equipados até os dentes. Após bons dias de
sol e algumas “vacas” atingiram a marca de
270 metros de via. Ao observarem a pedra de
longe viram que ainda estavam na metade.
Convidaram o colega Eduardo “Ralf” para a
segunda parte da conquista. Em agosto de
1997 o trio se lançou ao desafio. Após
alguns dias de conquista Léo teve que
retornar à civilização para trabalhar e os
outros dois continuaram escalando bravamente
apesar do calor infernal. A empreitada durou
6 dias com uma clássica “corrida pelo topo”
onde o equipamento de perfuração manual “deu
pane” e alguns grampos de meia polegada
foram alojados em buracos de 14 milímetros.
No topo, já sem água há algum tempo, Emerson
encostou numa urtiga “jurássica” e começou a
ter reações alérgicas. Iniciaram o rapel, e
após quatro horas estavam novamente no platô
dos 270 metros onde havia água. Estafados,
dormiram e
terminaram a descida no dia seguinte. Estava
aberta a linha “Bocaliente Canabrava” - 6º
VIIa A3+ E5, conquistada por Emerson
Azeredo, Eduardo Viana “Ralf” e Leonardo
Caiaffa. A via tem uma extensão de 630
metros, e ainda aguarda sua repetição. Os
conquistadores autorizam a regrampeação dos
rapéis da parte final e desejam boa sorte
aos pretendentes. |