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Centro Excursionista Mineiro |
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Introdução à
geologia da região de Rubim
Por Alexandre Uhlein e Daniel Mariano. |
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Quando se vai a Rubim, fica-se admirado com
a variedade e a beleza das formas
arredondadas dos picos graníticos. Mas,
afinal de contas, como estas montanhas
surgiram? Por que elas estão lá? Neste texto
vamos tentar explicar, de maneira simples, a
história geológica das montanhas
apresentadas neste capítulo.
Na região de Rubim, Almenara, Salto da
Divisa, Santo Antônio do Jacinto (nordeste
de Minas Gerais), afloram rochas
classificadas pelos geólogos em uma unidade
denominada “Complexo Jequitinhonha”. A
história deste “complexo”, como o nome já
diz, não é de fácil compreensão. Ele é
constituído por vários tipos de rochas
metamórficas, como gnaisses migmatíticos com
intercalações de quartzitos e
calcissilicáticas, além das intrusões de
rochas graníticas, que são de especial
interesse dos escaladores.
Os gnaisses são rochas de aspecto listrado,
parecendo o pêlo das zebras, com
bandas/faixas alternadas, de cores escuras e
claras. No caso desta região, os gnaisses
são derivados de sedimentos e não de rochas
ígneas. Os quartzitos formam algumas
“chapadas” e são derivados de pacotes de
areia. As “calcissilicáticas”, ricas em
cálcio e sílica, provavelmente são derivadas
de uma mistura de “calcário” com lama. Todos
estes sedimentos deviam estar no litoral de
um antigo continente.
Entre 600 e 550 milhões de anos atrás, o
atual continente da América do Sul se uniu
ao continente africano para formar um grande
paleo-continente, denominado “Gondwana”
pelos geólogos. O encontro de massas
continentais é uma “trombada de gigantes” e
o resultado foi a formação de uma grande
cordilheira de montanhas. Este é o mesmo
tipo de evento que ocorre hoje em dia entre
a Ásia e a Índia mas que começou a cerca de
60 milhões de anos. Devido à “trombada” da
Índia na gigantesca Ásia, a mais elevada
cadeia de montanhas do mundo foi criada, o
“Himalaia”, e ela continua sendo empurrada
para cima, à medida que a Índia se movimenta
lentamente para o norte. Você sabia que o
Monte Everest continua “crescendo”, Apesar
disto ele não irá subir muito, pois o peso
da montanha esmaga as rochas abaixo,
compensando parcialmente o fenômeno, sem
contar os efeitos erosivos do gelo.
As montanhas formadas aqui no atual Brasil
já foram rebaixadas pela erosão ao longo dos
milhões de anos que se passaram desde sua
formação. Ainda na época, devido à “trombada
continental”, nas profundezas da Terra, na
“raíz” das montanhas, aumentaram as
condições de pressão e temperatura. A cerca
de 20 Km de profundidade, as pressões eram
superiores a 4.000 vezes a pressão
atmosférica, e as temperaturas eram da ordem
de 600-700ºC. Submetidas a estas condições
extremas, as rochas começaram então a
derreter. Parte do material fundido ficou
lá, mas a parte mais líquida, com menor
densidade, começou a “boiar”, subindo
lentamente em direção à superfície. À medida
em que subia, esta “sopa de minerais “ ia se
esfriando e novos cristais começaram a se
formar.
Como estamos tratando de uma “trombada de
continentes”, o volume dos materiais
envolvidos é muito grande. A “super-gota” de
magma (a sopa de minerais) formada chegou a
atingir centenas de Km² em área. As zonas
que sofreram menos os efeitos da trombada
formaram núcleos resistentes, que dão origem
à típica morfologia de “pães-de-açúcar” da
fronteira de Minas com Bahia e Espírito
Santo. Estes núcleos são geralmente
constituídos de “granitos”, termo utilizado
aqui para descrever rochas ígneas cujos
cristais constituintes são grandes o
suficiente para serem distinguidos a olho
nu. A composiçào simplificada de um granito
é: quartzo, um mineral normalmente
transparente e brilhante; mica, um mineral
que parece uma chapinha e feldspato, que nas
rochas de Rubim podem ser grandes cristais
retangulares, com 3 a 8 centímetros de
comprimento, às vezes orientados segundo uma
mesma direção.
Os granitos de Rubim e Jacinto formaram-se a
partir do derretimento das rochas, em grande
profundidade, na raiz da cadeia de montanhas
resultante da colisão continental que
ocorreu a 600 milhões de anos atrás. Desde
então, as montanhas sofreram erosão
continua, durante milhões e milhões de anos,
até o relevo ficasse plano permitindo a
exposição destas rochas profundas. Depois de
expostas na superfície a chuva esculpiu o
relevo de “Pão de Açúcar” formando a bele
paisagem que podemos ver atualmente.
Os cristais destas rochas costumam ser tão
grandes, que a escalada é mais em agarras do
que em aderência. Estas agarras, entretanto,
são frágeis e devem ser testadas. Alguns
pontões apresentam fendas espetaculares, com
até 200 metros de extensão. Outros têm
grandes canaletas esculpidas pela água. A
diversidade de formas favoráveis à escalada
é enorme e a região ainda está pouco
explorada. Esperamos que este texto ajude a
entender melhor a formação dos pontões e que
desperte em você um maior interesse pelas
ciências da Terra. Procure pelas escolas de
geologia nas universidades federais para
saber mais sobre os locais onde você costuma
escalar. Lembre-se sempre: “consulte o
geólogo, ele conhece o chão que você pisa”. |
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Croquiteca
- Guia - Escalada de Minas. |
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