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Centro Excursionista Mineiro |
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Rubim.
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História de Rubim
por Paulo Roberto Antunes Aranha.
É
imprecisa a data da chegada e a motivação da
vinda de Tiago José de Almeida e de um
engenheiro baiano, os primeiros
desbravadores a abrirem as matas e fazerem
pastagens de colonião, roças de milho,
mandioca e feijão, fixando-se no local onde
viria a ser o primeiro núcleo do povoado. O
repassar do contar dos antigos chega somente
aos dois que, por coincidência ou não, aqui
vieram ter à mesma época, ambos comandando
pequenos grupos de trabalhadores. O segundo
deles, referido como o engenheiro baiano,
levou sua abertura mais a jusante do córrego
do Rubim, abrindo a mata nos espaços
correspondentes à Fazenda Guaraná, ao Pirajá
e à Fazenda. Iracema, local do aldeamento
dos índios Maxacalis com os quais teve
muitos atritos.
Pouco
tempo depois de concluída a abertura, viajou
e não mais retornou. Enquanto que o
primeiro, Tiago José de Almeida, o Tiaguinho,
aqui ficou deixando nome, história de seus
feitos, carente de descendentes. Recebeu o
major Quinto Ruas, e com ele negociou e
participou da abertura de novas áreas, que
futuramente foram destinadas ao povoado.
Na
realidade, o fundador do povoado foi o major
Quinto Ruas, que comprou as áreas abertas
por Tiaguinho e, liderando um grupo de
interessados, se propôs a fomentar ali um
povoado. Entre este grupo de interessados se
destacaram, pelo entusiasmo, José Ramos, os
irmãos Antônio e João Nonato, o chefe do clã
dos Laurindo, principalmente seu filho,
José.
Mais
tarde tiveram a adesão dos Cardoso, da
expressiva família Alves, além de um grupo
da família Ferraz, encabeçado pelo Sr.
Melvino Ferraz. Isto ocorria por volta de
1918, quando para aqui chegou o Sr.
Ubirajara Coelho, casado com D. Helena,
filha de D. Ana Alves Lacerda, D. Sinhana,
que os acompanhava. O povoado tinha por base
o comércio, que ali se firmava, como ponto
de apoio para as tropas, entre as quais, as
dos irmãos Nonato. Estes, em seu comércio,
compravam os produtos primários dos
produtores que abriam áreas de cultura e
pastagens, fornecendo-lhes de retorno o sal,
o querosene, os tecidos e uns poucos artigos
industrializados comprados ora em Vitória da
Conquista, ora em Montes Claros.
A
consolidação da idéia foi de longa
sedimentação com base na evolução ditada
pelo mercado. A definição como povoado veio
pelos idos de 1918, quando surgiram as
primeiras casas e cômodos de lojas com
depósitos para as mercadorias. A primeira
casa, construída por major Quinto Ruas,
ainda existe, fica na esquina da praça
Quinto Ruas, a mesma onde hoje funciona o
Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Ao lado
desta, veio, edificada em seguida, a casa do
Sr. Eugênio Silva, hoje pertencente a Paulo
Paranhos. O alinhamento e situação das casas
adveio de dois acidentes
geográficos naturais: o primeiro deles,
diziam os antigos, foi a existência de uma
pequena nascente, uma cacimba, de água
cristalina e pura, sem o excesso de sal da
água do então volumoso córrego do Rubim do
Sul, em contraste ao Rubim do Norte, na
margem oposta do Jequitinhonha e que define
águas dos distritos de Vigia e Jacinto. O
segundo detalhe da geografia local foi a
existência de uma passagem natural no
córrego, daí surgindo o primeiro ponto de
apoio para as tropas.
O sopé
do morro foi ocupado seguindo o alinhamento
natural das márgens do córrego e
proximidades da água potável, evitando o
alagadiço marginal conseqüente às cheias,
então mais freqüentes. Aos poucos foi sendo
definido o arruamento principal, nada mais
que o alinhamento da grande praça que se
formava. A casa de José Ramos foi levantada
quase ao mesmo tempo, em alinhamento
perpendicular a esse referido, pois,
usufruindo das mesmas vantagens, abria uma
segunda opção, projetando o arruamento em
outro sentido, definindo o formato
retangular da praça, como parece terem
idealizado, uma vez que tal disposição não
seria obra do acaso. Atualmente, mora nesta
casa o Sr. Querubim, um dos mais idosos do
lugar, filho varão do Sr. Eugênio Silva,
nosso conhecido "velho Eugênio", outro pilar
do povoado de Rubim.
A
abundância de madeiras nobres ( ipês, cedro,
vinhático e braúnas), fez influenciar o tipo
de construção. O aproveitamento dos
casqueiros de madeira (cavacos) nas
coberturas das casas dos trabalhadores nas
construções, aglomeradas em uma rua lateral,
deu a esta o nome de "Rua do Cavaco", talvez
a segunda a surgir no povoado.
As
terras onde o povoado se iniciou pertenciam
a Antônio Nonato, Zê de Laurindo e Eugênio
Silva e major Osório Sousa. Antônio Nonato
era irmão de João Nonato, segundo marido de
D. Milu, sendo ambos comerciantes ativos com
tropas a percorrer a região, fazendo as
trocas comerciais.
A
abertura das fazendas precedeu o surgimento
do povoado. As áreas inicialmente abertas,
por volta de 1900 a 1905, correspondiam à
Fazenda Barcelona; às propriedades de
Napoleão Lacerda, na área do Rubim de Pedras
(Empedrado). A jusante do povoado de União,
já existiam as Fazendas de Antônio Nonato; a
Fazenda Revolta, de "Zê" Ramos; a de Eugênio
Silva, próxima ao desaguamento do Rubim no
Jequitinhonha (mais tarde Conceição), e as
do major Osório Sousa, próximas ao povoado.
O major Quinto Ruas articulou a venda da
fazenda Guaraná para Nezinho, sendo
intermediário do negócio entre Antônio
Nonato e seu Theodoro Saraiva.
Major
Osório Sousa veio de Pedra Azul (1918),
trazendo consigo uma prole numerosa e o
prestígio da família. Os "Sousas" de major
Osório e os "Ruas" de major Quinto se
opunham politicamente em Fortaleza (Pedra
Azul), de onde ambos se originaram. Isto
veio a definir posteriormente as respectivas
posições políticas no futuro do povoado. |
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