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A Serra do Lenheiro
Por Leonardo Rodrigues
A Serra do Lenheiro,
que circunda a cidade de São João del Rei, é formada por quartzito, rocha
metamórfica, cujo principal componente é o quartzo. Teve uma importância
histórica bem expressiva devido a grande quantidade de ouro retirada nos séculos
passados. Hoje, a exploração de quartzo e o avanço da população em direção as
suas encostas são as principais ameaças deste patrimônio de São João del Rei.
A escalada na Serra
do Lenheiro, data do final da década de 70, quando os militares deram início às
suas atividades de montanha e posteriormente se especializaram nesta área. Mas
sua projeção nacional, como pólo de escalada, se deu em meados da década de 80,
quando os escaladores Antônio Carlos Magalhães, André Silva Ilha e Lúcia Duarte
Alvarenga, deram início a uma série de conquistas ao redor dos Três Pontões da
Serra do Lenheiro.
Na década de 90, a
Serra do Lenheiro ganha sua projeção internacional nas páginas da revista Mountain e Climbing, os maiores ícones de publicações a respeito da escalada.
Graças à sua formação, a Serra do Lenheiro tornou-se o primeiro pólo de escalada
tradicional do Brasil. Trata-se de um local com abundância de fendas
espetacularmente sólidas, o que proporciona uma escalada limpa da melhor
qualidade. A proteção fixa aos arredores dos Três Pontões é uma raridade. Para
se ter uma idéia, em toda a Serra do Lenheiro encontram-se apenas três vias
esportivas, todas elas muito recentes. A primeira via esportiva foi aberta em
meados da década de 90.
As vias de escalada
A área de interesse para a
escalada na Serra do Lenheiro começa no Bloco dos Dois Dedos, um conjunto
rochoso que se inicia após a mineradora abandonada. Ali estão algumas vias
interessantes como a "Fissura dos Dois Dedos IV", "A primeira a gente nunca
esquece V", "Portal do Delírio V Sup", "Erva do Diabo IV" e uma esportiva recém
equipada, cujo grau sugerido está entre 7C ou 8 A.
Após este primeiro bloco, uma
imensa parede segue até os Três Pontões. Nesta parede encontram-se algumas vias
clássicas como o Paredão Miosótis, Chaminé Dança dos Vampiros entre outras. A
meio caminho dos Três Pontões está a "Caverninha". Trata-se de uma pequena
formação, onde existe um teto com duas vias esportivas da melhor qualidade,
trata-se das vias "Imagina Eu 7B" e "Tetinho 7". Com certeza, é um dos pontos
fortes da escalada da Serra do Lenheiro.
Finalmente os Três Pontões. É o
grupo de maior interesse para a escalada, onde estão localizadas as melhores
opções. No pontão Menor estão a maioria das vias. São elas: Rota das Âncoras
III, O retorno das abelhas VI, Chaminé sem nome III, Alta tensão VI, Rota dos
grampos III, Esquina da Alegria IV, Chaminé Spartacus IV, Fissura Rubycon IV,
Rosa de Hirochima V, Guerra e Paz 7C, Sublime Inconseqüência 7C, Chaminé do
Lenheiro III, Dança Macabra IV, Sonho de Valsa III.
No Pontão Médio, com um número
bem menor de vias, tem uma diferença marcante em relação aos demais grupos. A
presença de fendas neste bloco não é abundante. Devido a isto, é onde se
encontra as únicas vias esportivas dos Três Pontões. As principais vias são:
Limites Invisíveis 7C, Ku de Bosta (Tope Hope), Esalianos VI sup, Lua de Mel 7B,
Sinfonia Fantástica 7C e Ópera Selvagem IV.
O Pontão Maior ainda pouco
explorado possui vias interessantíssimas. São elas: Chaminé Pânico na Colmeia V,
Lúcifer VI sup, Chá de Cadeira A2 IV, Via do Puta e Diedro dos Militares IV.
Outra grande surpresa é sem
dúvida nenhuma, a "Rota Interna". É uma pequena gruta existente dentro dos Três
Pontões. Nela existem algumas escaladas de ótimas qualidades, como a Minas Rio e
a Rio Minas dentre outras. O próprio passeio dentro da "Rota Interna" é uma
atração muito interessante, com formações rochosas e uma flora bastante
peculiares.
Na base do Pontão Maior, está
guardada uma das maiores riquezas deste local. São as inscrições rupestres.
Tribos, provavelmente nômades, que viveram nesta região por volta de seis mil
anos deixaram suas marcas nas paredes da Serra do Lenheiro. É mais um belo
atrativo deste surpreendente local de escalada. |